Sergipe está entre os 14 estados onde levantamentos recentes da Quaest e da AtlasIntel/Estadão indicam a possibilidade de a eleição para governador ser definida já no primeiro turno.
Por Antônio Carlos Garcia (*)
No próximo domingo, 4 de outubro, 1.740.240 eleitores sergipanos estarão aptos a ir às urnas nos 75 municípios para escolher seus representantes nas eleições de 2026. O contingente é 4,1% maior que o registrado há quatro anos, quando 1.671.376 pessoas estavam habilitadas a votar. São 68.864 eleitores a mais.
Enquanto o eleitorado cresceu, o número de candidaturas aos principais cargos em disputa no Estado seguiu caminho contrário. Considerando governador, senador, deputado federal e deputado estadual, a base consolidada de 2022 chegou a 513 candidaturas. Com a redução do número de candidatos ao Governo, são agora 378 candidaturas consideradas nesta reportagem — 135 a menos, redução de aproximadamente 26,3%.
Neste domingo, além do presidente da República, os sergipanos escolherão um governador, dois senadores, oito deputados federais e 24 deputados estaduais. A existência de duas vagas para o Senado é uma das principais diferenças em relação à eleição de 2022, quando apenas uma cadeira estava em disputa.
Quatro disputam o Governo
A disputa pelo Governo de Sergipe chega à reta final com quatro candidatos em 2026, contra nove registros na eleição de 2022. Concorrem neste ano Dr. Helton (PSOL), Fábio Mitidieri (PSD), Taty Cristina de Jesus (DC) e Valmir de Francisquinho (Republicanos).
O número de candidatos caiu de seis para quatro nos últimos dias. Emanuel Cacho (PSDB) renunciou à candidatura, enquanto Ricardo Marques (PL) teve a candidatura indeferida após a renúncia do candidato a vice-governador, Érico Menezes.
A pesquisa do Instituto França, divulgada na segunda-feira (28), apontou, no cenário estimulado, Fábio Mitidieri com 42,18% das intenções de voto; Valmir de Francisquinho, com 29,69%; Ricardo Marques, 4,77%; Dr. Helton, 0,55%; Taty Cristina de Jesus, 0,48%; e Emanuel Cacho, 0,35%. Os que não sabem ou não responderam representam 15,52%, enquanto brancos e nulos somam 6,47%.
O Instituto França entrevistou presencialmente 1.300 eleitores, entre 24 e 26 de setembro. A margem de erro informada é de 2,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número SE-01807/2026.
Definição no primeiro turno
Sergipe está entre os 14 estados onde levantamentos recentes da Quaest e da AtlasIntel/Estadão indicam a possibilidade de a eleição para governador ser definida já no primeiro turno. A análise, publicada pelo Estadão, considera a conversão das intenções de voto em votos válidos e a margem de erro das pesquisas. Ao todo, 16 candidatos a governador aparecem nessa situação nos 14 estados.
No caso de Sergipe, o cenário é sustentado pela pesquisa Quaest divulgada em 24 de setembro. No levantamento, Fábio Mitidieri tinha 43% das intenções de voto, contra 34% de Valmir de Francisquinho, 5% de Ricardo Marques e 1% de Dr. Helton. Taty Cristina e Emanuel Cacho não pontuaram. Brancos, nulos e eleitores que disseram não votar somavam 8%, enquanto 9% estavam indecisos.
Considerados apenas os votos atribuídos aos candidatos, Fábio alcançava cerca de 52% dos votos válidos, percentual que, se reproduzido nas urnas, seria suficiente para encerrar a disputa no primeiro turno.
A Quaest ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número SE-09343/2026.
Pesquisas posteriores também colocaram Fábio acima dos 50% dos votos válidos. No levantamento do Instituto França, realizado entre 24 e 26 de setembro, o governador alcança aproximadamente 54,1% dos votos válidos, quando excluídos brancos, nulos e indecisos.
Os levantamentos, entretanto, foram realizados antes da redução do número de candidatos ao Governo de seis para quatro e, por isso, retratam uma configuração da disputa diferente daquela que estará nas urnas neste domingo.
Onze registros para duas vagas no Senado
No Senado ocorre uma situação diferente. O número de registros aumentou, mas a concorrência por vaga diminuiu.

Em 2022, sete candidatos disputaram a única cadeira destinada a Sergipe. Neste ano, são 11 registros para duas vagas. Em números absolutos, portanto, houve crescimento de 57,1%. Quando se considera a quantidade de cadeiras, porém, a relação passou de sete candidatos por vaga para 5,5 por cadeira.
A mudança decorre do sistema de renovação do Senado. Os senadores cumprem mandatos de oito anos e a Casa é renovada alternadamente em um terço e dois terços. Em 2026, serão preenchidas 54 das 81 cadeiras do Senado, duas em cada estado e no Distrito Federal.
O eleitor sergipano terá, portanto, dois votos para senador, que deverão ser destinados a candidatos diferentes. Os dois mais votados serão eleitos, já que a escolha para o Senado segue o sistema majoritário por maioria simples.
Menos candidatos à Câmara
Sergipe continuará tendo oito representantes na Câmara dos Deputados, mas o número de candidatos diminuiu em relação à eleição passada.
A base consolidada de 2022 chegou a 169 candidaturas a deputado federal. Em 2026 são 141, redução de 28 nomes, equivalente a aproximadamente 16,6%.
Isso também reduz a relação entre candidatos e vagas. Há quatro anos, eram aproximadamente 21,1 candidatos para cada cadeira sergipana na Câmara. Agora, são cerca de 17,6 candidatos por vaga.
Diferentemente da eleição para governador e senador, a escolha dos deputados é feita pelo sistema proporcional. Nesse modelo, os votos recebidos pelos candidatos e pelas legendas são utilizados inicialmente para determinar quantas cadeiras caberão a cada partido ou federação. Depois, as vagas são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro dessas legendas, observadas as regras eleitorais.
Disputa pela Alese tem a maior redução
A maior queda absoluta no número de candidatos ocorre na disputa pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese).

Em 2022, a base consolidada chegou a 328 candidaturas a deputado estadual. Agora são 222 — 106 candidatos a menos, redução de aproximadamente 32,3%.
A relação entre candidatos e cadeiras caiu de aproximadamente 13,7 por vaga em 2022 para 9,3 neste ano.
Somadas as disputas analisadas, o movimento é claro: enquanto Sergipe ganhou quase 69 mil eleitores em quatro anos, o número de candidaturas a governador, senador, deputado federal e deputado estadual caiu aproximadamente 26,3%.
Mulheres ampliam participação proporcional
A presença das mulheres apresenta uma característica particular nesta eleição: o número absoluto de candidaturas femininas diminuiu em relação a 2022, mas elas passaram a representar uma parcela maior do conjunto de candidaturas.
Dados divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) em 4 de setembro mostravam 159 mulheres entre 408 candidaturas registradas no Estado, ou 38,97%. Os homens eram 249, correspondentes a 61,03%. Os números incluem governador e vice-governador, senador e suplentes, deputado federal e deputado estadual.
Naquele levantamento, Sergipe ocupava a primeira posição entre os estados brasileiros na proporção de candidaturas femininas, segundo o TRE-SE.
Na comparação com 2022, quando foram registradas 192 candidaturas femininas, correspondentes a 35,49% do total, houve redução no número absoluto de mulheres, mas aumento de aproximadamente 3,5 pontos percentuais em sua participação.
A comparação exige uma ressalva. Os dados de participação por gênero abrangem também candidaturas a vice-governador e suplentes de senador. Por isso, o total de 159 mulheres não deve ser comparado diretamente aos registros considerados na soma apenas dos quatro cargos titulares analisados nesta reportagem.
Eleitorado cresce, mas não da mesma forma nos municípios
O crescimento do eleitorado também apresenta diferenças entre os municípios sergipanos.
Aracaju continua concentrando, de longe, o maior contingente: são 421.507 eleitores, aproximadamente 24,2% de todo o eleitorado do Estado. Nossa Senhora do Socorro aparece em seguida, com 123.714; Lagarto tem 82.402; Itabaiana, 76.700; e São Cristóvão, 62.018.

A comparação com 2022 mostra movimentos diferentes. Aracaju tinha 423.799 eleitores e agora tem 421.507, pequena redução de aproximadamente 0,5%. Nossa Senhora do Socorro passou de 113.347 para 123.714, aumento de cerca de 9,1%.
Lagarto passou de 77.321 para 82.402 eleitores, crescimento de aproximadamente 6,6%. Em Itabaiana, o eleitorado avançou de 72.255 para 76.700, cerca de 6,2%; e São Cristóvão passou de 58.720 para 62.018, alta de aproximadamente 5,6%.
Um dos movimentos mais expressivos ocorre na Barra dos Coqueiros. O município tinha 25.160 eleitores em 2022 e chega a 2026 com 31.775. São 6.615 pessoas a mais, crescimento de aproximadamente 26,3% em quatro anos, muito acima da expansão de 4,1% observada no conjunto do Estado.
Os números mostram ainda um movimento particular na Grande Aracaju: enquanto a capital apresenta ligeira redução do eleitorado, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros registram crescimento.
Mais eleitores e menor concorrência por vaga
A comparação entre as duas eleições resume algumas das mudanças ocorridas em quatro anos.
Na disputa pelo Governo, a relação passou de nove para quatro candidatos por vaga. Para o Senado, caiu de sete para 5,5 por cadeira. Na Câmara dos Deputados, passou de 21,1 para 17,6 candidatos por vaga. Na Assembleia Legislativa, recuou de 13,7 para 9,3.
O cenário do Senado merece uma leitura específica: embora o número absoluto de candidaturas tenha aumentado de sete para 11, o número de cadeiras também passou de uma para duas.
Ao mesmo tempo, o eleitorado estadual cresceu de 1.671.376 para 1.740.240, avanço de 4,1%.
A ordem na urna
Embora nesta reportagem os cargos sejam apresentados a partir da disputa pelo Governo, a ordem de votação na urna eletrônica é diferente.
O primeiro voto será para deputado federal; o segundo, para deputado estadual; depois virão a primeira e a segunda escolhas para senador; em seguida, governador; e, por último, presidente da República.

Na eleição para o Senado, os dois votos precisam ser dados a candidatos diferentes. Caso o eleitor digite o mesmo número nas duas escolhas, o segundo voto será anulado.
A votação começa às 8h e termina às 17h, pelo horário de Brasília. O eleitor que estiver na fila até as 17h terá assegurado o direito de votar.
Ônibus gratuitos no domingo
Os eleitores que utilizam o transporte coletivo na Grande Aracaju terão ônibus gratuitos no domingo, 4 de outubro, dia do primeiro turno. A gratuidade será oferecida em Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão, municípios que integram o Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM).
A medida segue as regras estabelecidas para o dia da votação, com o objetivo de facilitar o deslocamento dos eleitores até os locais de votação.
Com mais de 1,74 milhão de eleitores aptos, Sergipe chega às urnas no domingo com um contingente eleitoral maior que o de 2022, menos candidaturas aos cargos analisados e maior participação proporcional das mulheres. E, pela primeira vez desde 2018, cada eleitor sergipano terá novamente a possibilidade de escolher dois nomes para representar o Estado no Senado.
Só Sergipe Notícias de Sergipe levadas a sério.



