quinta-feira, 14/01/2021
Devemos buscar investimentos na renda variável que nos deixem confortáveis de segurá-los durante anos em nossa carteira de investimentos Foto: Pixabay

Saiba a importância do investimento em renda variável

David de Andrade Rocha (*)

Já tratamos da importância do ROI (Retorno Sobre Investimento – na sigla em inglês) quando vamos escolher um investimento em renda fixa, hoje nos aprofundaremos no assunto, falando de sua importância na hora de se avaliar um investimento na Renda Variável.

Quando falamos de renda variável, citamos todas as formas de investimento que não podemos precisar o quanto teremos lucrado no futuro, ou seja, não podemos mensurar nossa rentabilidade desde o início,   são exemplos de renda variável: Fundos de Investimento em Multimercado e Ações, Investimento em Ouro, Investimento em Imóveis (isso mesmo, imóvel não é algo tão certo!), Investimentos em Dólar, Investimentos em Fundos Imobiliários, FOREX, para citar somente alguns.

A renda variável abrange tão ampla gama de opções que permite que as pessoas especulem com mais facilidade, daí os Trades e Hadges que negociam diariamente suas ações (por exemplo), falaremos mais sobre eles depois. Basta sabermos que esses especuladores têm uma importância imensa no mercado, pois suas negociações garantem liquidez aos ativos, tornando-os assim mais seguros, já que a pessoa pode resgatá-los com mais facilidade.

Já em nossa visão para a Liberdade Financeira, o especular não seria interessante, devemos buscar investimentos na renda variável que nos deixem confortáveis de segurá-los durante anos em nossa carteira de investimentos, e uma das formas de primeiro observar isso é partindo da avaliação do ROI.

Como já foi explicado, o ROI indica o Retorno líquido sobre o Investimento. Em outras palavras, indica o quanto de lucro a pessoa está obtendo realmente através de seu investimento, logo, quanto mais alto o ROI de uma empresa melhor, via de regra o ROI deve superar a taxa de juros básica da economia (taxa Selic) para justificar o investimento em um ativo mais ariscado.

Vamos agora dar um exemplo sobre o ROI de uma das empresas mais conservadoras da Bolsa Brasileira, observem a seguinte imagem:

Ano Patrimônio Receita Líquida Lucro Margem ROI Caixa CX Liq Dívida Dív/PL Dív/LL
2020 45.926 41.536 13.104 31,55% 28,53% 7.676 5.011 2.665 0,06

Valores em Milhões.

Obs: Suprimi o nome da empresa, pois esse exemplo tem caráter reflexivo e não deve ser tomado como base para se investir em uma empresa, pois, como veremos mais à frente, o ROI indica se vale a pena estudá-la e os outros indicadores dizem se vale a pena investir nela.

Como podemos observar na imagem, o ROI no ano de 2020 já está em 28,53% a.a o que sabemos ser bem maior que a taxa Selic atual, a saber: 2% a.a. Podemos fazer a relação entre as duas taxas para saber o quanto acima da Selic o patrimônio do investidor tende a se rentabilizar, usando a seguinte fórmula:

No caso do exemplo temos:

Relação = 28,53/2

Relação = 14,26.

Vemos no exemplo que o ROI da empresa é de 14,26x o retorno da taxa Selic, o que indica um ótimo ROI e a necessidade de estudar mais a fundo essa empresa para decidir se vale a pena ou não investir nela.

Esse retorno está além do chamado Ganho de Capital (esse ganho constitui na valorização da ação e sua posterior venda), já que o ROI relaciona o retorno desse capital na forma de Dividendos, Juros sobre Capital Próprio e Bonificações. Em outras palavras, esse retorno indica em quanto tempo o investidor tem 100% do dinheiro que investiu de volta, sem a necessidade de retirar o principal. No caso dessa empresa, o retorno se daria (se tudo continuasse da mesma forma) em menos de três anos.

A recomendação dos investidores é sempre reinvestir esse dinheiro para que ele se una ao principal e prossiga gerando mais retorno durante muito tempo.  Essa dica funciona muito bem para aqueles que querem manter o investimento durante muito tempo e reinvestir os dividendos e outras receitas geradas durante esse período. Para isso, claro, a avaliação constante da empresa se faz necessária, para que o investidor perceba o momento mais propício para retirar o investimento, embolsando todo o lucro, que nesse caso sempre tende a ser maior que a Inflação no período.

Até a próxima!

(*) David Rocha escreve semanalmente, às terças-feiras. Ele é assessor de investimentos e educador financeiro, que vive o mercado diariamente, desde 2011, e autor do livro Tesouro Direto – Um Caminho para a liberdade financeira de 2016.

** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.

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