quarta-feira, 28/10/2020

Mercado animado com os planos da Reforma Tributária

David de Andrade Rocha (*)

Durante o Expert 2020 da XP, o ministro da Economia Paulo Guedes deixou claro planos de fazer uma Reforma Tributária para aliviar as contas do governo, enquanto eles tentam manter a viabilidade das finanças do Brasil nesse período.

Isso animou muito o mercado que fez com que o Ibovespa fechasse na sexta feira, 17, com uma alta considerável. Mas é interessante que mesmo o ministro deixando claro sua intenção em taxar dividendos, o que englobaria uma taxação nos aluguéis dos fundos imobiliários, o mercado viu coisas positivas.

Já que estamos em um cenário de juros baixos e dólar deveras alto, o fato de desonerar a folha de pagamento das empresas e reduzir os impostos que elas pagam, pode gerar um crescimento de maneira efetiva na atividade econômica do país.

Mas, e o investidor que criou sua carteira contando com dividendos e outros proventos advindo de seus investimentos, como fica? Bom, num primeiro momento o baque de uma taxação de digamos 15% nesses rendimentos será sentido de forma dura,  já que para muitos que contam com essa renda extra ela irá diminuir.

Mas em um segundo momento, caso as mudanças tributária realmente ocorram e as empresas comecem a ter maior lucro e passem a reaplicar esses dividendos, que antes seriam distribuídos para os acionistas, em seu próprio negócio o crescimento de capital e dos dividendos ao longo do tempo seria exponencial. O que em última análise beneficiaria o investidor de longo prazo alocado em uma ação de valor.

Mas esse cenário só seria visto realmente se ao acrescentar essa tributação nova, uma reforma fosse feita de maneira correta para reduzir os impostos que hoje são arcaicos e impedem o investimento privado em nosso país.

Se essa reforma acontecer, será  bom. E o mercado acredita que ela aconteça, por isso ficou animado com essa perspectiva. Mas se não ocorrer, podemos nos ver em uma situação tenebrosa, no que se refere a opções de investimentos deveras lucrativas, já que o imposto estrangularia os dividendos e não daria ao mesmo tempo chance das empresas crescerem.

Torçamos para que se algo nesse sentido acontecer, possa ser na melhor opção, na qual temos uma redução da média de impostos das pessoas jurídicas, que hoje é na faixa de 34% para um novo padrão a 20%, se isso ocorre o crescimento das empresas mais do que supera a cobrança dos dividendos e, o melhor, atrai novas empresas para investir, gerando assim emprego e renda em uma época em que realmente é importante essas oportunidades.

Reflitamos….

Um abraço e bons investimentos.

Até a próxima.

(*) David Rocha escreve semanalmente, às terças-feiras. Ele é assessor de investimentos e educador financeiro, que vive o mercado diariamente, desde 2011, e autor do livro Tesouro Direto – Um Caminho para a liberdade financeira de 2016.

** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.

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