segunda-feira, 30/08/2021
Pinóquio, menino de madeira que, quando mente, o nariz cresce, foi esculpido a partir do tronco de uma árvore por Gepetto Imagem: Pixabay

Em tempos de mentira, onde fica a verdade?

Valtênio Paes (*)

Em que pese a prática da mentira ser inerente aos humanos, ela tomou proporções incalculáveis no século XXI turbinada pelo auxílio das ferramentas das redes sociais. Enganar, ludibriar, falsificar, iludir, enganar, fraudar são atos preferenciais da pessoa mentirosa.

Erasmo Carlos já cantava “Pega na mentira” por volta dos anos 80 do século XX. Luís Gonzaga, em 1956, desfilando talento em parceria com Zé Dantas, cantava “Siri jogando bola”.  Música e artes sempre trataram da mentira. O genial Chico Anízio, em Pantaleão, perguntava: “É mentira, Terta”? que respondia: “Verdade!”. Era arte na comédia. Para o grego Aristóteles, “assim como a verdade, a mentira nada mais é do que uma construção social”. Já para Santo Agostinho , “quem mente para si mesmo e dá ouvidos à própria mentira chega a um ponto em que não distingue nenhuma verdade nem em si, nem nos outros e, portanto, passa a desrespeitar a si mesmo e aos demais”. Hoje a mentira é usada por familiares, gestores, candidatos em eleições e governos.

A mentira do pescador perdeu o encanto. Candidatos mentem aos eleitores com imagens e palavras. Conseguem eleição e administram fomentando mentiras, usando as tecnologias na comunicação. Honrar a palavra e respeitar eleitores estão cada vez mais difíceis. Governantes de repúblicas usam meios oficiais com robôs para praticarem mentiras. Trump se elegeu e governou praticando a mentira. Fechou o blog meses depois do término do mandato. Será que a mentira tem “pernas curtas”? Oxalá ainda! Para o bem da verdade.

A explosão da mentira acontece exponencialmente em frações de segundos. Pior ainda, dispondo do “complexo vira-lata” usa-se a expressão em inglês “fake news”. O judiciário regularmente é chamado para dirimir conflitos decorrentes de mentiras. Organismos internacionais estudam o combate a tais práticas. Educadores, pais e responsáveis pelas crianças estão tendo muito trabalho para explicar o que é ou não verdade. Ante a avalanche cotidiana da prática da mentira, onde fica o respeito ao morto que teve imagens de seu corpo alteradas na divulgação? Como fica a pessoa massacrada mentirosamente pelo inimigo político? Com tais atos, o que dizer aos nossos filhos o que é mentira ou verdade nas comunicações externas? Muitos habitantes das redes sociais assumiram a mentira como rotina. O desafio é distinguir mentira de verdade, o certo do errado.

Para Bertolt Brecht,

“aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso.”

Espera-se que apareça uma regulamentação universal punidora para autores desta prática, restabelecendo o império da verdade informativa. Alguma mentira pode até ajudar na busca da verdade, na medida em que estimula a dúvida, mas jamais deve ser institucionalizada como regra. Tem que ser derrotada com ação punitiva rigorosa.  Restabelecer a verdade honrada é necessário para o bem da sociedade, porque o oposto falseia qualquer sustentação dos bons costumes e padrões culturais de um povo, além de mascarar a história.

(*) Valtênio Paes de Oliveira é professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada -Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.

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