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NÃO DEFENDER A UFS É ATACAR SERGIPE

Publicado em 14 de maio de 2019, 15:43


Ainda que alguns não percebam, não há como negar que a Universidade Federal de Sergipe (UFS) é um dos elementos caracterizadores do que vem a ser o povo sergipano. Em seus 52 anos como fundação, a UFS, ao mesmo tempo, tanto foi moldada quanto moldou a sociedade do pequeno estado nordestino.

Por isso não soou estranha a reação da comunidade sergipana ao conjunto de declarações proferidas pelo Sr. Onyx Lorenzoni, Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República. Atacar a UFS, pelo menos para os que não são desprovidos da consciência do que a referida Instituição representa, é o mesmo que agredir Sergipe.

A ABRANGÊNCIA DA UFS

Além de ter formado, no decorrer de toda a sua existência, boa parte das camadas dirigentes daquela unidade federativa, em 2017, havia na UFS, na média dos dois semestres letivos, um contingente de mais de 25,2 alunos matriculados na graduação e na pós-graduação.

Isso equivale a 1,1% da população estadual com a oportunidade de estar matriculado em um curso de nível superior de qualidade. Em Alagoas, essa proporção é 0,7% e, na Bahia, de tão somente 0,3%.

Claro que a geografia ajuda nesse sentido, mas sem a UFS, muito dificilmente o povo sergipano teria acesso a vagas em 14 programas de Mestrado Profissional, 44 de Mestrado Acadêmico e 16 de Doutorado.

Ao contrário do proferido pelo Sr. Ministro Lorenzoni, a UFS possui quatro programas de pós-graduação com Avaliação 5 na Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES), enquanto que outros 16 são de Nível 4.

Entre 2010 e 2018, o custo corrente real da UFS, aí já incluso o dispêndio com o Hospital Universitário, foi de R$ 349,4 milhões para R$ 592,7 milhões, o que representa crescimento anual de 7,8%, e de 69,8% no período.

No entanto, isso não é resultado de uma administração perdulária. Isso é efeito de um esforço promovido pela UFS para interiorizar a sua ação, numa expansão tanto na infraestrutura física quanto no aumento no número de opções de cursos e de ingressantes.

A prova desse aumento no grau de eficiência da UFS é perceptível quando se vê que, entre 2015 e 2017, o custo por Aluno Equivalente cresceu apenas 0,87%, algo bem abaixo da inflação oficial, que foi de 20,6% no período.

Outrossim, nesse mesmo biênio, a Taxa de Sucesso na graduação, um indicador anual que demonstra a porcentagem de diplomados em um referido ano em relação ao total de ingressantes retroativos considerando o tempo mínimo de integralização de cada curso, foi de 34,7% para 40,3%, ou seja, um crescimento de 16,22%.

Além disso, no alvorecer do Século XXI, o interior sergipano viu brotar unidades educacionais da UFS nas cidades de Itabaiana, no Agreste sergipano, em Lagarto, no Centro Sul, em Laranjeiras, na área metropolitana, e em Nossa Senhora da Glória, no Alto Sertão.

E não apenas o ensino é interiorizado pela UFS, a pesquisa também. Das 1.441 bolsas de iniciação científica existentes naquela Universidade, em 2017, 328 foram destinadas a alunos matriculados nas unidades do interior.

A UFS É SINÔNIMO DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM SERGIPE

A Universidade Federal de Sergipe produz ciência. No ano de 2017, foram 55 livros editados, 1.711 artigos científicos publicados, 128 capítulos de livros escritos por membros de sua comunidade e 30 patentes registradas.

Alguém pode até alegar que esses não são números titânicos, se comparados a outras instituições Brasil afora, mas, não fosse a UFS, quem faria algo semelhante num estado como Sergipe?

A UFS é uma instituição democrática: grande parte de seus bancos estão ocupados por alunos egressos da Rede Pública de Ensino secundário, em sua maioria membros das classes C e D. E também em sua maioria são pardos e negros. Não, essa ideia de uma Universidade elitista não cola na “Federal”.

E apesar de pequena, a UFS consegue ser uma referência até para jovens de outros estados. Quantos não foram os que saíram do sertão baiano ou alagoano e mesmo de capitais desses estados para vir aprender na instituição?

Quem estudou ou ensinou lá sabe que, ao contrário do que inventam os detratores, o que ocorre diariamente nos corredores e nas salas da UFS é o mais genuíno esforço de pessoas que viram no conhecimento o melhor caminho para mudar suas vidas e das pessoas com quem elas se importam.

As palavras do Sr. Ministro Lorenzoni, além de calcadas em desinformações, atingem não somente a comunidade acadêmica da UFS, mas a sociedade sergipana como um todo, porque são poucas as IFES que conseguem ter tamanha identificação com o seu estado.

Logo, a Universidade Federal de Sergipe deve ser protegida pelo povo sergipano porque, sem ela, muito do que temos e do que lutamos para conservar não teria condições de ser. Na escala atual, não haveria pesquisa, não haveria extensão e não haveria ensino de nível superior nem na capital e, muito menos, no interior. E aquilo o que nós hoje achamos ser Sergipe, com certeza, não o seria!

 

Emersson Sousa – Economista

Fábio Salviano – Sociólogo

 

 

 

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