quinta-feira, 22/10/2020
Dary Rigueira, gerente geral do NB Hotel: "Tivemos que nos reinventar"

“O NB Hotel é uma marca que já tem uma repercussão muito satisfatória no mercado”, garante Dary Rigueira, gerente geral do empreendimento

Fachada do NB Hotel, no bairro Jardins

A retomada gradual da economia em Sergipe, iniciada no dia 31 de julho, através de um decreto estadual, deu ânimo aos diversos segmentos empresariais, dentre eles a rede hoteleira, de modo particular ao NB Hotel, que neste mês completa três anos em operação. Nestes tempos pandêmicos, para atravessar essa crise, o empreendimento do empresário Noel Barbosa teve de se reinventar. E essa tarefa coube ao gerente geral do NB, Dary Rigueira, um dos três sócios da 4H Hotelaria & Consultoria Empresarial, que adaptou alguns dos apartamentos, transformando-os numa espécie de home-office para reuniões com até quatro pessoas, além de oferecer hospedagem de até oito horas para clientes em viagem rápida de negócios ou para uma consulta médica. Nesta entrevista, além de Dary, participam os outros dois sócios da 4H, Aldo Campos e Flávio Soares, que contam a correria insana para cumprir os prazos e colocar o NB em funcionamento.  Localizado no bairro Jardins, o NB Hotel foi inaugurado no dia 19 de julho de 2017, justamente na data de aniversário de Noel Barbosa e o primeiro hóspede entrou no dia 1º de agosto;  o empreendimento oferece 186 apartamentos, restaurante com 92 lugares e sala de reunião para até 250 pessoas e uma das melhores avaliações de satisfação do cliente na mídia especializada. O hotel é fruto da parceria entre a NB Empreendimentos e a Emoções Incorporações, do cantor Roberto Carlos. Na sexta-feira, Dary, Aldo e Flávio receberam o Só Sergipe para a seguinte  entrevista:

SÓ SERGIPE – O NB Hotel, administrado pela 4H, está completando três anos. Como é fazer aniversário neste momento de pandemia, com sérios problemas econômicos?

DARY  RIGUEIRA – Nós fazemos a gestão do NB Hotel e outros empreendimentos. Na verdade, estes três anos são um somatório de emoções. Um foi a grata surpresa do sucesso que o NB vem tendo, até antes da pandemia, com o mercado normal. E agora, a própria pandemia que nos direciona para novos caminhos, experiências diferentes e para viver coisas diferentes, enfrentar o novo normal. Cada dia é tomado de emoção, de incertezas e temos que matar um leão a cada dia. Nós sugerimos ao investidor, senhor Noel Barbosa, de permanecer com o hotel objetivando essa fidelização com os clientes, principalmente àqueles que precisariam estar em Aracaju para desenvolver suas atividades e encontrar um ponto de apoio. E nos adaptamos para isso, os proprietários aceitaram, embora mensalmente nós tenhamos trabalhado com déficit de operação, porque as ocupações, na gestão de custos, ela seja num índice relativamente baixo. Nós precisamos de 22% de ocupação e estamos operando com 15%, e você a cada dia tem uma novidade. Aqui em Aracaju, o comércio já abriu e fechou algumas vezes e enquanto não abrir totalmente, a gente vai ficar nessa situação.  Diariamente você está aprendendo com a atividade e tem que se transformar para atender às necessidades dos seus clientes, seja na segurança sanitária deles e dos colaboradores.  E hotelaria é um produto extremamente complexo, porque ao entrar num apartamento você não sabe quem esteve ali antes. Estamos adotando procedimentos de quarentena de apartamentos que ficam desocupados. Eles ficam fechados por 24 horas e 24 horas depois nós fazemos a higienização e com 48, volta a ser ocupado.  Mas isso vai perdurar até quando? Estamos procurando alternativas e assim que a demanda aumentar, temos que estar prontos com a mesma segurança.

SS – Nesse período de pandemia, o hotel oferece umas novidades, como aluguel de espaços para lives, não é?

DR –Nessa situação, fomos obrigados a criar demandas e o entorno do hotel é muito rico. Temos centros empresariais, os principais hospitais, e a locomoção entre municípios não está sendo feita por transportes públicos, somente por carros particulares. E nós pensamos em separar alguns apartamentos para essas pessoas que vêm tratar de um negócio e quer descansar por um período, tomar um banho e depois voltar à sua cidade. Nós criamos um produto e separamos esses apartamentos que alugamos das 8 às 20 horas, com permanência de até oito horas.  Por outro lado, com os escritórios trabalhando em home office, veio a ideia de se fazer um home aqui também, disponibilizando alguns apartamentos com configuração de sala para até quatro pessoas, com toda segurança e atendimento com café, água, banheiro privativo, internet de alta velocidade. Está tendo alguma aceitação e isso vai evoluir. Acredito que o mercado fomente isso e essa é a nossa esperança.

SS- Na sexta-feira, 31 de julho, o comércio começou a abrir gradualmente.  Qual a sua expectativa com essa retomada das atividades? Como o senhor vislumbra a volta ao normal, com os clientes hospedando-se no hotel?

DR – Acima de tudo, acho que o brasileiro é otimista, embora saibamos que retomar aos patamares anteriores à pandemia é um negócio que teremos de remar mais um ano ou um ano e meio. Eu vejo, também, um filão no mercado de Aracaju, no mercado corporativo. Nós temos aí a própria termelétrica na Barra dos Coqueiros, que sugere demanda, as empresas que estavam com vários projetos em andamento e estava tudo travado e como Aracaju tem um turismo maravilhoso, às vezes pouco explorado. Por outro lado, o corporativo é forte. Tenho exemplos de várias indústrias, como no ramo de cerâmicas, que o desempenho em Sergipe tem sido maior que lá em Santa Catarina, onde fica a sede, para surpresa deles também, com a maior produção aqui no Nordeste.  A vida vai ter que continuar, obviamente, com as adaptações que essa pandemia está impondo, mas   vida que segue. Todo mundo vai sair mais fortalecido disso para viver o novo normal.

SS – O NB foi um desafio para o empresário Noel Barbosa, pois hotelaria não era atividade principal dele, mas sim supermercados.

DR – Sim, hoje ele é detentor de marca hoteleira que já tem uma repercussão muito satisfatória no mercado, avaliada pelo melhor termômetro que é o cliente. Se for pesquisar o índice de satisfação com o NB, nas mídias especializadas em turismo,  temos  a segunda melhor avaliação de toda a cidade. A média obtida foi a segunda melhor do mercado e por várias vezes se manteve em segundo e num mês ou outro esteve em primeiro lugar. Isso nos orgulha, nos anima a continuar esse trabalho e poder emprestar nossa expertise aos empresários que acreditam nesse ramo de hotelaria.

SS – O NB está num local privilegiado, perto de tudo, ao lado do Shopping Jardins, que também é de Noel Barbosa, junto com João Carlos Paes Mendonça, do Grupo PCPM.

DR – A localização é maravilhosa. O entorno do Jardins é muito rico, principalmente para o turista. Você está próximo à saída da cidade e próximo às praias. Chamo isso aqui de coração turístico de Sergipe. Para o corporativo, os grandes centros empresariais estão aqui. Para quem vem a turismo, temos configurações de apartamentos com duas camas de casal e abriga um casal com dois filhos. Temos um café da manhã maravilhoso, pena que estamos na pandemia. Nosso café tem avaliação extremamente positiva e isso faz com que, cada vez mais, estejamos empenhados em criar surpresas agradáveis para quem nos visite. Estar, também, perto do Shopping é um atrativo, com diversas lojas, parques infantis, boa culinária. E o viajante se integra ao cotidiano da cidade.

Aldo Campos: “uma correria insana”

SS-  E qual foi o tempo de implantação deste hotel?

ALDO CAMPOS – Nós assinamos o contrato com este hotel em maio de 2017 e teria que ser inaugurado em 19 de julho de 2017. Tivemos dois meses para implantar o hotel, foi uma correria insana, mas conseguimos. O  nosso primeiro cliente se hospedou no dia 1º de agosto.  Entendemos que hotel não é só produto. É, principalmente, atendimento. E essa preocupação de servir bem é que nos faz ter avaliação altamente positiva.

SS – Eu gostaria que os senhores falassem sobre a 4H, que administra este hotel.

DR – A 4H é uma junção de quatro profissionais de hotelaria, quatro amigos que se juntaram e resolveram fazer aquilo que sempre fizeram para vários grupos empresariais. E eu pediria até que o Aldo falasse um pouco sobre o assunto.

AC –  Trabalhamos juntos em várias empresas, como o Dar explicou, e sempre com sucesso. E um dia, deu um estalo. Esse sócio nosso, que faleceu – José Jorge Garcia – era diretor comercial do projeto Sauípe, e ele saiu. Num encontro com ele, falei: ‘Que tal abrirmos uma empresa para que nós fizéssemos gestão de hotéis? ’. Ele topou. Eu falei com o Dary e o Flávio Soares, e decidimos abrir essa empresa em março de 2016. Logo em seguida,  o Ondina Apart Hotel teve um problema com o restaurante , porque o administrador foi colocado para fora e ficaram sem café da manhã.  Nós, de um dia para outro, tivemos de providenciar esse café e Flávio teve um trabalho árduo. E aí começou.  A partir dali, ficamos com a gestão do Ondina Apart e começou a nossa história. Depois veio o Arembepe e o proprietário não entendia de hotelaria, tinha um passivo grande e fizemos um contrato administrativo e todo passivo ele passou a dizer que era responsabilidade nossa. Fizemos o contrato num dia e dois dias depois, cancelamos. Depois, fizemos a implantação do NB e pegamos a gestão também. Em seguida o Connect Smart Hotel, em Salvador, com 120 apartamentos, ao lado do Shopping da Bahia (antigo Iguatemi), e pegamos com resultado aproximado de R$ 262 mil/ano. No primeiro ano de gestão passamos para R$ 536 mil/ano, no terceiro ano mais de R$ 600 mil, praticamente triplicamos o resultado operacional desse hotel. Agora, estamos fazendo uma consultoria no Hotel Parque das Palmeiras, em Lagarto, do empresário Geraldo Magela, e segunda fase seria de implantação. Com essa pandemia, a obra parou e estamos aguardando. Sim, com o restaurante, lá em Ondina, nós ficamos e não era a nossa praia.

SS – Vocês administram quantos hotéis?

AC –O NB, Connect, o de consultoria ao Vidan (antigo Radson), o de Lagarto, o restaurante e um em prospecção em Morro do São Paulo.

Flávio Soares: “o hoteleiro sempre tem uma dormida incompleta”

SÓ SERGIPE –  como foi o corre-corre para a preparação do café, citada por Aldo?

FLÁVIO SOARES – Nós recebemos o ok para o café às 17h30, saí às 19 para o supermercado e abrimos às cinco horas da manhã para atender os clientes, com panelas, frigideiras e conchas da casa da gente. O pão, compramos na padaria; margarina e manteiga, no supermercado;  quando deu seis horas da manhã estava tudo pronto.

SS – O que o senhor tira de uma experiência como essa e o que traz para sua vida profissional?

FS –  Experiência como essa tivemos várias. Hotelaria é sempre uma caixa de surpresas. Um avião vem com 200 passageiros e alguém liga dizendo que quer jantar para 200 pessoas e você tem uma hora para preparar tudo. Dá tempo fazer? A gente para pegar os clientes, hospedagem, abre as câmaras, descongela o filé na hora e quando o cliente chega já está pronto. No Réveillon para mil pessoas, chegam 1,5 mil. Temos várias passagens que se formos contar dá um livro.

SS – Tem que estar sempre preparado para os imprevistos?

FS – O hoteleiro sempre tem uma dormida incompleta. Está sempre pensando no que vai acontecer na madrugada. Se o hotel está normal, se chegou mais hóspede, se estourou alguma coisa, se o rapaz do café chegou às seis horas, se o cozinheiro chegou ou não; porque se não chegar, vamos fazer. Trabalhamos sempre dependendo de terceiros: atraso no transporte coletivo, funcionário que teve problema em casa, o carro que quebrou. Estamos sempre de sobreaviso. Por isso o hotel tem um gerente para ficar de sobreaviso.

 

 

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