domingo, 29/11/2020
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A doença se espalha no Estado

Especulando os efeitos socioeconômicos da COVID-19: esportes, família, escola e liberalismo econômico

Valtênio Paes (*)

No começo, a COVID-19, nome originado das palavras “corona”, “vírus” e “doença” com 2019, ano em que surgiu o surto, parecia mais um vírus gripal comum. Depois tomou contornos planetários, confirmando ser a Terra nosso maior condomínio. Qualquer fato pode atingir toda a população.  Dias depois, economia, eventos, esportes, sociedade, administração pública, família, setor privado e práticas religiosas, sofreram impactos ainda de consequências imprevisíveis.

 A Organização Mundial de Saúde (OMS) emplacou este nome para evitar que ocorresse com a China o caso histórico da chamada “gripe espanhola”, em 1918, que matou cerca de 50 milhões de pessoas gerando uma forte reação de preconceito ao povo espanhol. A COVID-19 atingiu 220 mil pessoas contaminadas no mundo, com 9 mil mortes até 19 de março de 2020. Existem mais de 42.200 casos confirmados em toda a China. O número de mortes ultrapassou o da epidemia de Sars em 2002-2003.

Em  todo o Brasil registrou-se  1.579 casos confirmados  e 25 mortes, sendo 22  em São Paulo e três no Rio de Janeiro até ontem, domingo.  Em Sergipe, ocorreu o décimo caso e 25 são suspeitos. Lamenta-se que até ontem pessoas chegavam de fora do Estado e até do exterior, pelo aeroporto, e recebiam apenas um panfleto explicativo. Parece mais o vírus da incompetência.

Outros vírus, desde o final do século passado, passaram pela Terra mas este deixará consequências até agora incalculáveis. Como ficará a economia durante e após o controle deste vírus? Quais as consequências políticas? Com certeza a economia planetária à beira de ser nocauteada e a política com expectativas de grandes mudanças, ensejarão grandes reviravoltas.

No âmbito familiar, crianças e idosos em casa, pais trabalhando, provocam uma reorganização das relações internas, face o risco na convivência coletiva. O individual e coletivo, independentemente da postura de serem conservadoras ou progressistas, serão revistos por todas as pessoas. No confinamento em condomínios, casas, apartamentos, barracos ou mansões, novas formas de relacionamento devem ser recriadas. Leitura, jogos, filmes, diálogos sobre valores, cultura, política, sociedade, relação de poder interna, podem inibir o ócio negativo e a ansiedade no seio da unidade familiar.

Com a suspensão dos esportes, toda a sociedade terá que redefinir outras estratégias de práticas esportivas tanto na participação como na plateia.  Sui generis o último jogo do Corinthians, sem torcida, antes da suspensão total dos jogos pelo campeonato paulista, teve torcida pela gravação do som do estádio em lances de alegria corintiana.

Mesmo assim, o time não ganhou com tentativa criativa de torcida através da tecnologia. As pessoas que dependem do esporte profissional ou amador terão, também, que buscar alternativas. A casa passou a ser o local mais seguro. Mas o que fazer em casa? Resignificar o ambiente familiar será mais um desafio.

Emprego, empresas e países podem quebrar. “Nosso” presidente, contrariando orientação de seu governo e a regra geral no planeta, vai à rua apoiar temas golpistas como exceção à regra dos governantes de outros países.  Ainda não é possível estimar o cenário econômico dos próximos três meses. Com a palavra os economistas. De igual modo os efeitos no ensino e na cultura, que assim se manifestem os estudiosos dos respectivos setores. As perdas e dificuldades de recuperação serão enormes e imprevisíveis.

Como o planeta ficou pequeno para tanta gente, as soluções devem ser através da priorização do coletivo sob pena do efeito maior recair sobre os mais humildes. Para tanto, esperamos ainda saber qual será a política pública dos nossos governantes. Segundo a diretora assistente da OMS, Mariângela Simão, no Brasil existe um pouco de descaso, apesar de ter boa estrutura epidemiológica com o Sistema Único de Saúde (SUS).

No Brasil, até sábado, havia uma ajuda de R$ 200 por mês para trabalhadores informais que estão sofrendo com a queda na demanda por seus serviços ou que se veem obrigados a ficar em casa, há proposta de permitir a redução da jornada de trabalho com diminuição de salário (para evitar demissões, ainda que com queda da renda). Seguiu também, adiamento de pagamento de impostos federais para empresas pequenas, a antecipação do décimo terceiro salário para aposentados, expansão de crédito via bancos públicos, ampliação do Bolsa Família e ações de socorro para os setores privados mais afetados pela crise, como o de companhias aéreas.

Somente ontem, 22, o  BNDES anunciou novas medidas dizendo que  injetará até R$ 55 bilhões na economia destacando R$ 30 bilhões em setores como aeroportos, portos, energia, petróleo e gás, transporte, mobilidade urbana, saúde, indústria, comércio e serviços, além de colocar R$ 19 bilhões em refinanciamento de operações diretas feitas com o BNDES, e mais R$ 11 bilhões em indiretas conforme noticiado no site UOL.

Noutros países, como EUA, houve um pacote de estímulos anunciado pelo presidente americano Donald Trump que equivale a 5% do PIB anual de seu país. O prometido pelo ministro da economia brasileiro fica em torno de 8%.  Já o da Alemanha equivale a cerca de 15%. Vai daqui uma provocação deste desconhecedor de economia aos que defendem o liberalismo na economia e por consequência a não intervenção do estado na economia, com privatizações e congêneres: e agora, o setor privado quer a presença do Estado, quer o dinheiro do Estado ou insiste que o Estado  fique fora da economia?  

 Fato concreto é que o vírus pode deixar 25 milhões de pessoas sem emprego e aprofundar a pobreza no mundo. Uma perda de renda para os trabalhadores de US$ 3,4 trilhões em 2020, conforme dados foram publicados pela Organização Internacional do Trabalho até 18 de março de 2020, em Genebra.

No caminho da espiritualidade também espera-se mudanças nas concepções de vivência das pessoas. O que somos? Como somos? Por que somos? Novas posturas no plano espiritual, fraternal e  a relação do cuidado de pessoas advirão. Reflexão e busca para o bem de todas as pessoas. É o que se espera para o progresso da espiritualidade humana e a formação do templo interior.

Inúmeras serão as mudanças que o momento trará para nossas vidas. Do lazer ao trabalho, da cultura ao esporte, da família aos outros núcleos de convivência, da pessoa à empresa, de concepções individualistas às coletivistas. Para a população tudo tem que ser repensado com muita cautela, paciência e equilíbrio. E se o horizonte não estiver definido, melhor de tudo, é parar, esperar, para depois recomeçar. É na dificuldade que se encontra a superação.

Muitas perguntas, poucas respostas! Esperar e avaliar com cautela pode ser um bom caminho. Enquanto isto, economizar o máximo, higiene constante das mãos, alimentação que reforce imunidade do corpo, evitar contatos com terceiros e ser criativo no redirecionamento da rotina pessoal, como caldo de galinha, não prejudica ninguém e beneficia aos humanos do planeta.

(*)Valtênio Paes de Oliveira é professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada -Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

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