sexta-feira, 15/01/2021
O fundador e presidente executivo do Lide Sergipe, Victor Rollemberg Fotos: Charles Studio

Presidente do Lide Sergipe,Victor Rollemberg, defende o retorno das atividades da construção civil no Estado

O fundador e presidente executivo do Lide Sergipe, o empresário e educador Victor Rollemberg, defende que as empresas da construção civil retornem ao trabalho imediatamente, pois foram obrigadas a paralisar as atividades em virtude de uma decisão da Justiça do Trabalho. “Em Sergipe, essa retomada representará, inclusive, um impacto positivo no âmbito social, não apenas em relação às obras públicas de infraestrutura como também no campo da moradia social, já que inúmeros empreendimentos encontravam-se em fase final de construção”, afirmou. Além da construção civil, ele também  sugere a reabertura de livrarias e papelarias, como ocorreu na Europa onde são consideradas essenciais. “Na Europa já foram abertas porque são consideradas como serviços essenciais, mas aqui no Brasil e em Sergipe nós não vimos isso. E com relação às outras empresas serem gradualmente abertas, deve-se manter o distanciamento, a proteção dos trabalhadores e consumidores, com todos os protocolos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, frisou. Ao mesmo tempo em que  o foco do Lide é o empresariado sergipano, a entidade também colabora com o Estado neste momento de pandemia, ao doar respiradores mecânicos para os Hospitais de Cirurgia e Universitário. “Neste momento histórico de grave crise sanitária, a solidariedade deve ser um fator a unir as pessoas, sejam elas físicas ou jurídicas”, ressaltou, ao acrescentar que  será muito bom que essa atitude do Lide sirva de inspiração para outras entidades. Embora o Lide seja formado por empresários – um total de 27 -, cujo faturamento das empresas é de R$ 25 milhões por ano, Victor Rollemberg defendeu,  na reunião do Comitê Gestor de Retomada Econômica (Cogere), que o Banco do Estado de Sergipe (Banese) abra linhas de crédito especiais para os pequeno e microempresários sergipanos, afetados com  o fechamento das empresas, devido à covid-19. Desde a fundação, em março de 2019, até pouco antes da pandemia da covid-19, o Lide Sergipe trouxe para uma palestra o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, e convidou para o debate os senadores por Sergipe, Alessandro Vieira (Cidadania) e Rogério Carvalho (PT), mediados pela jornalista Mônica Waldvogel. “Nossa entidade é apartidária, conversamos com todos”, disse Victor Rollemberg que, sábado, 6, conversou com o Só Sergipe.

SÓ SERGIPE – O senhor, como presidente executivo do Lide Sergipe, integra o Cogere e esteve na reunião com o governador Belivaldo Chagas que quer flexibilizar e começar a reabrir as atividades econômicas a partir do dia 15. Como o senhor avalia o plano que foi apresentado? Sergipe está pronto?

VICTOR ROLLEMBERG – O Plano apresentado pelo Governo do Estado fundamenta-se em dados técnicos. Verificamos que as decisões do Governo foram e serão pautadas por critérios objetivos e entendemos ser este o papel do Estado diante de um tema como este. A nossa participação no Cogere tem o intuito de contribuir com informações e ideias, sempre com responsabilidade, independência e razoabilidade.

SS – O avanço da covid-19 é preocupante no Estado e os números de casos e mortes crescem todos os dias. Para o senhor, como equilibrar a necessidade de se preservar a vida das pessoas e a sobrevivência das empresas?

VR – O caminho principal é, cada vez mais, investir na estrutura de saúde, seja em postos municipais, na hospitalar, de forma descentralizada, para não ficar somente em Aracaju, mas no interior do Estado. Fornecer equipamentos de proteção individual para os profissionais da saúde. E as empresas, que ficaram fechadas até este momento, terem facilidade de crédito no Banese, se o governo quiser que elas continuem fechadas por mais um ou dois meses. Ou seja, facilidade de crédito junto ao Banese e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social). Acho que, também é necessário reabrir empresas de serviços essenciais, como livrarias, papelarias. Na Europa já foram abertas porque são consideradas como serviços essenciais, mas aqui no Brasil e em Sergipe nós não vimos isso. E as outras empresas serem gradualmente abertas, mantendo o distanciamento, a proteção dos trabalhadores e consumidores, com todos os protocolos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

SS- No início da semana, o Lide Sergipe fez a doação de respiradores para o Cirurgia e Hospital Universitário.  É um exemplo que deve ser seguido por outros setores da sociedade?

VR – Adotamos essa postura porque a responsabilidade social é valor inerente ao Lide. Neste momento histórico de grave crise sanitária, a solidariedade deve ser o fator a unir as pessoas, sejam elas físicas ou jurídicas. Como educador, entendo que o exemplo move condutas e ficaremos felizes se a nossa iniciativa servir de estímulo a outras empresas e entidades a pensarem de forma coletiva.

Os serviços da construção civil estão suspensos por decisão judicial Foto: CREA

SS –Um dos setores que está prejudicado é o da construção civil que, apesar da sua importância, foi obrigado a parar por decisão judicial. Como o senhor analisa essa questão? Há como buscar uma conciliação?

VR – Defendemos a retomada da construção civil, atividade que possui peculiaridades que minimizam muito o risco à saúde dos trabalhadores. Em Sergipe, essa retomada representará, inclusive, um impacto positivo no âmbito social não apenas em relação às obras públicas de infraestrutura como também no campo da moradia social, já que inúmeros empreendimentos encontravam-se em fase final de construção.

SS – O Lide Sergipe tem uma demanda, hoje, que é buscar o apoio do Banese para abertura de linhas de crédito para pequenos e microempresários. Na reunião do Cogere, o senhor colocou esse ponto de vista para o governador? Qual foi a resposta dele?

VR – Essa é uma demanda inicial do Lide e que foi muito bem recebida pelo Governo. A abertura de linhas de crédito especiais é medida fundamental para a sobrevivência de várias empresas. Temos solicitado, agora, que tanto o Banese quanto o BNDES imprimam celeridade aos procedimentos internos de aprovação e estamos confiantes que assim será feito.

SS- A sua atividade empresarial é a educação (Curso G 8). Como será a retomada deste setor e como sua empresa, particularmente, está se preparando?

VR – A retomada deste setor está prevista voltar entre o dia 20 a 27 de julho, embora ainda não seja um cenário certo. Estamos dependendo, ainda, da regularização, tanto do Governo do Estado como Ministério da Saúde traçarem. O G 8 vem se preparando, de algumas formas que acreditamos que será o direcionamento do Ministério da Saúde e Secretaria de Estado da Saúde, e também da Fenem e Secretaria de Estado da Educação, que é manter o distanciamento das carteiras nas salas de aula, proteção para os alunos e funcionários, todos com máscaras e viseiras, álcool em gel separado para todos os ambientes escolares, intervalo separados, horários de aulas diferenciados e o ensino híbrido. Um dia teremos parte das aulas presenciais e outras à distância. E teremos rodízio durante a semana de alunos. Exemplo: o que vai na segunda, não vai na terça e assim por diante, durante todo o semestre.

SS – Bom, agora falando somente do Lide Sergipe, o que defende esta entidade criada em março do ano passado? São 27 associados, confere?

VR – O Lide propõe-se a mobilizar os principais líderes do Estado, promovendo ações e debates em favor do desenvolvimento de Sergipe. Inaugurado há pouco mais de um ano, são 27 empresas filiadas que se conectam entre si e com corporações e entidades nacionais e internacionais.

O vice-presidente Hamilton Mourão em Sergipe, no dia 4 de outubro de 2019 

SS – Quais são os direitos dos que se associam ao Lide Sergipe?

VR – A empresa filiada adquire o direito de participar de todos os eventos nacionais e internacionais promovidos pelo Lide Global, conectando-se com demais empresas. Aqui em Sergipe, os filiados participam de eventos com jornalistas, economistas técnicos e autoridades de altíssimo nível, a exemplo do almoço-debate com o vice-presidente da República Hamilton Mourão, ocorrido no final do ano passado.

SS – O que o associado do Lide Sergipe pode esperar da instituição. Num bom sentido, claro, qual a vantagem de se estar nesse grupo?

VR – A vantagem de fazer parte do Lide é que os empresários vão participar de eventos diferenciados, terão uma cadeia de network nacional e internacional e também poderão ter conteúdo e informações privilegiadas na área da economia, política, cidadania e, principalmente, no setor de negócios.

SS – O Lide existe nacional e internacionalmente. O intercâmbio, network são uma constante neste seleto grupo? Vocês trocam experiências?

VR – Nós temos cadeias nacionais e internacionais. Temos o Lide Alemanha, Itália, Portugal, Espanha, China, Austrália e também Flórida, nos EUA. Elas são muito importantes porque o empresário no Brasil que quiser fazer negócios nestes países, temos essas plataformas para facilitar o trâmite de muita documentação e, também, de buscar parceiros internacionais para vender produtos. Então uma empresa sergipana que pensa em estreitar o relacionamento com a Itália, fornecendo produtos, o Lide Itália dará toda uma sequência de informações, de assessoria, para que estes produtos entrem no país com mais facilidade. E vice-versa. Essas unidades internacionais é a sede do Lide,  por exemplo, uma empresa italiana sabendo que existem empresas aqui filiadas ao Lide, vão ter estreitamento de laços e facilitação nesse network.

Debate com os senadores Rogério Carvalho e Alessandro Vieira mediado pela jornalista Mônica Waldvogel, também no dia 4 de outubro 

SS – Embora o papel de atrair empresas seja do Estado, enquanto ente federativo, o Lide, com o conhecimento que tem, pode contribuir de que forma para a chegada de novos empreendimentos em Sergipe?

VR – O Lide Sergipe tem condições muito concretas de atrair investimentos para o Estado, através da sua grande gama de network que tem com empresários nacionais e internacionais.  Neste momento nós estamos tentando focar um grande empreendimento para o Estado de Sergipe, em determinado local para a área do turismo. Não posso entrar nos detalhes porque as conversas ainda estão sendo iniciadas, mas será um empreendimento de grande impacto para o nosso Estado, inclusive, aproveitando a proximidade do aeroporto de Aracaju.

SS – O senhor tem deixado claro que o Lide Sergipe não tem pretensões políticas, tanto que já convidou para o debate dois senadores que, politicamente, têm posições diferentes. Mas, se no futuro algum dos integrantes desejar seguir a carreira política, ele terá que deixar a entidade?

VR – O Lide Sergipe é uma entidade apartidária, plural, recebemos todos os segmentos e partidos políticos.  Nos comunicamos muito bem com os governos federal, estadual e municipal. Entretanto, se algum membro do Lide quiser ser candidato, ele não participará da entidade, podendo colocar outra pessoa no lugar, mas diretamente ele não entra. Isso está em nosso Estatuto. Nós não filiamos políticos, o Lide não permite  a filiação deles. Então, por isso, temos essa independência e a preservamos. Na verdade, é contraditório defender os interesses dos empresários e defender outros que, quando entram na política, têm interesses de diversos segmentos também.

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