sábado, 16/05/2026
O amor não tem idade
O amor não tem idade Imagem: IA

Encontro em um domingo chuvoso

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Por Luiz Thadeu Nunes (*)

 

Há um equívoco persistente — e profundamente limitador — na forma como a maioria das pessoas enxerga os mais velhos, especialmente quando se trata de sexualidade. Em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, a sexualidade está associada à juventude. Como se somente os jovens pudessem aproveitar os prazeres da carne. Ledo engano. Se isso existiu, faz tempo que mudou.

Se antes a vovó fazia crochê e o vovô vivia de ceroulas no sofá; hoje não mais. Vovô e vovó estão na academia, na praia, em bares… na pista.

Hoje, em qualquer faixa etária, mulheres e homens procuram se manter firmes, fortes, ativos, saudáveis e atraentes e, com seus corpos, buscar prazer. Não mais o prazer da luxúria, mas do bem-estar, da sedução, do aconchego, do afeto.

Bem-aventurados os que fizeram da passagem do tempo um aliado, adquirindo sabedoria, confiança, conhecimento, para usufruir, como cantou Rita Lee, a eterna roqueira: “Eu quero mais é saúde para gozar no final”. Mesmo corpos gastos pela passagem inexorável do tempo, sabem usufruir das boas coisas da vida.

Domingo, tempo nublado, intercalado por sol tímido e orvalhos esparsos, eles se encontraram. No outono da vida, classificados segundo o IBGE, como idosos: “todos mamíferos e bíceps, que ultrapassaram 60 anos”. Sem ligarem para rótulos, seguem com tesão pela vida, achando-se “semi-novos”, prontos para apreciar o que há de melhor: boas conversas, bons vinhos, boas comidas e, principalmente, muito aconchego e prazeres que seus corpos e suas comorbidades lhes permitem.

Maduros, chegaram na fase da vida em que sabem distinguir “o que serve e o que não serve”. Sabem que não têm tempo para questiúnculas.

Certa vez, conversando com o tempo, ouvi dele: “Faz tuas escolhas, que te direi as minhas respostas”. Educar o olhar para o belo, para as boas e excitantes coisas da vida é qualidade de vida. Saber que o sexo, não é apenas desnudar-se de roupas, mas despir-se de títulos, preocupações, cargos, conta bancária ou outros penduricalhos desnecessários. Aprender que o desejo nasce de uma boa conversa, de um leve toque, de um olhar penetrante. Que intimidade é construída em encontros sinceros, únicos e especiais.

Não precisar esperar o momento certo para realizar desejos. O momento certo pode ser um domingo nublado, longe de tudo. Uma taça de vinho, um afago, um toque, um cheiro, que resulta no enlace. Quando corpos se desejam, o cérebro, mais que o coração, já indicou o caminho.

A criatividade fica por conta do desejo. Corpos ardentes se conectam, e como canta o mestre Roberto Carlos, que aos 85 anos, continua falando de paixão, desejo, cumplicidade.

Um encontro de domingo, sem script, em que a melodia e a harmonia dos corpos falam por si.

“Nosso amor é demais/ E quando o amor se faz/ Tudo é bem mais bonito/ Nele a gente se dá/ Muito mais do que estáE o que não está escrito… /Quando a gente se abraça/ Tanta coisa se passa/ Que não dá pra falar/ Nesse encontro perfeito/ Entre o seu e o meu peito/ Nossa roupa não dá…

Nosso amor é assim/ Prá você e prá mim/ Como manda a receita/ Nossas curvas se acham/ Nossas formas se encaixam/ Na medida perfeita…. / Esse amor é prá nós/ A loucura que traz/ Esse sonho de paz/ E é bonito demais/ Quando a gente se beija/ Se ama e se esquece/ Da vida lá fora.

Cada parte de nós/ Tem a forma ideal/ Quando juntas estão/ Coincidência total do Côncavo e o Convexo/ Assim é o nosso amor/ No sexo…

Este amor é pra nós/ A loucura que traz/ Esse sonho de paz/ E é bonito demais/
Quando a gente se beija/ Se ama e se esquece/ Da vida lá fora / Cada parte de nós/ Tem a forma ideal/ Quando juntas estão/ Coincidência total/ Do Côncavo e o Convexo/ Assim é o nosso amor/ No sexo…”

Na cama, corpo exaustos de prazer, observam que chove lá fora.

 

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