sexta-feira, 03/09/2021
Economista Rodrigo Rocha, do IEL: momento desafiador

“Empresários industriais sergipanos estão otimistas e alcançaremos um nível de produção superior”, acredita economista do IEL, Rodrigo Rocha

“O otimismo dos empresários industriais e os investimentos que já começam a ser realizados, somados ao advento da vacina contra a covid-19, nos permitem alimentar expectativas de que alcançaremos um nível de produção industrial superior ao observado no período anterior à pandemia”. Essa é a expectativa do economista Rodrigo Rocha, superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), da Federação das Indústrias de Sergipe (FIES).

Ele destaca que, desde a retomada   gradual da economia sergipana, “a indústria já vem apresentando recuperação da produtividade, mesmo com os desafios resultantes da crise que se estabeleceu este ano”.  Na semana passada, a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), mostrou que o empresariado brasileiro está bastante confiante com relação à economia brasileira e às suas empresas.

Dentro deste contexto, diz Rodrigo, que também coordena o Núcleo de Informações Econômicas e supervisiona o Centro Internacional de Negócios da FIES, “o ICEI de Sergipe de dezembro (60,1 pontos) apresentou crescimento (de 2,4 pontos) em relação ao mês anterior”.

Outro destaque citado por Rodrigo Rocha foi a geração de emprego na indústria sergipana, segundo dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) do Ministério da Economia, em diversos segmentos.

Confira a entrevista que Rodrigo Rocha concedeu ao Só Sergipe.

SÓ SERGIPE – O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado em 10 de dezembro  pela Confederação Nacional da Indústria (CNI),  ficou estável em um patamar de elevada confiança por parte da indústria. Como o senhor poderia traduzir essa estabilidade?

RODRIGO ROCHA – Nos últimos meses o ICEI apresentou variações positivas, revelando uma confiança elevada dos empresários da indústria, com relação à economia brasileira e às suas empresas. O ICEI é formado por dois componentes: o Índice de Condições Atuais e o Índice de Expectativas. Enquanto o segundo demonstrou continuidade do otimismo do empresário brasileiro em dezembro, o primeiro mostra a percepção de melhora das condições de negócios por parte do empresário industrial, no mesmo mês.

SS – O Estado de Sergipe foi pesquisado pelo ICEI? O empresariado local também pensa como os demais, ou seja, há confiança por aqui também?

RR – Sim, a pesquisa também é realizada em Sergipe. E, sim, os empresários respondentes da pesquisa em nosso estado também estão confiantes. Ademais, o ICEI de Sergipe de dezembro (60,1 pontos) apresentou crescimento (de 2,4 pontos) em relação ao mês anterior, resultado da percepção de melhora das condições por parte dos empresários industriais locais (Indicador de Condições), unida ao aumento do otimismo desses empresários (Indicador de Expectativas).

Indústria sergipana otimista  Foto: ASN

SS – Em abril passado, com a pandemia da covid-19, o ICEI registrou forte queda, chegando a 34,5 pontos, o menor índice da série histórica. Como, na sua opinião, ocorreu essa recuperação, ao longo destes últimos meses?

RR – Sim, o ICEI de abril de 2020 foi o menor da série histórica e desde a forte queda ocorrida em abril, o ICEI não apresentou mais variações negativas. De junho a setembro, a confiança dos empresários apresentou forte recuperação e, ao longo dos últimos meses, a recuperação continuou, mas em um movimento mais suave. Com a reabertura das atividades econômicas, os estoques foram tendo saída e a atividade industrial recuperou o nível de produção. Em novembro último, chegou a ficar com o nível de atividade industrial acima do usual. Nesse sentido, espera-se que a indústria, que, de uma forma geral, já ultrapassou nível de produção pré-crise, deva retomar a trajetória de crescimento, com aumentos graduais da produção, investimento e emprego.

SS – Já que citamos o mês de abril, como a indústria sergipana atravessou esse período?

RR – Em abril de 2020, o ICEI apresentou o menor índice da série histórica também para a indústria sergipana. A indústria sergipana atravessou o período com dificuldades como a maioria das indústrias brasileiras. Enfrentou o desafio de ter queda na receita, dificuldade de honrar seus compromissos financeiros, bem como a dificuldade de obtenção de crédito e, com a retomada, enfrentou outros desafios como a falta de insumos e matérias-primas. Contudo, o aumento na demanda por seus produtos a partir da retomada, as estratégias internas de cada empresa, o otimismo empresarial e as medidas para auxiliar as empresas têm colaborado para a superação desse momento mais desafiador.

SS – Dados da CNI apontam que a atividade industrial voltou a subir em novembro, inclusive com alta nas contratações.  O emprego na indústria sergipana também cresceu em novembro?

RR – Os dados do Caged/Ministério da Economia mostram a geração de 422 postos de trabalho na indústria sergipana, no mês de novembro, pulverizados em vários segmentos, merecendo destaque as atividades alimentícias (86 postos novos de trabalho) e produtos têxteis (75 novos empregos).

SS – Somente com uma vacina é que a população ficará mais aliviada diante da covid-19. Isso poderá trazer reflexos positivos para diversos setores econômicos, incluindo a indústria sergipana? Qual sua expectativa?

RR – Certamente. Desde o início da retomada gradual da economia sergipana, a indústria já vem apresentando recuperação da produtividade, mesmo com os desafios resultantes da crise que se estabeleceu este ano. O otimismo dos empresários industriais e os investimentos que já começam a ser realizados, somados ao advento da vacina contra a covid-19, nos permitem alimentar expectativas de que alcançaremos um nível de produção industrial superior ao observado no período anterior à pandemia.

SS – Na sexta-feira passada, 18, o governador Belivaldo Chagas sancionou a Lei nº 8.803, ampliando por mais 10 anos o Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI) e criou o Fundo de Apoio à Industrialização (FAI). O objetivo é possibilitar que o benefício fiscal do PSDI seja usufruído pelas empresas instaladas em Sergipe por até 35 anos.  Isso poderá atrair mais empresas para Sergipe?

RR – O PSDI tem conferido a Sergipe maior atratividade no cenário empresarial e tem gerado, ao longo da existência do programa, muitos benefícios para as indústrias instaladas no estado. Diante disso, essa prorrogação é muito importante, mas vale destacar a importância da retomada e fortalecimento de ações lideradas pelo próprio governador, antes da pandemia, no sentido de aperfeiçoar o ambiente de negócios sergipano. Precisamos fortalecer e ampliar a competitividade da economia sergipana através do estímulo à inovação, da redução de burocracias, da melhoria da infraestrutura logística, dentre outras ações estratégicas para tornar Sergipe um destino ainda mais atrativo para os investimentos, que propiciarão a aceleração do desenvolvimento do Estado, garantindo dias melhores para a população atual e também para as gerações futuras.

SS – Quantas indústrias temos em Sergipe e quais os principais produtos fabricados aqui?

RR – Cerca de 3.134 empresas industriais, conforme dados de 2019, publicados pela CNI. Em Sergipe, destacam-se os produtos fabricados principalmente pelas indústrias alimentícias, têxteis, de calçados, de cerâmica e vidros.

 

 

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