terça-feira, 13/07/2021
Santo Agostinho dizia: “Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam porque me corrompem” Imagem: Pixabay

Elogio, crítica e o ego

Valtênio Paes (*)

Difícil o ego resistir a um elogio, principalmente se for público. Deleita-se pelo bem que lhe faz. O que faz alguém elogiar outra pessoa? Difícil também não reagir à crítica. Para Pierre Beaumarchais “sem liberdade de criticar, não existe elogio sincero”. Tanto na crítica como no elogio os desejos, interesses, reconhecimentos, maldades, pedagogias, carinhos, acolhimentos, estímulos, etc.  são artifícios usados.

Muitos usam como estratégia para conseguir objetivos dos mais variados. O vendedor, o político, o paquerador, o interessado materialmente, o criminoso, o amigo, o generoso, etc. Outros, o praticam por mérito, como verdadeiro e justo reconhecimento. Como disse o grego Xenofonte há mais ou menos 400 anos antes de Cristo: “O som mais doce de todos é o elogio”. Por mais que pareça rotina, no século XXI o elogio continua sonoramente doce, mas ampliou suas conotações. Depende daquela pessoa que o pratica. Merece cautela do elogiado avaliando o elogiador. Santo Agostinho dizia: “Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam porque me corrompem”.

O filósofo Tácito

Neste toar, tratando das críticas, Norman Vincent Peale disse: “Nunca reaja emocionalmente às críticas. Analise a si mesmo para determinar se elas são justificadas. Se forem, corrija-se. Caso contrário, continue vivendo normalmente”. De igual modo Tácito complementou: “quem se enfada pelas críticas, reconhece que as tenha merecido”.

Uma maneira de não se deixar levar pelas intenções do autor do elogio é fazer com que a vaidade interior não seja alimentada. Evitemos o progresso da vaidade mantendo o equilíbrio entre o racional e o emocional:  eis um grande desafio para todos nós. Como estratégia é importante fazer o “conhece-te a ti mesmo”.

Neste quinto do século XXI, a instantaneidade das comunicações arrebata a reflexão deixando vulnerável quem não se previne tanto contra o falso elogio, como contra a crítica infundada. Ter a cautela de perceber a pertinência do elogio ou da crítica, não se deixando influenciar pela falsidade, evita-se frustrações e constrangimentos.

Receber elogio é bálsamo ao ego, porém o exagero prejudica o autocontrole. Usar da capacidade de discernimento, perceber a fronteira entre o prazer e a vaidade ajudam no equilíbrio do elogiado. Já a crítica fundamentada enriquece e acautela a maturidade pessoal. Portanto, ao ouvir deve-se usar a sabedoria para melhor proveito e benefício.

(*) Valtênio Paes de Oliveira é professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada -Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.

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