segunda-feira, 11/05/2026
Cesta básica Dieese
Dieese diz que o salário-mínimo deveria ser de R$ 7.106,83 Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Cesta básica em Aracaju é a mais barata do Nordeste e do Norte, mas registra leve alta em dezembro

Compartilhe:

A cesta básica em Aracaju fechou dezembro de 2025 com custo médio de R$ 539,49, o menor valor entre as capitais do Norte e do Nordeste e um dos mais baixos do país. Apesar disso, houve alta de 0,26% em relação a novembro, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mesmo com o aumento mensal, o valor da cesta na capital sergipana ficou bem abaixo de outras capitais nordestinas, como Maceió (R$ 589,69), Recife (R$ 596,10), João Pessoa (R$ 597,66), Natal (R$ 597,15) e Salvador (R$ 607,48).

Em dezembro, a cesta básica ficou mais cara em 17 capitais brasileiras, não apresentou variação em João Pessoa e registrou queda nas demais. A maior alta do país ocorreu em Maceió (3,19%), seguida por Belo Horizonte (1,58%), Salvador (1,55%), Brasília (1,54%) e Teresina (1,39%). As quedas mais expressivas foram observadas na região Norte, com destaque para Porto Velho (-3,60%), Boa Vista (-2,55%), Rio Branco (-1,54%) e Manaus (-1,43%).

No ranking nacional, São Paulo manteve a cesta básica mais cara do país, com custo médio de R$ 845,95, seguida por Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06) e Cuiabá (R$ 791,29). Já nas regiões Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju, Maceió, Porto Velho (R$ 592,01) e Recife.

Vilões e alívio no bolso em Aracaju

Em Aracaju, entre novembro e dezembro de 2025, quatro dos 12 produtos da cesta básica apresentaram aumento de preço, sendo considerados os principais vilões do mês: carne bovina de primeira (1,88%), banana (1,25%), feijão carioca (1,00%) e manteiga (0,99%). O preço do leite integral permaneceu estável no período.

Por outro lado, sete produtos apresentaram queda, ajudando a conter um aumento mais expressivo da cesta: tomate (-5,15%), arroz agulhinha (-2,04%), açúcar cristal (-1,35%), café em pó (-1,17%), óleo de soja (-1,10%), pão francês (-0,33%) e farinha de mandioca (-0,15%).

Na comparação anual, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, a cesta básica em Aracaju acumulou queda de 2,63%. Nesse período, quatro itens registraram alta: café em pó (51,33%), feijão carioca (1,88%), carne bovina de primeira (1,20%) e pão francês (0,83%). Já os produtos que ficaram mais baratos no acumulado de 12 meses foram arroz agulhinha (-20,72%), tomate (-20,27%), açúcar cristal (-13,30%), leite integral (-10,95%), óleo de soja (-7,34%), manteiga (-3,05%), banana (-2,80%) e farinha de mandioca (-1,20%).

Pressão nacional puxada pela carne e pela batata

No cenário nacional, um dos principais responsáveis pela elevação do custo da cesta básica foi a carne bovina de primeira, que subiu em 25 das 27 capitais pesquisadas. As maiores altas ocorreram em Maceió (4,50%), Belo Horizonte (3,49%), Manaus (3,06%) e Teresina (3,01%). Segundo o Dieese, o aumento é explicado pelo aquecimento da demanda interna e externa e pela oferta restrita do produto.

A batata, pesquisada apenas no Centro-Sul, também apresentou alta na maioria das capitais, com exceção de Porto Alegre, onde houve queda de 3,57%. No Rio de Janeiro, o aumento chegou a 24,10%. As chuvas e o fim da colheita explicam a elevação do preço do tubérculo.

Outros produtos apresentaram comportamento diverso no país. O preço da farinha de trigo subiu em Brasília (2,98%) e Curitiba (0,95%), mas caiu nas demais capitais do Centro-Sul. O leite integral ficou mais barato em 22 das 27 cidades, reflexo da maior oferta interna. O arroz agulhinha teve redução de preço em 23 capitais, influenciado pela menor demanda e pelo menor volume exportado. O açúcar apresentou queda em 21 capitais, enquanto o café em pó diminuiu em 20 cidades, impactado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelas incertezas nas exportações. O óleo de soja ficou mais barato em 17 capitais, devido à maior oferta global da soja.

Impacto no salário do trabalhador

Com base na cesta básica mais cara do país, registrada em São Paulo, o Dieese estimou que, em dezembro de 2025, o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 7.106,83, o equivalente a 4,68 vezes o salário mínimo vigente, que era de R$ 1.518,00. O valor considera que o salário deve ser suficiente para cobrir despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Em Aracaju, o trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou trabalhar 78 horas e 11 minutos para adquirir a cesta básica em dezembro de 2025, mais tempo do que em novembro, quando eram necessárias 77 horas e 59 minutos. Em dezembro de 2024, esse tempo era significativamente maior: 86 horas e 20 minutos.

Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o trabalhador aracajuano comprometeu 38,42% da renda para comprar os itens básicos da cesta em dezembro de 2025. Em novembro, o percentual era de 38,32% e, em dezembro de 2024, chegava a 42,42%.

Os dados reforçam que, apesar da leve alta mensal, Aracaju segue com a cesta básica mais barata do Norte e Nordeste, mantendo uma posição relativamente mais favorável para o consumidor em comparação com outras capitais da região e do país.

Compartilhe:

Sobre Antonio Carlos Garcia

Editor do Portal Só Sergipe

Leia Também

Complexo Viário Senadora Maria do Carmo Alves

Viaduto do Complexo Maria do Carmo será entregue no dia 27 de maio

Com investimento inicial superior a R$ 318 milhões, o Complexo Viário Senadora Maria do Carmo …

WhatsApp chat