segunda-feira, 23/11/2020
Revolução industrial Foto: Divulgação

Desafios da economia: Bioética e Processos Produtivos (parte 3)

Iginio Rivero Moreno (*)

Será que é possível, através das pessoas comuns, conseguir mudar essa realidade surreal, mas que existe? Há alternativas e propostas viáveis que permitam ter esperanças de um mundo diferente?

A humanidade já foi protagonista, através da história, de grandes desafios. Enfrentou enormes catástrofes e inumeráveis aberrações tirânicas que ameaçaram a sobrevivência de nações inteiras. Mas, a Modernidade é um período sem precedentes. Desde seus primeiros indícios, fazem uns 500 anos, numa distância diferenciada com o passado, manifestava uma capacidade de reproduzir de maneira exponencial os maiores horrores cometidos na antiguidade, debutando com o magnicídio cometido nas colônias que hoje confrontam a América, e adicionando seus passos por África e Ásia. Não se trata de dizer aqui a ideia que esses territórios espoliados fossem “paraísos terrenos”, não. Ao contrário disso, eram territórios com processos histórico-culturais complexos, mas não em dinâmicas de auto- destruição.

A Modernidade nasceu na ação dos aparatos de Estado (monárquicos) legitimadores de capitais provenientes do delito. As leis de legalização do contrabando na Holanda e as Patentes de Corso, na Inglaterra no século XVI, permitiram o desenvolvimento de empresas corsárias que assaltavam galeões espanhóis no Caribe para legalizar os roubos, nas nações anteriormente mencionadas. Riqueza do crime que já estiveram sujas de sangue das nações originárias e o ecocídio na América de hoje. Isto alimentou a Revolução Industrial e o posterior desenlace do sistema financeiro moderno, estruturando o seu sistema econômico, o Capitalismo.

Depois surge com a Revolução Francesa a possibilidade de refinar a sua atitude selvagem, conotando uma proposta de humanizar e suavizar o domínio monstruoso da visceral Europa, para camuflá-lo com a mais intelectualizada hipocrisia. Desta lúgubre comédia, no transitar do século XIX, surgiu esta dicotomia de direita e esquerda, duas faces de uma mesma moeda que se tornou a pior tragédia política que, por esta desgraça, há tido seu maior desenvolvimento na nossa América Latina  o flagelo do Populismo.

Tanto a direita como a esquerda, nos seus fundamentos teóricos, têm elementos para gerar discussão. O assunto está na execução desses discursos; a prática nada tem a ver com eles.

É muito lamentável que ao longo da nossa história só nos lembremos de governos militares tirânicos e da “democracia”: demagogia, corrupção e roubos no tesouro público. Na ação se perdem os princípios. O voto foi convertido num instrumento do clientelismo político, longe de ser a expressão consciente da soberania dos povos. Que os casos de políticos honestos sejam causa da admiração, por ser uma estranha figura dessa realidade. É muito patético mesmo! A carreira política, longe de ser um ofício de servidores públicos, é uma maneira fácil de fazer riqueza sem um mínimo esforço intelectual nem pudor, “delinquência de colarinho branco”, como dizem.

Tanto políticos de direita como de esquerda, no poder, comportam-se no mesmo esquema populista. Só que a esquerda apresenta a tendência de ser mais demagoga com os mais pobres. Existem os casos de exceção, com certeza, só nos referimos aqui a uma conduta geral da prática política em nosso continente.

Vamos continuar no texto seguinte  com as perguntas problematizadoras que abrem discussão e agregaremos mais uma:

O que é a responsabilidade social, participação e protagonismo cidadão no exercício do poder político?

(*) Poeta e artesão venezuelano. Licenciado em Educação, especializado em Desenvolvimento Cultural pela Universidade “Simón Rodríguez”, Venezuela.

** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a).  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.

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