segunda-feira, 23/11/2020
Imagem Pixabay

Como saber se uma ação está cara ou barata na Bolsa?

David de Andrade Rocha (*)

Muitos me perguntam como saber se uma ação está cara ou barata na Bolsa. Como essa pergunta vem aumentando nos últimos tempos, hoje, darei uma explicação sobre como iniciar a avaliação de uma empresa de forma fundamentalista.

Valor patrimonial por ação

O  Valor Patrimonial por Ação (VPA) é um indicador contábil, mas em certa medida prático, já que ele pode oferecer uma visão rápida da situação da empresa.

Para chegar nesse valor é fácil, precisamos apenas dividir o patrimônio líquido da empresa pelo número de ações totais dela, ou seja:

VPA = patrimônio líquido/n° de ações da empresa.

Em um primeiro momento, podemos considerar que esse valor patrimonial por ação indica o quanto do patrimônio líquido da empresa o investidor receberia por ação em um caso de insolvência da empresa. Mas não é bem assim, pois o indicativo mostra o VPA levando em conta o patrimônio líquido dos últimos 12 meses e o preço da ação naquele momento.

Sendo assim, podemos observar que o valor mostra o quanto sobra da empresa depois de seus passivos. Mas, no caso de uma falência, na qual a empresa teria que pagar as obrigações com o governo e funcionários, além dos credores, esse valor seria muito menor. Por exemplo:

Imaginemos que uma empresa A tenha um VPA de R$ 3,00 por ação. No primeiro momento podemos acreditar que, se a empresa falir, cada acionista receberia R$ 3,00 por ação que possuísse. Mas não é bem assim, já que antes do dinheiro chegar ao acionista deveriam ser vendidos os bens da empresa, que primeiro seria usado para os impostos, depois para pagar dívidas com funcionários (salários atrasados, multas de rescisão contratual, etc.)  e só depois o que sobrasse seria dividido pelos acionistas.

Logo o VPA acaba sendo um indicador muito teórico da situação atual da empresa e não deve ter um peso muito grande quando se estiver estudando uma empresa,  mas ele pode servir como nota de corte. O investidor poderia não aceitar investir em alguma que tenha um VPA abaixo de R$ 2,00, por exemplo.

Assim ele evita a dor de cabeça de estar comprando uma ação que tenha uma baixa solvência. Outra coisa que deve ser observada é que o VPA também indica se a empresa está muito endividada, o que também serve como nota de corte.

Logo,  o VPA não deve ser utilizado para escolher uma empresa para investir, mas sim para cortar aquelas onde não se deve investir.

Por fim, a nota de corte deve ser utilizada por todos os investidores, mas ela deve ser escolhida para cada perfil. Por exemplo, um investidor em ações mais conservador poderia utilizar uma nota de corte para investimento em empresas que tenham VPA acima de R$ 4,00. Enquanto que um muito arrojado poderia utilizar essa nota de corte em um VPA acima de R$ 1,00. Logo, o primeiro iria investir apenas em empresas que tivessem o VPA em R$ 4,00 ou mais, e o segundo investiria em uma empresa que mostrasse um VPA em R$ 1,00 ou mais.

Logicamente, quanto maior o VPA mais segura será a empresa. Espera-se, ao menos, que seja assim. Outra coisa que se deve olhar é o número de ações da empresa, já que algumas podem demonstrar um VPA grande só porque têm poucas ações no mercado.

Alguns investidores também gostam de usar o P/VPA, que é uma média de quantas vezes a empresa está sendo negociada acima de seu VPA. Por exemplo, uma empresa que esteja sendo negociada a R$ 15,00 enquanto ela tem um VPA de R$ 3,00 estaria sendo negociada 5 vezes acima de seu VPA. Esse indicador P/VPA serviria apenas para confundir mais a análise da empresa, pois o P/L já faz uma clara indicação disso e é mais confiável.

Logo, a melhor opção para um indicador tão teórico quanto o VPA não é criar diversos parâmetros, mas sim criar com ele uma nota de corte de algumas empresas que o cidadão quer investir, cortando assim aquelas que estejam abaixo dessa nota de corte.

(*) David Rocha escreve semanalmente, às terças-feiras. Ele é assessor de investimentos e educador financeiro, que vive o mercado diariamente, desde 2011, e autor do livro Tesouro Direto – Um Caminho para a liberdade financeira de 2016.

** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.

 

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