
A semelhança física impressiona. A barba branca, os traços do rosto, o jeito de falar e até alguns gestos, e agora o uso do chapéu, fazem muita gente acreditar, por alguns segundos, que está diante do próprio presidente.
Na Fafen, enquanto Lula discursava sobre os investimentos da Petrobras e a retomada da indústria de fertilizantes, Daniel era parado constantemente por trabalhadores, visitantes e apoiadores que queriam uma foto ao lado do sósia. “Minha profissão agora é só influencer”, respondeu, aos risos, ao ser perguntado sobre o que faz atualmente.
A fama começou de forma inesperada. “Rapaz, surgiu de um deboche. Um site tirou uma foto minha em Arapiraca durante a eleição de 2022. Aí publicaram dizendo: ‘Até Lula veio votar em Arapiraca’. A foto viralizou e daí para frente não parou mais.”
A história é verdadeira. A imagem tirada durante a eleição presidencial de 2022 circulou intensamente nas redes sociais e transformou Daniel em personagem conhecido em Alagoas e, depois, em outras regiões do país.
Na época, ele ainda pintava a barba. “Eu pintava a barba. Depois que viralizou, foi um deboche que deu certo”, relembra.
De Arapiraca para a posse presidencial
A repercussão foi tão grande que Daniel saiu de Arapiraca e percorreu cerca de 1.790 quilômetros até Brasília para participar da posse presidencial de Lula, em janeiro de 2023. Na Esplanada dos Ministérios, virou atração entre apoiadores e jornalistas.
Em entrevista ao Correio Braziliense, contou que milhares de pessoas pediram fotos durante a cerimônia e revelou que chegou a sofrer ameaças por ser confundido com o presidente. “Eu fui muito perseguido na cidade e até ameaçado de morte”, relatou na ocasião.
Na posse, Daniel já demonstrava o bom humor que o acompanha até hoje. “Sou o único sósia do Lula que tem até os trejeitos dele”, brincou durante a cobertura da imprensa nacional.
O dia em que Lula encontrou Lula
A fama ganhou um novo capítulo em maio de 2024. Durante uma agenda presidencial em São José da Tapera, no sertão de Alagoas, Lula interrompeu o próprio discurso após ser alertado pela primeira-dama Janja da Silva sobre a presença de alguém extremamente parecido com ele na multidão.
Do palco, o presidente apontou para Daniel e brincou com uma das teorias conspiratórias mais difundidas nas redes sociais. “Tem gente dizendo que eu morri e que quem governa é um sósia”, ironizou Lula antes de posar para fotos ao lado do alagoano.
O episódio repercutiu nacionalmente e foi destaque em veículos de comunicação, redes sociais e programas políticos. Daniel lembra desse encontro com entusiasmo. “Ele até brincou quando me viu. Disse que a internet falava que ele não era Lula.”
Defesa da Petrobras e da volta dos fertilizantes
Apesar da fama nas redes, Daniel afirma que sua presença na Fafen não aconteceu apenas por curiosidade. Ele diz acompanhar debates sobre a Petrobras e a retomada da indústria nacional de fertilizantes.
“Aqui é um amigo meu que trabalha. Eu defendo essa causa. Tenho vídeos defendendo a volta do fertilizante e de muitas conquistas que a Petrobras tinha e ficaram paradas por anos. Lula resgatou isso e eu sempre falo nos meus vídeos.”
A declaração dialoga diretamente com o evento realizado em Sergipe. A visita presidencial marcou o anúncio de mais de R$ 60 bilhões em investimentos da Petrobras no estado, incluindo projetos ligados à produção de fertilizantes, petróleo e gás natural.

Das redes sociais para a política
O sucesso como sósia acabou abrindo outras portas. Daniel passou a atuar como influenciador digital usando o perfil @luladealagoas e ganhou espaço em eventos políticos ligados ao presidente. Em 2024, chegou a disputar uma vaga de vereador em Arapiraca utilizando justamente o nome “Lula de Alagoas” na urna. Seu registro de candidatura foi homologado pela Justiça Eleitoral.
Natural de Arapiraca, Daniel nasceu em 22 de outubro de 1971 e construiu uma popularidade baseada não apenas na aparência semelhante a do presidente, mas também na capacidade de transformar o humor das redes sociais em personagem público.
Na Fafen, isso ficou evidente mais uma vez. Entre anúncios bilionários, debates sobre desenvolvimento industrial e expectativas econômicas para Sergipe, havia uma segunda fila de atenção se formando. Não era para ouvir discursos nem acompanhar autoridades.
Era apenas para fazer uma selfie.
Com o outro Lula.
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