sexta-feira, 29/05/2020
Economista Saumíneo Nascimento: economia e vida não são concorrentes, mas convergentes

Saumíneo Nascimento: “Não devemos trabalhar com o maniqueísmo da escolha entre a vida e a economia”

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O economista Saumíneo Nascimento defende um “diálogo franco, direto” entre o governo e os empresários para que se encontre “um caminho de solução que proteja primeiro as vidas e, na sequência, a economia que também alimenta a vida”. Ele afirma que não se pode deixar de ouvir o setor empresarial para saber o que ele tem em mente para a recuperação da economia e faz um alerta: “Não devemos trabalhar com o maniqueísmo da escolha entre a vida e a economia. Elas não são concorrentes, elas são convergentes”.  Saumíneo torce que o turismo em Sergipe melhore e acredita que o secretário Sales Neto irá trabalhar em um calendário, pós pandemia, que seja capaz de ampliar a vinda de turistas para o Estado e possibilite uma melhoria da taxa de ocupação dos hotéis sergipanos. Ao analisar os recentes dados da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia de que haverá uma queda de 4,7% na economia este ano, ele afirma que o país estará mais pobre, haverá concentração de renda e aumento das desigualdades. E nessa esteira, em Sergipe, poderá ter um aumento na taxa de desocupação, aumento da informalidade e consequente perda do poder de compra da população. Saumíneo acredita que a situação tende a piorar para o setor de serviços prestados, pois, conforme pesquisa do IBGE, com a pandemia o volume teve queda de 6,9% em março, em relação a fevereiro. Em Sergipe, “o recuo do setor de serviços na mesma pesquisa foi de 5,8% frente a fevereiro de 2020, na série com ajuste sazonal. Este é o pior resultado para um mês de março desde 2011, quando teve início a atual série da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS)”. Mas há uma luz no fim do túnel? Felizmente há. “O cenário é complexo sim, assustador, mas eu como economista visualizo a luz no fim do túnel. Pode ser lenta, mas conseguiremos a retomada da economia”.

SÓ SERGIPE – Desde março que as lojas estão fechadas, por força de decretos estadual e municipal, e os empresários sergipanos reclamam bastante. Na sua opinião, o fechamento de empresas e o desemprego tendem a ser significativos nos próximos meses?

Lojas fechadas, no centro de Aracaju Foto: Agência Alese

SAUMÍNEO NASCIMENTO – Primeiro gostaria de destacar que o distanciamento social tem sido uma das principais medidas adotadas por vários países para reduzir o espalhamento da covid-19 na população, com variados graus de sucesso pelo mundo. Esta ação remove ou reduz o contato de indivíduos potencialmente infectados com outros membros da sociedade, algo particularmente importante quando a transmissão, como é o caso da covid-19, ocorre com frequência de forma assintomática.  No entanto, o distanciamento apenas pode ser suficiente se for adotado de forma expressiva e adequada pela sociedade. Assim, uma possibilidade alternativa, ou complementar, a ser analisada e avaliada pelos profissionais competentes é procurar e isolar de forma proativa os indivíduos com alta probabilidade de estarem infectados, permitindo maior mobilidade de indivíduos com menor probabilidade de carregarem o vetor. Então diante da premissa citada (menor de circulação de pessoas e consequente menor circulação de mercadorias), vamos ter impactos de oferta e demanda decorrente da desaceleração da economia, os setores serão afetados de forma diferente, em função do direcionamento da demanda; portanto, as empresas fechadas colocam em risco os empregos, e tendem a ser crescentes nos próximos meses.

SÓ SERGIPE – A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que teremos de conviver com a covid-19 para sempre e seremos obrigados a nos adequar a essa nova realidade. Como o senhor imagina que será a convivência do setor econômico com a covid-19?

Sede da OMS  Foto: Agência Brasil

SN – O surto da covid-19 impactou a economia mundial de uma forma bem distinta, todos os setores econômicos sofreram e ainda sofrerão. E foi algo que ninguém fez previsão no passado do efeito colateral econômico e seu alcance. Eu imagino que levaremos muitos anos em recuperação, possivelmente toda a década de 2020. As empresas irão voltar a funcionar, porém terão que obedecer vários protocolos, a exemplo de serem obrigadas a fornecer equipamentos de proteção aos empregados, maiores cuidados médicos (testes de temperatura nos trabalhadores), maior higienização nos locais de trabalho, trabalho híbrido (parte na empresa e parte home office) etc. E além disso, as empresas que sobreviverem terão que readequar os seus orçamentos para ajustar as suas projeções de resultados. Aos poucos os setores mais combalidos ressurgirão, mas os resultados serão bem menores do que tínhamos antes, pois a demanda só existirá com a recuperação da renda das famílias.

SS – Sempre se fala em buscar um ponto de equilíbrio entre a doença e o setor produtivo. Será mesmo que ele existirá?

SN – Eu acredito que existe, precisamos encontrá-lo juntos (governos, empresas e sociedade em geral). Os técnicos e cientistas vinculados ao setor de saúde, fazem de forma fenomenal o trabalho deles. E referidos profissionais de saúde, são os qualificados para avaliar o que a pandemia do coronavírus representa para a humanidade. Entendo que somente eles possuem respaldo para passar para a sociedade em geral os caminhos da prevenção e da cura (acredito que a inteligência humana achará a cura). Mas não podemos deixar de ouvir e avaliar o que as pessoas que dirigem e operam os negócios empresariais em todos os portes têm em mente para a recuperação da economia. Não devemos trabalhar com o maniqueísmo da escolha entre a vida e a economia. Elas não são concorrentes, elas são convergentes.

SS – O caminho, então, é o diálogo como vem ocorrendo entre o setor empresarial e governos em todo o país?

SN – O que precisamos é de diálogo franco, direto e coletivo para que seja possível um caminho de solução que proteja primeiro as vidas e, na sequência, a economia que também alimenta a vida. Vamos lembrar que a falta de alimento de qualidade pode fragilizar saúde das pessoas a ponto de não existir resistência natural para qualquer doença.  Vamos necessitar que as empresas estabeleçam um forte rigor sanitário, inovação na forma de gerir, trabalhar como prioridade a conscientização dos seus empregados sobre a dimensão do problema e a necessidade de um trabalho preventivo, com orientação, oferecendo condições adequadas de deslocamento, incluindo refeições balanceadas.

SS – Proteção é e será a palavra de ordem.

SN – Precisamos proteger todos (trabalhadores, clientes, fornecedores, etc.). Vamos ter que conviver com horários diferentes, com isolamento das pessoas que são do grupo de risco. Ou seja, um amplo protocolo de cuidados para que aos poucos as atividades sejam retomadas e as pessoas possam consumir os produtos e serviços. E isso só poderá ser construído com diálogo e participação coletiva nas soluções e entendimento da situação. A abertura do diálogo entre as partes de forma prudencial irá possibilitar o equilíbrio da situação e minimizar os efeitos negativos para a população. Acredito que juntos (governo, setor empresarial e representantes da sociedade) poderão montar uma estratégia de recuperação da economia com a manutenção da vida.

SS – Enquanto vemos setores do comércio tendo problemas, outros seguem bem. A pandemia é um divisor de águas?

SN – A humanidade vem por um longo período vivendo ciclos de progresso econômico, mesmo que ainda existam muitas desigualdades. As redes comerciais interconectadas e cidades cheias tornaram as sociedades mais ricas e mais vulneráveis, desde os impérios da antiguidade até a atual economia global integrada. Por conta disso, os efeitos da covid-19 serão muito diferentes daqueles dos patógenos passados, que atingiram populações muito mais pobres do que as pessoas hoje em dia, e com menos conhecimento de coisas como vírus e bactérias. Viveremos sim, um mundo bem diferente do passado recente. Vale lembrar que a retomada que teremos após a covid-19 terá uma escala diferente daquela exigida pela peste negra ou pela gripe espanhola. Mesmo assim, os estragos do passado oferecem um guia sobre como a economia global pode mudar como resultado do coronavírus. Portanto, podemos concluir que haverá sim um divisor de águas, mas os setores do comércio terão a sua retomada, mas será lenta e gradual. As pessoas gostam e querem voltar a consumir, pois é uma forma de felicidade.

SS – O que era o setor produtivo antes da pandemia e o que ele será no pós pandemia? Poderá haver melhorias na relação patrão/empregado?

SN – Cabe destacar que antes mesmo da pandemia, a globalização estava com problemas. O sistema aberto de comércio que dominou a economia mundial por décadas foi danificado pelo colapso financeiro e pela guerra comercial entre China e Estados Unidos. À medida que as economias reabrem, a atividade se recuperará, mas não espere um rápido retorno a um mundo despreocupado de movimento livre e livre comércio. A pandemia politizará as viagens e as migrações e criará um viés para a autossuficiência. Essa mudança interior enfraquecerá a recuperação, deixará a economia vulnerável e espalhará a instabilidade geopolítica. Vale registrar que os anos 2010 não foram uma década feliz para o comércio global. Embora os temores de um aumento do protecionismo após a crise financeira de 2007-2009 não tenham se materializado, o crescimento das décadas de 1990 e 2000 não se restabeleceu. No Brasil, o setor produtivo ainda estava buscando o seu equilíbrio e recuperação e após a pandemia teremos uma recuperação muito lenta, alguns setores demorarão mais que outros para voltarem aos patamares que estavam em 2019. A relação patrão empregado já vem melhorando e entendo que esta será fortalecida, a importância da excelência na mão-de-obra ganha mais significado em momentos de crise e por isso eu vislumbro que as relações continuarão evoluindo, pois, as empresas estão reconhecendo cada vez mais a importância de seus empregados.

SS – A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia diz que haverá uma queda de 4,7% da economia este ano. Em janeiro, o percentual estimado era de 2,4% do PIB.  O que isso pode provocar na vida do cidadão comum?

SN – Estaremos mais pobres, haverá reconcentração de renda e aumento de desigualdades. Enfim, é um passo atrás na busca de uma prosperidade mais equilibrada na economia brasileira. A minha opinião é a de que a queda do PIB do Brasil passe de 5%.

SS – Sergipe, com certeza, entra nesse contexto.

SN – Comentando especificamente a situação de Sergipe, cabe registrar que recentemente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, divulgou alguns dados preliminares da PNAD. Resgatando-se que a PNAD é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, sendo uma pesquisa feita em uma amostra de domicílios brasileiros que, por ter propósitos múltiplos, investiga diversas características socioeconômicas da sociedade, como população, educação, trabalho, rendimento e outras variáveis. O que preocupa é a taxa de desocupação ou desemprego que já estava em 15,5%, teve crescimento nominal de 0,7 ponto percentual (p.p.) no primeiro trimestre de 2020 na comparação com o último trimestre de 2019. Essa é a sexta maior taxa de desocupação entre as 27 unidades da federação e a quarta maior entre os estados da região Nordeste. O que pode acontecer com a população é o aumento da taxa de desocupação, aumento da informalidade e consequente perda do poder de compra da população.

SS- Pesquisa divulgada pelo IBGE mostrou que, com a pandemia, o volume de serviços prestados teve queda de 6,9% em março, em relação a fevereiro. Foi o pior resultado mensal da pesquisa desde que ela é feita, em janeiro de 2011. Esse cenário tende a piorar?

SN – Sim, tende a piorar. A necessidade de salvar vidas e conter as pessoas, teve como ação imediata o impedimento do funcionamento de muitas atividades de serviços, e como está crescente o número de casos e de mortes pela covid-19. Então, a tendência é que o cenário piore, mas aos poucos iniciaremos a recuperação somente a partir de 2021. Cabe destacar que o recuo de 6,9% é do Brasil, o recuo do setor de serviços em Sergipe na mesma pesquisa foi de 5,8% frente a fevereiro de 2020, na série com ajuste sazonal. Este é o pior resultado para um mês de março desde 2011, quando teve início a atual série da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Os impactos observados foram sentidos especialmente no último terço do mês de março, quando começaram as medidas de isolamento social devido à covid-19. Os dados de abril e maio tendem a ser piores e eles demonstrarão de forma mais realista o cenário econômico para o setor de serviços em Sergipe.

SS – O setor de turismo brasileiro já perdeu R$ 62,56 bilhões, entre março e maio, segundo estudos da Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo (CNC). Para a realidade sergipana, como o senhor avalia a situação? O que o Estado terá que fazer para atrair turistas para cá?

Sales Neto, secretário estadual de Turismo Foto: ASN

SN – O setor de turismo é um dos mais afetados em todo o mundo por conta da covid-19 e vai demorar a se recuperar. Para a realidade sergipana, ocorreu a recriação da Secretaria de Turismo e foi efetivado o José Sales Neto, que foi por muitos anos, secretário de Estado da Comunicação de Sergipe.  Torço e acredito que o Sales Neto irá trabalhar em um calendário de eventos pós covid-19 que seja capaz de ampliar a vinda de turistas para o Estado e possibilite uma melhoria da taxa de ocupação dos hotéis sergipanos. Acredito que haverá um maior fomente das atividades turísticas e o estabelecimento de política de apoio e melhoramento de espaços turísticos em Sergipe. O Sales vem de família que tem experiência no setor e na realização e organização de exposições, feiras e outros eventos de divulgação de potencialidades turísticas do Estado. Fico na expectativa positiva que tudo citado aconteça.

SS -A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 91% das indústrias brasileiras relatam impactos negativos. E 76% delas reduziram ou paralisaram a produção. Mas não tem quem compre muitas coisas, pois as pessoas estão com medo do que poderá vir a acontecer. O cenário é sombrio ou o senhor enxerga alguma luz no fim do túnel?

SN – Esta mesma pesquisa da CNI também aponta que a pandemia do coronavírus (covid-19) atingiu as empresas industriais e trouxe dificuldades diversas para elas atravessarem este período de crise. Sete em cada 10 empresas industriais citam a queda no faturamento entre os cinco principais impactos da covid-19, e a inadimplência e o cancelamento de pedidos foram apontados por 45% e 44% dos entrevistados respectivamente. O cenário é complexo sim, assustador, mas eu como economista visualizo a luz no fim do túnel, pois ciclos de crises econômicas existem e sempre conseguimos uma reversão. Pode ser lenta, mas conseguiremos a retomada da economia. Sabe-se que os custos humanos das pandemias são terríveis, os efeitos econômicos de longo prazo nem sempre são assim, veja-se o exemplo da peste negra levou de um terço a dois terços da população da Europa, deixando cicatrizes duradouras. Mas, após a praga, a economia conseguiu recuperar-se.

SS – Já existem exemplos de países que retornaram as atividades econômica.

SN – A Europa deu um passo em direção à normalidade pós-vírus no dia 15 de maio, quando restaurantes na Alemanha e na Áustria reabriram pela primeira vez em dois meses, e outros países afrouxaram as restrições de viagem e abriram fronteiras. Os restaurantes, cafés e quiosques de lanches de Berlim foram autorizados a atender novamente os clientes, desde que obedecessem ao distanciamento físico. Pessoas de duas famílias separadas podiam compartilhar uma mesa, mas tinham que manter uma distância de 1,5 m uma da outra. Sob novas regras, a equipe em espera é obrigada a usar revestimentos faciais. Cozinheiros e outros funcionários da cozinha não são. Recomenda-se que os clientes usem máscaras, mas elas não são obrigatórias – a menos que você use o banheiro. Os buffets são proibidos e a comida deve ser cozida no local. Embora os convidados não sejam obrigados a fazer reservas, o Senado de Berlim recomenda que os restaurantes retirem os dados de contato de seus clientes e os mantenham por quatro semanas, a fim de permitir o rastreamento em caso de infecção. A probabilidade é de que em breve os restauradores da capital alemã possam colocar cadeiras e mesas na frente de seus estabelecimentos sem ter que obter a permissão necessária – desde que a calçada seja larga o suficiente. Os pubs e bares de shisha de Berlim permanecem fechados. Restaurantes, cafés, bares, igrejas e alguns museus austríacos também reabriram no dia 15 de maio, com regras semelhantes sobre máscaras faciais e distanciamento físico. O país traçou planos para a retomada dos eventos culturais no próximo mês – com 100 pessoas permitidas no início e 1.000 a partir de agosto. Viena e Berlim oferecem um possível mapa de rotas para outros países europeus, incluindo a França, que está pensando em reabrir seus restaurantes em 2 de junho. Um distrito da capital alemã, Friedrichshain-Kreuzberg, planeja proibir o tráfego às sextas e fins de semana, permitindo que os restaurantes ocupem algumas ruas. À medida que as taxas de infecção diminuem, viajar através das fronteiras do continente europeu está se tornando progressivamente mais fácil. No dia 15 de maio, a Eslovênia proclamou o fim de sua epidemia de coronavírus. Agora, os cidadãos da União Europeia podem entrar livremente, mas os viajantes que não pertencem à UE precisam passar por quarentena. A Itália deverá permitir viagens em regiões separadas a partir de 18 de maio e deve dispensar todas as restrições nacionais a partir de 3 de junho.

SS – O que muda, no seu ponto de vista, a saída de  Nelson Teich, do Ministério da Saúde, na sexta-feira? Que impactos trará?

O ex-ministro da Saúde, Nelson Teich Foto: Marcello Casal Jr\Agencia Brasil

SN – O ministro da Saúde do Brasil renunciou abruptamente depois de menos de um mês no cargo – um dia depois que o país anunciou que havia registrado quase 14 mil mortes; já passamos de 15 mil mortes e caminhando para chegarmos em 20 mil ao longo da semana. É possível que a repentina demissão de Nelson Teich que foi anunciada em uma breve mensagem do Ministério da Saúde, possivelmente aprofunde a turbulência em torno da resposta do Brasil à pandemia da covid-19. Espero que haja logo uma definição de titular para a importante pasta da Saúde do nosso país, pois perder dois ministros da saúde realmente causa impactos de planejamento para solucionar a crise que vivemos nesse setor. Precisamos urgentemente de um ministro da Saúde que tenha competência e capacidade de realizar uma forte ação coordenada em resposta à crise da covid-19 e demais doenças como Aedes Aegypti, sarampo, meningite e tantas outras que acometem os brasileiros. Vale lembrar que além da covid-19 o Ministério da Saúde tem muitas tarefas desafiantes a realizar, a exemplo de cuidar da atenção especializada, atenção primária, gestão do SUS, vigilância em saúde, repasses financeiros, etc.

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