sábado, 27/01/2024
Léo Mittaraquis
Léo Mittaraquis diz que ingressou "tarde" na universidade

Crítico literário Léo Mittaraquis: “Literatura e Filosofia dialogam intimamente; são campos de conhecimento simbióticos”

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Por Antônio Carlos Garcia e Marcus Éverson Santos

 

Leitor voraz, crítico literário, filósofo, apreciador de bons vinhos (seria um sommelier?), um Mestre Cuca. Esse é Léo Antônio Perrucho Mittaraquis, 62 anos, um carioca de Paquetá, descendente de gregos, que aos seis anos foi morar em Vitória da Conquista, Bahia, e que em 1972 chegou a Aracaju, vindo num caçuá com os pais – Léo Mittaraquis e  Vilma Perrucho Mittaraquis – que decidiram aportar em terras sergipanas.  “Sou sobrinho de Lia Mittaraquis, artista plástica naïf, que figurou na Times”, diz. Em Conquista, foi vizinho “parede com parede, do menestrel medieval do Nordeste, Elomar Figueira Melo. Em Aracaju, compôs a música “As coisas do Caçuá”, com Sergival, que alcançou sucesso. Em tempo: o termo francês naïf, segundo o dicionário, quer dizer aquilo que retrata simplesmente a verdade, a natureza sem artifício ou esforço.

Na última terça-feira, 9 de janeiro, Léo passou a integrar a seleta equipe de articulistas do Portal Só Sergipe, com a coluna Leitura Crítica, quando fez uma análise de parte da obra do escritor paulista Mateus Ma’ch’adö.

Autor dos livros “Versos Inviáveis” e “sob a régua do expediente”, Léo Mittaraquis pretende, com a coluna e a sua conta no Instagram da Leitura Crítica (@leo.mittaraquis), “promover a cultura literária, estimular a autoinstrução, recuperar a prática do confronto civilizado dos pontos de vista [divergentes] relacionados às leituras realizadas”, dentre outros.

Mestre em Educação pela Universidade Federal de Sergipe, em 2010, onde se graduou em Filosofia Licenciatura Plena (2007), Mittaraquis conta que ingressou “tarde” na academia, aos quarenta anos. Tentou o doutorado em Letras, mas não obteve êxito. “E a responsabilidade é toda minha, fui incapaz”, diz com uma fina ironia. Só que não é bem assim.

Ao ingressar na UFS, em 2007, Mittaraquis já possuía um vasto alicerce literário,  que remonta a sua tenra idade, pois cresceu cercado pelos volumes da “Larousse”, da “Mirador”, da “Biblioteca da Criança”. Aos oitos anos de idade, ganhou dois livros, com ilustrações em xilogravura, fundamentais: “Vinte Mil Léguas Submarinas” e “Viagem ao Centro da Terra”, de Júlio Verne. “Li e reli inúmeras vezes”, assegura.

Esta entrevista tem a participação do filósofo, mestre e doutor em Educação, Marcus Éverson Santos, “irmão de armas” de Mittaraquis, que o questiona, por exemplo, sobre a diferença entre Literatura e Filosofia. Léo entende que “Literatura e Filosofia dialogam intimamente. São campos de conhecimento simbióticos”. Também pede uma análise sobre crítica literária, passa sobre Ulisses, obra de James Joyce, que Mittaraquis é um estudioso. “Mas, creio, não passo vergonha numa conversa sobre Ulisses em torno de algumas garrafas de vinho”, arremata.

Sobre os autores sergipanos que admira, Léo diz que é o tipo de pergunta que “só amigos fazem: armadilha sobre a qual saber saltar é necessário e estratégico”.

Leia a entrevista, divirta-se, aumente seu cabedal de conhecimentos e sabia como Léo saltou dessa “armadilha”.

SÓ SERGIPE – O senhor mantém no Instagram, Leitura Crítica, e me chamou a atenção uma parte do enunciado no qual, entre outras coisas, cita “velharias”. Como ela combina com os demais enunciados? Seria interessante, incluir uma boa música?

LÉO MITTARAQUIS – O termo “velharias” foi incluído de caso pensado. Aliás, como os demais que constituem o texto curto para apresentação do perfil. Refere-se, antes de tudo, à consciência que tenho de que eu e demais pessoas com percepção de mundo próximas da minha fazem parte de um espectro sociocultural em extinção. Sinto muita saudade dos tempos de antanho. Tempos nos quais a Alta Cultura não era [mal] vista, não era [mal] percebida como algo fútil, chato. Até mesmo uma animação, como Pernalonga, trazia referências inteligentes, até com certa complexidade. Tempo em que a série “Sitio do Picapau Amarelo” [versão de 1977] foi reconhecida pela Unesco como patrimônio cultural. Tempo de comerciais altamente criativos [dispondo-se, não raro, de poucos recursos]. E, principalmente, para mim, tempo em que uma criança, a partir dos dois anos, ouvia a leitura compassada, elegante, feita pelos dedicados cultos pais, dos textos relacionados à cultura geral, publicados em jornais, revistas e, evidentemente, nas coleções de livros adquiridas com muito sacrifício, pois, éramos pobres.

Cresci cercado por volumes da “Larousse”, da “Mirador”, da “Biblioteca da Criança” [na qual estavam incluídas, além dos contos e novelas, peças de teatro], da coleção “Tesouro da Juventude”. Aprendi, com amor e fascínio, consultar os pesados e maravilhosos quatro volumes do dicionário “Lelo Universal”.

Assisti, em companhia do meu extremoso pai, no cine Madrigal, em Vitória da Conquista, em 1969, à insuperável, no gênero, produção cinematográfica “2001 — Uma Odisseia no Espaço”.

Assisti, com a família, ao lançamento do Saturno V, pela televisão e meu pai construiu, com latas de óleo Castrol, uma réplica com o intuito de explicar funcionamento e finalidade.

Por volta dos oito anos, ganhei dois livros, com ilustrações em xilogravura, também fundamentais: “Vinte Mil Léguas Submarinas” e “Viagem ao Centro da Terra”. Li e reli inúmeras vezes.

Depois, mediante a presença atuante dos meus pais, tive acesso a outras publicações: “A Ilha do Tesouro”, “Robinson Crusoe”…

Não me alongarei mais. Passaria horas e horas a responder somente a esta primeira pergunta.

E nem incluí a boa música. Iria de Pixinguinha, Jorge Ben [das antigas], Pink Floyd. Passaria pelos mestres do blues e do jazz, chegaria a compositores denominados clássicos, com predileção por Bach, Brahms, Vivaldi, Borodin, Mozart, Erik Satie entre outros.

No perfil há limitação de caracteres. Optei pelas “velharias”.

Porém, creio que proporcionei, nesta resposta, uma ideia razoável do significado subjetivo, transcendental, diria até, do termo “velharias”.

SÓ SERGIPE – Embora possa parecer redundante, pelo próprio título, qual o objetivo da Leitura Crítica?

 LÉO MITTARAQUIS – O termo “crítico” [no feminino, crítica] tem sua etimologia em termos como separar, peneirar, julgar. “Leitura”, vem do Latim “legere”, e tem relação com atividades como eleger, colher, selecionar. Há quem diga que remonta a expressões ligadas à agricultura. Então, vejamos só, há algo de atávico, digamos assim, no exercício do criticar. Revolver e preparar a terra. Plantar, irrigar e colher.

Há que proceder com o julgamento do objeto em questão. No meu caso, no tocante ao perfil, às produções literárias, viso promover a cultura literária; estimular a autoinstrução; recuperar a prática do confronto civilizado dos pontos de vista [divergentes] relacionados às leituras realizadas; levar a efeito o trânsito investigativo [estético, reflexivo — pelo viés materialista e dialético, vale dizer, produção de cultura como produção humana] pelo macrocampo das Humanidades. Todavia sem me afastar in toto da condição transcendente.

Penso, sem perder o senso, e dizendo, no entanto, que talvez haja algo de exequível nesta proposta.

Léo Mittaraquis
Amante da cozinha e de um bom vinho

SÓ SERGIPE – Também me chamou a atenção, seus conhecimentos em culinária e vinhos. Seria um casamento perfeito?

LÉO MITTARAQUIS – Sem dúvidas. A Literatura aborda, com frequência, a arte culinária. Como também os vinhos. “Almas Mortas”, de Gogol; “Em Busca do Tempo Perdido”, de Proust; “A Montanha Mágica, de Mann; “Rua das Ilusões Perdidas”, de Steinbeck; “Ilíada” e “Odisseia”, de Homero; “O Nome da Rosa”, de Eco; “Comédia Humana”, de Balzac…

Nessa pequena e injusta lista, comida e vinho desempenham algum papel em maior ou menor grau.

E, sim, amo cozinhar. Penso que cozinho bem. A esposa gosta, os amigos gostam. Amo o espaço da cozinha.

SÓ SERGIPE – Na última terça-feira, o senhor estreou no Portal Só Sergipe e fez uma análise profunda sobre o escritor Mateus Ma’ch’adö.  Como está a preparação para os próximos artigos?

LÉO MITTARAQUIS – Abordar o livro “YHVH”, de Mateus Ma’ch’adö, foi [e ainda está a ser, pois, estou a lidar com a segunda e última parte do artigo], foi, como bem descreveu João Ubaldo Ribeiro, “trabalho de estivador”.

E nem sei se consegui chegar próximo da excelência da obra.

Quanto aos próximos artigos, creio que escreva sobre um autor sergipano. Penso que me moverei assim: entre os clássicos e os contemporâneos; entre literatura de pertinho e produções doutras plagas.

SÓ SERGIPE – O senhor é crítico literário e essa condição me remete a uma pergunta. Na sua opinião, o brasileiro é um bom leitor ou está longe disso?

LÉO MITTARAQUIS – Quanto ao hábito da leitura, no Brasil, há leitores altamente qualificados [comprometidos com as implicações de uma leitura atenta, densa, profunda]; leitores que só desejam ler, sem maiores complicações [considero isso tocante e legítimo]; os maus leitores [ironicamente pululam entre os que se arrogam acadêmicos, intelectuais] e os muitos que simplesmente não gostam de ler. E estão no direito deles de não gostar. Não tenho inclinação alguma ao panfletário.

Mas, algo que já verifiquei, o descaso para com a boa leitura, não é privilégio do Brasil. EUA e Europa seguem, neste sentido, ladeira abaixo, com, é claro, as devidas exceções.

SÓ SERGIPE – Ao falar de leitura, recordo-me de uma frase polêmica do escritor italiano Umberto Eco, em 2015, na Universidade de Torino. Ele disse que “a internet deu voz a uma legião de imbecis”.  Há muitas críticas que, em alguns casos, a internet é terra sem dono onde cada um fala o que quer. Essa frase de Umberto ainda ecoa?

 LÉO MITTARAQUIS – Ecoa em alto e bom som. E ecoará cada vez mais. Contudo, apesar de concordar com Eco, sempre mantive uma percepção realista e prática da Internet. A vejo como um amplificador de males que já existiam e que, face à natureza mesma da Internet, foram exponenciados. Mas, desejo frisar, há boas fontes de conhecimento em diversas áreas na Internet. Depende, então, de quem está a buscar o quê.

SÓ SERGIPE – O senhor é autor do livro Versos Inviáveis, que está à venda no Amazon.

LÉO MITTARAQUIS –   Sim, Versos Inviáveis é um livreco, o qual, por excesso de falta de dinheiro, não tive como materializá-lo em papel e tinta. E, até onde sei, está à venda por dois contos. Penso que os poemas ali reunidos não são de todo ruins. Também sou autor de “Sob a Régua do Expediente”, este em papel. Até que foi bem recebido.

SÓ SERGIPE – Léo, conte-nos um pouco sobre sua trajetória acadêmica.

LÉO MITTARAQUIS – Ingressei tarde na universidade. Ali pelos quarenta anos, creio. Até então, minha formação fora, quase que em sua totalidade, autodidata.

Não porque eu defendesse esse tipo de aprendizagem. Coisas da vida mesmo. Altos e baixos, como diria Jorge Luís Borges, nesta imensa confusão que é a existência.

Mas, aos trancos e barrancos, aprendi algumas coisas. Provavelmente o que me ajudou neste processo foi minha paixão pela leitura.

Ao ingressar, meu lastro literário, teórico possuía já alguma densidade.

Como aluno, na academia, fui do medíocre ao razoavelmente bom. Tanto durante a graduação como durante o mestrado. Muitas vezes cometi erros infantis, inclusive no que concerne às estratégias para sobreviver naquele ambiente.

Mas houve coisa boa: amizades maravilhosas que firmei, tanto entre colegas como entre professores.

Mas, no geral, minha atuação como aluno e, depois, como professor, ficou longe de ser uma Brastemp.

Por sinal, tentei, há coisa de dois anos, o doutorado para Letras. Não obtive êxito. E a responsabilidade é toda minha, fui incapaz. Aproveito, então, por respeito às normas da SUNAB, e aviso, aos que porventura se ponham a seguir-me, que sou mercadoria avariada e próxima ao final do prazo de validade. Assim, ninguém sentir-se-á enganado. Quem comprar o produto, o fará sabendo das deficiências.

 

SÓ SERGIPE – Se tivesse que escolher entre a filosofia e a literatura, qual dentre essas duas você se sente mais atraído?

LÉO MITTARAQUIS – Não há distinção em termos de importância, para mim, entre as duas áreas. Literatura e Filosofia dialogam intimamente. São campos de conhecimento simbióticos.

Basta ler um Nietzsche, um Pascal, para perceber a Poesia. E o que dizer do extraordinário Merleau-Ponty? “A Prosa do Mundo” é uma das minhas leituras recorrentes.

E ao lermos Musil? Eis nele algo do legado de Arthur Schopenhauer, na minha percepção. E quanto a Hermann Broch? Autor do monumental, “Os Sonâmbulos”? Dialogou direta ou indiretamente com Wittgenstein, Karl Kraus e Sigmund Freud — ainda que, em relação a este último, eu vivo às turras, pois, o conceito de “inconsciente” é misterioso para mim. Quanto a isto, sou um bocó.

Devo, no entanto, ressaltar que esta é a minha perspectiva. Estou, como sempre, à disposição para receber percepções divergentes.

SÓ SERGIPE – Como você avalia o conceito de “Gênio” segundo o crítico literário Harold Bloom?

LÉO MITTARAQUIS – Há uma frase muito antiga, que li aos doze ou treze anos, salvo engano: “ninguém sabe realmente como a mente de um gênio funciona”. Pode ser que haja algo de romântico nisso. Mas não deixa de ser interessante para uma reflexão ao final de uma tarde fresca, com uma garrafa de Montrachet.

Harold Bloom está entre os pensadores que ratificam minha condição intelectual. Ao lê-lo, percebo-me tolo, estúpido, estulto e abestado. Ou seja, sou o radical oposto do que seria um gênio. Sei pouco, oh céus, muito pouco. E este pouco não sei bem pra que serve.

Quanto ao conceito mesmo de “gênio”, recomendável, antes de tudo, lembrar que o próprio Bloom observa que Bloom confessa que a sua escolha é totalmente arbitrária e que representa uma idiossincrasia.

Sua perspectiva, portanto, é assumidamente particular. Entretanto, quem não se identificaria com a lista bloomiana?

Quem discordaria de alguns dos nomes por ele elencados? Claro, não vamos mistificar, sempre há a possibilidade. Mas creio que não será longa a fila de discordantes.

Fascina-me à larga, parte do conceito que o gênio do momento, para consolidar sua posição, luta para superar, transcender e continuar o trabalho do gênio anterior.

Sou extremamente simpático a essa percepção. E razão literária, esta que adoto, compreende esta dialética: construir um sistema, elaborar uma crítica é, sempre, construir e elaborar contra alguém ou contra outras culturas.

SÓ SERGIPE – Como você avalia a crítica literária nos dias atuais? Você segue alguma escola? Qual?

LÉO MITTARAQUIS – Não posso afirmar que sigo. Apesar de buscar manter-me atualizado até certo ponto. Pois há coisas que não me interessam.

Tenho me valido do materialismo filosófico, a partir da obra de Gustavo Bueno, aplicado à crítica da razão literária. A produção literária como produção cultural, portanto, humana, histórica e socialmente localizada, constituída de autor, obra, leitor e intérprete. E, queiramos ou não, ideologizada. No que concerne a esta condição, a este fenômeno, podemos e devemos também aplicar a lente taxonômica.

Sou também simpático à perspectiva crítica de Alfred Kazin, o qual sempre alertou quanto aos riscos de se ler mal e julgar mal uma obra a partir de conexões totalmente arbitrárias, formuladas num vocabulário crítico mecânico, sem o senso estético pessoal devidamente fundamentado. Kazin faleceu no final do século passado, mas suas observações continuam pertinentes. E comentamos, aqui, nesta entrevista, sobre o pensamento crítico de Bloom, alguém de quem não podemos, de forma alguma, nos esquecer.

Levo em consideração, também, a abordagem crítica e histórica de Paul Fry.

Mas não largo mão das minhas leituras outras: Guilherme Merquior, Augusto Meyer, Afrânio Coutinho, Susan Sontag, I. A. Richards [meu caso perene de amor com a respectiva teoria crítica], Pierre Bourdieu, o grande Almeida Fischer e Davi Arrigucci Jr.

SÓ SERGIPE – Quais são os seus próximos projetos?

LÉO MITTARAQUIS – Meu projeto, isto é, minha intenção, é levar adiante este projeto, o Leitura Crítica. A idade provecta previne-me quanto a ir devagar com o andor que o santo é de barro. No mais viver e deixar viver.

Beber bons vinhos, fumar bons fumos, contar com os leais amigos. Continuar a ler e ler, revisitando, sempre, os clássicos. Dedicar-me à minha Imperatriz Absoluta do Meu Coração, Iara. Devo muito a ela. Sempre a apoiar-me, sempre ao lado.

SÓ SERGIPE – Quem dentre os escritores sergipanos você mais aprecia?

LÉO MITTARAQUIS – É o tipo de pergunta que só amigos fazem: armadilha sobre a qual saber saltar é necessário e estratégico.

Desde já, ao citar uns e não citar outros, cometerei, ainda que involuntariamente, injustiças. Resta-me contar com a compreensão dos não citados.

Eis então: Célio Nunes, Alberto Carvalho, Renato Mazze Lucas, Jackson da Silva Lima, Antônio Carlos Viana, Petrônio Gomes, Santo Souza, Ronaldson, Jozailto Lima, Marcelo Ribeiro, Wagner Ribeiro, Sílvio Romero, Jeová Santana, Francisco Dantas, Newman Sucupira… Ufa!

Apelo para minha terceira idade e ao prenúncio de senilidade, e rogo indulgência ante o esquecimento doutros.

SÓ SERGIPE – Conte-nos um pouco sobre sua trajetória de estudos sobre o Ulisses, de James Joyce.

LÉO MITTARAQUIS  – Amor antigo, amor sofrido. Com direito ao mútuo mandar às favas: eu ao autor, o autor a mim.

Ulisses foi, é e sempre será um desafio à leitura e, muito mais, à crítica. E sei da minha insuficiência intelectual diante desta obra. Imaginem que até mesmo Carpeaux desistiu de continuar a decifrar a esfinge joyceana. Não por falta de competência. No caso de Carpeaux, foi saco cheio, mesmo.

Penso que, no que me diz respeito, ter lido disciplinadamente o livro, página a página, recorrendo a fontes autorizadas ao encontrar obstáculos, de início, aparentemente intransponíveis, já foi um feito e tanto. Ao concluir a leitura [leitura que se repetiria dali em diante] pela primeira vez, sabia que, a partir daquele instante, passara a fazer parte do segmento que, de fato, lera Ulisses na íntegra.

Não estou a afirmar, com isto, que compreendi muito bem a obra. Mas, creio, não passo vergonha numa conversa sobre Ulisses em torno de algumas garrafas de vinho.

Na minha modesta opinião, vale a pena o esforço.

 

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