sábado, 16/10/2021
Laís na Biblioteca do Parlamento Húngaro: Országgyűlési Könyvtár

Laís Santana: “Nunca deixe de acreditar no seu próprio potencial, nos seus sonhos e nos seus planos”

Formada em Direito pela Universidade Tiradentes,  a sergipana Laís Souza de Carvalho Santana, 24 anos, começou, há três semanas, cursar o Mestrado em Relações Internacionais na Budapest Business School Faculty of International Management and Business, na Hungria. Apesar do pouco tempo,  Laís Santana diz que tem sido uma experiência incrível, por vários motivos.

No lado acadêmico, os professores, segundo ela, mesclam teoria e prática, pois muitos já atuam. Na esfera pessoal, mesmo sentindo falta dos pais Paulo Santana e Iane Vieira Souza Santana, ela diz que agora “é 100% independente, 100% adulta, numa experiência nova em que posso colocar em prática os aprendizados que meus pais me passaram durante todos esses anos”.

Embora ainda não saiba qual a tese de Mestrado que defenderá, Laís Santana já tem certeza de uma coisa: tão logo conclua o Mestrado, fará o PHD, mas não sabe se na Hungria ou em outro país, e irá atuar profissionalmente em empresas multinacionais. E dá uma dica aos jovens para nao desistirem dos planos. “Nunca deixe de acreditar no seu próprio potencial, nos seus sonhos e nos seus planos, e nunca desista dos seus projetos. Adaptar a rota é essencial, mas sempre devemos seguir em frente.”

Laís nunca perdeu o foco

Essa não é a primeira vez que Laís Santana mora na Hungria. Aos 16 anos, através do Rotary Internacional, ela fez um intercâmbio e morou um ano na cidade húngara de Miskolc, onde aprendeu o idioma, que não é nada fácil. Depois foi para Portugal e durante seis meses estudou na Universidade Nova Lisboa, com o foco de fazer Mestrado na Hungria.

Laís fala fluentemente húngaro, mas isso não significa que o idioma é fácil. Recentemente, o papa Francisco esteve em Budapeste e brincou com a dificuldade do idioma. A jovem sergipana segue estudando e está tão adaptada à língua que colocou um provérbio húngaro no seu WhatsApp que diz o seguinte: “Ki hisz, boldog vagy, ki kétségek, bölcs vagy”. Traduzindo: “quem acredita é feliz, quem duvida é sábio”.

Conheça um pouco da experiência de Laís e se contagie com a sua determinação.

SÓ SERGIPE – Como nasceu a ideia de fazer mestrado na Hungria? Era um desejo seu ir para este país ou foi uma questão de oportunidade?

LAÍS SANTANA –  Esse meu projeto de querer morar fora do país, de querer fazer um Mestrado, sempre existiu. Desde muito nova, quando tinha 10 anos de idade, falei com meus pais que queria morar na Europa. E desde essa época comecei a me preparar, dedicando-me ao estudo do inglês. Posteriormente, aos 16 anos, fiz intercâmbio pelo Rotary Internacional, vim para a Hungria, morei em Miskolc durante um ano. Depois disso, desenvolvi uma paixão muito grande pelo país, gostei das oportunidades. Aprendi o idioma, fiz amigos, tive uma grande oportunidade de estudo, mas retornei ao Brasil. Terminei o ensino médio, me formei em Direito na Unit e durante minha formatura, me dediquei para voltar à Europa. Fiz um intercâmbio de seis meses em Portugal, estudando na Universidade Nova Lisboa, e era mais um passo para ajudar a chegar no meu destino que é o Mestrado. E aí, eu me dediquei nesse intercâmbio, tive oportunidade de estudar disciplinas que não há na grade da Unit e foi assim que comecei a planejar melhor que área queria cursar no Mestrado. Terminei o curso de Direito e em janeiro deste ano, me inscrevi para faculdade da Hungria e para Bolsa, que se chama Stipendium Hungaricum, e vim para cá estudar. Serão dois anos de curso, em inglês, na Budapest Business School Faculty of International Management and Business, estudando Relações Internacionais.

SÓ SERGIPE –   Embora as aulas estejam no começo,  o curso está dentro da sua expectativa?

LAÍS SANTANA – Acabei de finalizar minha terceira semana de aula, que superaram as minhas expectativas. Eu imaginava que seriam aulas intensas, que iriam exigir muito de mim, que eu teria que estar 100% focada, mas estava pronta para superar novos desafios. Os professores são incríveis, extremamente experientes e atuantes nas áreas do curso, cada um dentro das suas especialidades. Eles conseguem passar para nós a parte teórica que precisamos, mas eles também conseguem deixar claro para nós as possibilidades que teremos como profissionais. Eles passam a experiência deles de como atuar, o que é algo muito bom e me deixou entusiasmada. Os mestrados focam muito na parte teórica, e o nosso não é diferente, mas os professores são muito abertos a atividades práticas e sempre incluindo os alunos nisso. Dentro do ambiente que é a Hungria, na comunidade europeia, tem muitos tratados e conseguimos  entender muito bem como a teoria pode ser aplicada na prática.

SÓ SERGIPE  – Você já tem ideia qual será sua tese de Mestrado?

LAÍS SANTANA – Eu ainda não decidi qual será minha tese de Mestrado. Atualmente estou bem focada nas teses que tenho que escrever para este semestre (risos), em várias áreas diferentes. Este primeiro semestre é mais misto, estamos vendo as principais áreas de relações internacionais, como economia, política, diplomacia e a área de background histórico de relações internacionais. São quatro grandes áreas e todas elas me interessam muito. Essa é a hora de entender um pouco mais dessas áreas e tentar ver o que vou seguir mais para a frente. Também, de repente, experimentar novas áreas. Enfim, não pensei exatamente sobre o tema de minha tese. Isso ficará para o próximo ano.

SÓ SERGIPE – Bom, você está no comecinho do curso. Mas no futuro, o doutorado está nos seus planos?

LAÍS SANTANA – Durante  o meu Mestrado planejo seguir minha carreira profissional em Relações Internacionais  aqui mesmo na Hungria, e logo após o Mestrado fazer o curso de PHD. Veremos se será aqui na Hungria ou em outro país.

SÓ SERGIPE – Você demonstrou algo, logo no início da conversa, que tem foco. Como tem sido o apoio de seus pais?

LAÍS SANTANA – Em relação à minha família, desde muito pequena eu ouvia eles falarem que estavam me criando para o mundo e não para dentro de casa. Sempre cresci num ambiente muito encorajador, meus pais me deixaram muito atenta. Começou nos estudos dentro de casa. Minha mãe, como bibliotecária, sempre me incentivou a fazer pesquisa, conhecer o novo, a buscar novas formas de conhecimento. Sempre tive esse apoio dos meus pais, cada um com sua peculiaridade. Quando falei a primeira vez que queria morar fora, logo após à nossa primeira viagem internacional, meus pais, lembro-me, acreditaram e disseram que eu só precisava me esforçar. O mais importante dessa caminhada foi acreditar em mim, mas ter meus pais comigo acreditando foi muito bom. Na vida do estudante, quando nos dedicamos a  alguma coisa, como seres humanos, às vezes, não acreditamos em algo, e nessas horas tive um pai e uma mãe que chegaram junto e acreditaram muito. Nos momentos em que eu não fui tão forte assim, eles me deram força e continuam dando. Estar aqui é uma vitória pessoal e da minha família, um sonho nosso há muitos anos.

“Não tenho que ter medo de nada, porque meus pais me prepararam muito bem para isso, desde pequena”, diz Laís

SÓ SERGIPE – Embora você já tenha feito intercâmbio, como tem sido agora morar sozinha, ser dona do próprio destino em um outro país?

LAÍS SANTANA – É muito difícil sair de casa, deixar pai e mãe, principalmente, quando não são poucos os quilômetros, poucas horas de viagem que nos separam. Agora estamos separados por um oceano. Graças a Deus, temos tecnologia que dá para aproximar um pouco mais, mesmo assim é difícil. Faz falta chegar em casa e ter meu pai, minha mãe, contar o meu dia a dia para eles, ter o abraço, o beijo, tudo isso faz muita falta. Por ouro lado, é muito bom, é uma experiência incrível estar morando sozinha, está resolvendo as coisas por mim mesma. Agora sou 100% independente, 100% adulta, é uma experiência nova em que posso colocar em prática os aprendizados que meus pais me passaram durante todos esses anos. Não tenho que ter medo de nada, porque meus pais me prepararam muito bem para isso desde pequena.

SÓ SERGIPE – Você já teve alguns contratempos, perrengues, na Hungria?

LAÍS SANTANA – Não tive muitos. Eu já falo o idioma húngaro, o que facilita bastante. Eu consigo resolver as coisas com mais facilidade, eu chego nos departamentos  para pedir algum documento e falo em húngaro. Só tive aquelas questões de adaptação. Já me perdi, peguei um ônibus errado, parei num ponto diferente. Mas é uma oportunidade boa para conhecer outras áreas da cidade.  É uma viagem dessa, quando você se perde, que acaba encontrando algo legal, mas graças a Deus nada muito sério (risos). Está sendo ótimo, tem sido uma experiência incrível e estou amando o máximo possível.

SÓ SERGIPE  – Nessa temporada na Hungria,  você já vislumbra um emprego, num escritório de advocacia ou em algum órgão do governo húngaro.

LAÍS SANTANA – Eu fiz Direito na Unit, mas não planejo seguir a área de advocacia. A minha área será das Relações Internacionais entre Estado  e empresas. Então eu planejo, preferencialmente, conseguir um emprego  em multinacionais, na área de comércio exterior. Ao mesmo tempo do meu mestrado aqui, faço, no Brasil, na PUC-Minas, uma MBA  em Comércio Exterior e Negociações Internacionais, justamente porque é a área que quero atuar. Como pretendo conseguir emprego em multinacional, a Hungria é um lugar muito estratégico para isso, porque  é central na Europa, possui várias empresas que investem no mercado húngaro  e várias multinacionais com escritórios aqui. Minha ideia é conseguir emprego nessa área, mas não atuando como advogada.

SÓ SERGIPE –  Foi difícil aprender a língua húngara, que você já fala fluentemente? Domina outro idioma?

LAÍS SANTANA – Eu sou fluente no idioma húngaro. Tinha oito anos que morava aqui e o húngaro estava um pouco enferrujado, mas sempre mantive  contato com os amigos que fiz aqui. Com a bolsa de estudos, estou tendo oportunidade de continuar meus estudos no húngaro para aprimorar  mais ainda. Atualmente falo português, meu idioma, inglês e húngaro, mas estou engajada em conseguir avançar nos estudos do francês. Já tenho uma boa compreensão do idioma francês, entendendo bastante, mas não falo. Tenho conhecimento básico, mas pretendo continuar estudando para ter fluência no idioma.

SÓ SERGIPE – Mas o idioma húngaro é difícil?

LAÍS SANTANA – O húngaro é extremamente difícil. O Papa Francisco esteve aqui, até fui assistir à missa dele, e a primeira coisa que ele falou quando chegou no aeroporto foi uma piada, com todo humor possível dele, ele perguntou ao ministro das relações internacionais: ‘Por que o húngaro é a língua falada no céu? A resposta é: porque você leva uma eternidade para aprender húngaro’. O Papa representou todo mundo que estuda húngaro, pois é um idioma muito difícil. Eu aprendi quando morei aqui na primeira vez, graças, principalmente, às minhas famílias que se dedicaram muito, com muita paciência me ensinaram dentro de casa. Mas, também, na minha convivência na escola, com os amigos, no dia a dia, consegui aprender falando, mais do que nos livros. Aprendi dentro de casa e com muita habilidade e paciência deles. Temos que continuar estudando. Atualmente, sou fluente no idioma e consigo me desenvolver bem.

SÓ SERGIPE – Que conselho você dá aos jovens, a seus amigos e colegas de universidade já que você sempre teve foco e vem atingindo seus objetivos?

LAÍS SANTANA – Uma dica que dou aos jovens é que nunca deixe de acreditar no seu próprio potencial nos seus sonhos e nos seus planos, e nunca desista dos seus projetos. Adaptar a rota é essencial, mas sempre devemos seguir em frente.

 

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