O presidente do Sindicato dos Provedores de Internet de Sergipe (SindiproSE), Pedro Araújo Neto, afirma que diversas cidades sergipanas poderão enfrentar problemas de conectividade e até interrupções nos serviços de internet caso seja mantida uma nova exigência da Energisa para identificação dos cabos de fibra óptica instalados nos postes. Segundo ele, as empresas do setor terão que investir cerca de R$ 10 milhões para se adequar às novas regras, custo que pode comprometer a operação de pequenos provedores e provocar impactos no acesso à internet em todo o estado.
O alerta foi feito pelo dirigente sindical em vídeo divulgado nas redes sociais do SindiproSE na última quarta-feira, 3. Na publicação, a entidade afirma que a norma foi aplicada sem consenso com os provedores e que o impacto financeiro poderá atingir diretamente a internet residencial, empresarial e os serviços de telefonia móvel.
A preocupação motivou uma reunião entre representantes do sindicato, da Energisa e do Ministério Público de Sergipe (MPSE), realizada no último dia 1º de junho. Durante o encontro, o SindiproSE solicitou a suspensão da nova norma, mas não houve acordo.

De acordo com Pedro Neto, a mudança exige que as placas de identificação dos cabos de fibra óptica passem a conter informações adicionais, incluindo o número do projeto aprovado pela concessionária. Segundo ele, a alteração aumenta significativamente os custos para os provedores.
“O problema não é apenas o prazo. Mesmo que fossem concedidos dez anos, o custo continuaria existindo. Estamos falando de um investimento estimado em R$ 10 milhões entre material e mão de obra”, afirmou.
O presidente do sindicato argumenta que a fabricação das novas placas é mais complexa e onerosa. Segundo ele, os fabricantes exigem produção mínima de grandes quantidades, o que gera desperdício para projetos menores. Além disso, os provedores terão que mobilizar equipes técnicas exclusivamente para a substituição das identificações em toda a rede instalada.
Outro ponto de preocupação é o prazo estabelecido pela Energisa. As empresas têm até o dia 30 de junho para concluir a adequação das redes.
“O prazo é humanamente impossível de ser cumprido. Estamos falando de milhares de postes espalhados por Sergipe. Há fabricantes que sequer conseguem produzir o material na quantidade exigida dentro desse período”, disse.
Segundo o SindiproSE, Sergipe possui aproximadamente 800 mil postes. Apenas os custos com as novas placas ultrapassariam R$ 5 milhões. Somados os gastos com mão de obra, logística e deslocamento de equipes, o investimento necessário chegaria próximo dos R$ 10 milhões.
Pedro Neto afirma ainda que a Energisa já estaria realizando cortes em redes consideradas irregulares. Para ele, caso a fiscalização seja ampliada sem que haja adequação por parte das empresas, poderão ocorrer interrupções em serviços essenciais.
“Hoje praticamente tudo depende da internet. Se um cabo for cortado, bairros inteiros podem ficar sem conexão. Isso afeta comércio, serviços públicos, empresas e até o funcionamento das redes móveis”, alertou. O dirigente ressalta que os provedores regionais são responsáveis pela maior parte da conectividade no estado, especialmente em áreas rurais e localidades mais afastadas dos grandes centros.
“São os provedores que levam internet para povoados, áreas rurais e regiões onde muitas vezes nem existe cobertura adequada de telefonia móvel. Quando a internet chega, o comércio se desenvolve, os serviços melhoram e a população ganha acesso a novas oportunidades”, afirmou. O sindicato estima que o setor reúna cerca de 220 provedores em Sergipe, responsáveis por aproximadamente 5,4 mil empregos diretos.
Posicionamento da Energisa
Em nota, a Energisa Sergipe contestou a informação de que haverá uma desconexão em massa dos serviços de internet no estado em decorrência das ações de fiscalização e regularização da infraestrutura compartilhada nos postes da distribuidora.
Segundo a concessionária, as medidas adotadas têm como objetivo garantir a segurança da população, preservar a integridade da rede elétrica e assegurar o cumprimento das normas que regulam o compartilhamento de postes por empresas de telecomunicações.
A empresa informou ainda que, desde julho de 2025, as empresas ocupantes foram notificadas sobre os procedimentos de adequação e identificação de suas redes. De acordo com a Energisa, a medida é necessária para permitir a rastreabilidade das instalações, combater ocupações clandestinas e irregulares e facilitar a fiscalização da infraestrutura compartilhada.
A concessionária sustenta que a identificação adequada dos cabos é uma exigência importante para a gestão da ocupação dos postes e para a segurança operacional do sistema elétrico.
Próximos passos
Sem acordo nas negociações, o SindiproSE informou que pretende ingressar na Justiça com um pedido de liminar para suspender a exigência até que haja uma solução negociada entre as partes.
Enquanto aguarda uma decisão judicial, a entidade segue defendendo a revisão da norma e alertando para os impactos econômicos e operacionais que a medida pode provocar no setor de telecomunicações em Sergipe.
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