Por Diego da Costa (*)
Toda eleição é, também, uma disputa de narrativas.
Antes mesmo de o eleitor analisar propostas, comparar planos de governo ou conhecer as prioridades de cada candidato, ele já foi alcançado por mensagens. Uma imagem, um vídeo, uma entrevista, uma postagem nas redes sociais, uma frase de efeito ou até mesmo um comentário em um grupo de WhatsApp pode contribuir para formar uma percepção.
É por isso que comunicação e eleição caminham tão próximas.
Comunicar, entretanto, não é simplesmente falar. É construir uma mensagem que seja compreendida pelo outro. E, em uma eleição, essa responsabilidade ganha uma dimensão ainda maior, porque a comunicação política pode influenciar a maneira como as pessoas percebem problemas, propostas e prioridades públicas.
A eleição da atenção
Vivemos em uma sociedade na qual a atenção se tornou um dos recursos mais disputados.
O cidadão recebe diariamente uma quantidade enorme de informações. São notícias, vídeos curtos, opiniões, pesquisas, anúncios, memes e mensagens compartilhadas em redes sociais.
Nesse ambiente, quem consegue comunicar uma ideia de maneira simples, objetiva e relevante consegue ocupar espaço.
Mas existe uma diferença fundamental entre chamar atenção e informar.
Uma comunicação pode ser extremamente eficiente para gerar engajamento e, ainda assim, apresentar pouca informação sobre aquilo que realmente importa.
É nesse ponto que o eleitor precisa desenvolver uma postura crítica.
Uma frase bonita pode despertar emoção. Uma imagem pode transmitir simpatia. Um vídeo pode provocar indignação. Mas nenhuma dessas coisas, isoladamente, responde a uma pergunta essencial:
O que está sendo proposto para resolver determinado problema?
Comunicação não substitui conteúdo
Na política, a comunicação tem uma função importante: apresentar ideias, explicar propostas, prestar contas e estabelecer diálogo com a sociedade.
Mas comunicação não deveria substituir conteúdo.
Um candidato pode ter uma excelente capacidade de comunicação e, ao mesmo tempo, precisar explicar melhor como pretende executar aquilo que promete.
Da mesma forma, uma proposta tecnicamente consistente precisa ser comunicada de maneira compreensível para chegar ao cidadão.
Aqui aparece um dos grandes desafios da comunicação eleitoral: transformar assuntos complexos em mensagens acessíveis sem transformar a realidade em simplificações enganosas.
Orçamento público, saúde, educação, segurança, infraestrutura, saneamento, geração de emprego e desenvolvimento econômico são temas complexos. Não cabem necessariamente em uma frase de efeito.
O eleitor também comunica
Existe outro aspecto que merece atenção: comunicação política não acontece apenas entre candidato e eleitor.
O eleitor também se transforma em comunicador.
Ao compartilhar uma publicação, encaminhar um vídeo ou comentar uma notícia, cada pessoa participa da circulação daquela informação.
Por isso, a responsabilidade pela qualidade do debate público não pertence somente aos políticos, jornalistas ou profissionais de comunicação.
Pertence também a quem compartilha.
Antes de encaminhar uma informação eleitoral, vale fazer três perguntas simples:
Quem publicou?
Qual é a fonte?
Essa informação pode ser confirmada?
Parece pouco. Mas, em tempos de velocidade digital, verificar antes de compartilhar é uma atitude de cidadania.
Comunicação assertiva também é saber ouvir
Talvez um dos maiores problemas da comunicação política seja a transformação do diálogo em monólogo.
Falar para o eleitor é importante. Ouvir o eleitor é fundamental.
Uma comunicação verdadeiramente assertiva precisa compreender as necessidades da sociedade, suas dúvidas, suas expectativas e também suas críticas.
O cidadão não deveria ser tratado apenas como alguém que recebe uma mensagem durante o período eleitoral.
Ele é parte da sociedade que continuará existindo depois da eleição.
E esse talvez seja um dos melhores testes para qualquer comunicação política:
A mensagem continuará fazendo sentido depois que a eleição terminar?
Menos torcida. Mais informação.
Eleições não precisam ser apenas uma disputa entre pessoas.
Podem ser uma oportunidade para discutir projetos de cidade, de estado e de país.
Por isso, quanto mais próximo o eleitor estiver das propostas, dos dados, dos compromissos e da trajetória pública dos candidatos, mais qualificado tende a ser o debate.
Isso não significa eliminar a emoção da política. A emoção faz parte da comunicação humana.
Significa apenas não permitir que a emoção ocupe sozinha o espaço que deveria ser compartilhado com a informação.
No final das contas, comunicar bem não é convencer a qualquer custo.
É conseguir transmitir uma mensagem com clareza, responsabilidade e respeito pela capacidade de decisão de quem está do outro lado.
E, em uma eleição, talvez essa seja a forma mais importante de Comunicação Assertiva:
falar com clareza, ouvir com atenção, verificar antes de compartilhar e permitir que cada cidadão forme sua própria decisão.
Porque uma democracia saudável não depende apenas de quem fala melhor.
Depende também de uma sociedade disposta a ouvir, questionar, comparar e participar.
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