quinta-feira, 15/10/2026
Rodrigo Rocha, IEL
Rodrigo Rocha, economista do IEL: "As empresas precisarão reforçar o controle de custos, proteger as margens e aumentar a eficiência operacional"

Fim da escala 6×1 exige mais produtividade das empresas, alerta economista do IEL

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Rodrigo Rocha defende investimentos em tecnologia e gestão para conter custos; indústria, supermercados e construção civil manifestam preocupação com os efeitos da redução da jornada

Antônio Carlos Garcia

A aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado Federal exigirá das empresas sergipanas investimentos em tecnologia, inovação e eficiência para compensar o aumento dos custos e evitar que sejam integralmente repassados aos consumidores. A avaliação é do economista Rodrigo Rocha, superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL)  e economista da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (Fies). A mudança reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários.

Rodrigo cita estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que projeta alta média de 6,2% nos preços ao consumidor em decorrência da redução da jornada. Entretanto, considera fundamental que os empresários busquem alternativas para absorver parte das despesas.

“Quanto dos novos custos será possível compensar com mais eficiência e produtividade, antes de repassá-los integralmente ao consumidor?”, questiona.

Entre as medidas recomendadas estão o uso de inteligência artificial para reduzir desperdícios e retrabalho, a transformação digital, a melhoria da gestão de estoques e a reorganização das escalas de trabalho. O economista também defende maior controle sobre custos, produtividade por hora trabalhada e margens de lucro.

“Em um ambiente de pressão crescente sobre os custos, uma gestão eficiente é essencial para garantir a competitividade e a continuidade dos negócios”, afirma.

Entidades empresariais manifestam preocupação

A CNI considera preocupante a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. Segundo a entidade, a redução da jornada poderá elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e provocar queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB). O presidente da confederação, Ricardo Alban, criticou a falta de um debate mais aprofundado sobre os impactos econômicos da medida.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) também criticou a rapidez da votação. Seu presidente, João Galassi, defendeu uma discussão mais ampla sobre os efeitos da mudança, especialmente sobre os custos operacionais e a reorganização das equipes.

Em Sergipe, a Associação Sergipana de Supermercados não se pronunciou sobre a aprovação da PEC.

Na construção civil, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) alerta para possíveis aumentos de custos e atrasos nas obras. Segundo a entidade, a redução da jornada poderá exigir a contratação de aproximadamente 288 mil trabalhadores adicionais no país, com custo anual estimado em R$ 13,5 bilhões.

A Associação Sergipana dos Empresários de Obras Públicas e Privadas (Asseop) também não se pronunciou sobre a mudança.

A PEC foi aprovada pelo Senado na quarta-feira (14) e segue para promulgação. A jornada será reduzida inicialmente para 42 horas semanais, dois meses após a promulgação, chegando a 40 horas depois de mais um ano. A proposta também assegura dois dias de descanso remunerado por semana.

Para Rodrigo Rocha, a modernização dos processos e o aumento da produtividade serão decisivos para que as empresas se adaptem às novas regras sem comprometer a competitividade

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