quarta-feira, 10/08/2022
Casal
A incompatibilidade de gênios Imagem: Blog Gilberto Godoy

Infelicidade a dois

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Luiz Thadeu (*)

Viver a dois é difícil, complicado; combinar as heranças que trazemos no DNA, na memória, nos hábitos, de coisas vividas e vivenciadas por anos, e compartilhar com o outro não é das tarefas mais fáceis.

Colocar dois seres humanos tão diferentes sob o mesmo teto e exigir que vivam felizes para sempre é quase uma utopia. Na maioria dos casos não dá certo, muita vezes vai se esticando a vida, sem encontrar o que realmente vale a pena – a felicidade.

Convivi com um casal de tios-avós, quando garoto. O casal vivia como gato e rato, nunca concordava em nada, era pauleira o tempo todo. Teimosia sem fim. O engraçado é que eram pessoas ótimas quando separadas. Não tiveram filhos, nunca se largaram. Ela o enterrou, como faz a maioria das mulheres. Viúva, passou anos falando nele com amor e saudade.

Viver a dois é construção contínua e permanente dos dois. O primeiro passo é querer viver juntos, em seguida ter propósitos, planos, metas, e principalmente sorrir juntos. Achar graça nas coisas simples da vida. O casal que não sorrir das histórias/estórias engraçadas do outro está fadado a não se entender.

Anos atrás vi uma matéria na TV sobre relacionamentos, em que os casais falavam de vida em comum, como conviver juntos. Chamou atenção o motivo que levou a separação de um entrevistado. O ex-marido disse que se separou da mulher, pois havia espirrado cinco vezes perto dela, e ela não lhe desejou saúde uma única vez. “Se ela não me desejou saúde é porque ela não gosta mais de mim”, disse ele.

Com o passar do tempo, para alguns casais, as semelhanças aumentam o grau de admiração: querer a companhia do outro, realizar sonhos, crescer junto. Mesmo com a idade avançada, quando a pele perde o viço, os cabelos ficam brancos, a barriga cresce, se torna um poço de gases, se houver brilho nos olhos, é prazeroso estar juntos. Já para alguns casais, as diferenças aumentam; a presença física do antigo amado se torna um fardo. Tudo é motivo de discórdias e irritação. O simples fato de emitir uma opinião sobre qualquer assunto, vira a terceira guerra mundial.

Não há idade para terminar um relacionamento desgastado. Um casal próximo se separou após os 70 anos, com 50 anos de convivência. Cada um foi morar com um filho, nunca mais um perguntou pelo outro. Era um tormento as festas de aniversário dos filhos e netos, e comemorações natalinas. Quando um estava, o outro não chegava nem perto. Ambos partiram sem querer saber notícias do outro. O amor e o ódio são faces da mesma moeda.

Quando um descobre que há vida fora do relacionamento – seja casamento, concubinato ou relação de amizade –  e quando se torna tóxica a relação, é hora de bater asas, cantar em outra freguesia. “Ou soma ou some”, como dizem os jovens mais destemidos em fazerem a fila andar. Para que viver ao lado de quem não soma, não agrega, não ajuda? Chegou a hora de voar, não prolongar desgaste, perder tempo com o que não tem jeito.

Um querido amigo me contou, em encontro recente, que após longos anos casado com a garota que amava, conquista da juventude, o trem da vida descarrilou. Perderam a magia e o encanto de estarem juntos. Viraram estranhos.

Relutante em sair do relacionamento, vai levando, mas não está feliz com a situação, tem muito a somar com alguém que lhe acrescente vida. Segue firme em busca da felicidade, aberto a um novo amor.

Meu amigo sabe que outro mundo é possível, pois sabe que “vida é a arte do encontro, embora haja muito desencontro pela vida…”

Há sempre uma mulher à sua espera com os olhos cheios de carinho. “É melhor ser alegre do que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe…”

Cuidado, companheiro, a vida é pra valer.

Não se engane não…

A vida não é brincadeira, amigo

“A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”,  diz os versos de “Samba da bênção”, de Vinicius de Morais e Badew Powell.

 

__________

(*) Luiz Thadeu Nunes e Silva é engenheiro agrônomo, palestrante, cronista e viajante: o sul-americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 143 países em todos os continentes e autor do  livro “Das muletas fiz asas”.

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