segunda-feira, 21/09/2026

Eleições de outubro: ao vencido o recolhimento, ao vencedor o reconhecimento

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 Por Valtênio Paes (*)

 

O cenário internacional e o uso das redes digitais estão afetando diretamente a eleição.  A invasão da Ucrânia pela Rússia, o massacre em Gaza por Israel e o ataque dos EUA ao Irã e sua ingerência, sem precedente, na América Latina, estão deixando a economia mundial numa crise sem precedentes. Pior ainda, quando candidatos usam discursos eleitoreiros para mentirem em benefício do voto. Quando o eleito assumir o posto em 01/01/2027, o eleitor poderá confirmar este enunciado.

Como o Brasil ocupa a posição de 10ª economia mundial, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional, portanto, numa economia globalizada, o país sofre influências políticas e econômicas dos eventos relevantes no cenário mundial. Assim, o povo brasileiro sofre com o aumento de combustíveis, que reflete na inflação e, por consequência, no bolso do povo. Candidatos fogem de propostas e, irresponsavelmente, oferecem o céu ao eleitor(a) desguarnecido(a) de senso crítico.

A pressão política e econômica dos EUA em favor de um candidato soma-se às tensões no cenário internacional. A alta do preço do petróleo encarece o diesel, com efeitos sobre todo o sistema produtivo dos países, inclusive o Brasil. Qualquer proposta futura na economia, dos candidatos para nosso país, é prematura, ante as incertezas econômicas e políticas mundiais.

A intervenção americana na política interna brasileira abre outro capítulo inédito.  Ressalve-se que já acontecera no golpe militar de 1964. Agora, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) coloca como crítico o risco da possibilidade de o governo americano influenciar nas eleições de 2026. A instituição brasileira comunicou em relatório reservado à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral, ao Ministério da Justiça e, com certeza, deve ter informado aos ministérios militares. O documento, intitulado “Ameaças ao processo eleitoral de 2026”, teve divulgação em 19.09.26 pela jornalista Mônica Bergamo da Folha de São Paulo. Pressões políticas, econômicas e diplomáticas estão em curso. O secretário de Trump, Marco Rubio, já afirmara por várias vezes a intenção.

Como se não bastasse, a maior crise, e de difícil solução, no Supremo Tribunal Federal, deixa a população perplexa. Urge que a maturidade institucional dos membros da Corte seja provada incondicionalmente. As atuações da OAB, dos órgãos dos tribunais e do Congresso Nacional, em ação conjunta, devem produzir uma solução coerente e plausível, fundada na ética pública. Sem vacilo!

Faltando poucos dias para a eleição, é o momento crucial para que votantes analisem currículos e propostas dos candidatos para deputado estadual, deputado federal, senador e presidente. A participação popular é o maior combustível da democracia. Fiscalizar os mandatos, reivindicar e não repetir o voto que deu errado são obrigações de todos(as) os(as) votantes. Não se concebe culpar o sistema. Agir e pensar assim é mera terceirização da culpa.  A tentativa de golpe e a corrupção no STF, sem precedentes, permitem pensar em Assembleia Nacional Constituinte para levar à união do país em busca do encontro com sua história.

O aperfeiçoamento das instituições com uma ética fundada no coletivo impulsionará a paz e a inclusão social.  Somente assim, ajudaremos a sepultar a prática de ódio exageradamente presente nos dias atuais. Certo é que, por mais percalços que apareçam, a democracia ainda é o melhor caminho porque a ditadura elimina a liberdade e a alternância no poder. Terminada a eleição e publicado o resultado, que todos e todas as votantes aceitem, com civilidade, esse resultado. “Ao vencido o recolhimento, ao vencedor o reconhecimento”.

 

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Sobre Valtenio Paes de Oliveira

Coditiano
(*) Professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada-Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

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