terça-feira, 31/08/2021
Ala Indígena no Hospital Nilton Lins, em Manaus Foto: Ministério da Saúde

Um ano de Covid-19 no Brasil: a região Norte

Economia Herética/ Emerson Sousa

O primeiro caso de Covid-19 oficialmente notificado na região norte se deu no Amazonas, no dia 13 de março de 2020. Era uma mulher, de 39 anos, que acabara de voltar de Londres com a doença.

Daí em diante, o norte do país viu-se arrastado para um sumidouro que, até o dia 6 de março de 2021, contaminou 1.199.677 pessoas e vitimou 28.133 dentre essas.

Dessa forma, o Norte, que possui 8,8% da população brasileira, respondia até então por 11,0% das ocorrências e por 10,6% dos óbitos ocorridos em solo pátrio.

Nessa data, a região apresentava uma taxa de 65.009 contaminações para cada 1 milhão de habitantes e um nível de 1.526 mortes para, também, 1 milhão de residentes.

Apenas para fins de comparação, o Brasil possui indicadores de 52.053 casos por 1 milhão de pessoas e 1.258 mortes por 1 milhão de moradores.

Se um país fosse, o Norte do Brasil seria a 23ª maior proporção de casos do mundo, à frente de nações como Reino Unido e França, e a 15ª maior magnitude de mortalidade do planeta, superando celeiros de morte como o México, o Peru e a Suécia.

Repare que, do cruzamento desses dois números se extrai outra triste constatação: o Norte cuida mal dos seus acometidos pela Covid-19.

Isso porque, em toda a Terra, desde o início de 2020, o Sars-CoV2 matou um volume de 2,22% dos contaminados. Na região Norte, essa fração é de 2,35% dos casos.

Em termos práticos, isso significa que se os sete estados da região convergissem para a média internacional – que não é pequena! – 1.500 famílias não teriam chorado seus mortos nesse período.

Desde a chegada do novo coronavírus, em média, o norte vem notificando 3.360 casos diários e sepultando 79 acometidos pela pandemia.

Sob esses prismas, seus piores dias foram 23 de junho de 2020, quando se registraram aproximadamente 9,1 mil casos, e 21 de maio do mesmo ano, quando foram contabilizadas 313 mortes.

Em 4 de março de 2021, por sua vez, a média móvel de 14 dias era de 5,13 mil diagnósticos diários e de 161 falecimentos por dia.

Comparando-se os elementos desse hepteto federativo, é possível identificar a existência de três grupos de conduta no que tange à interação entre as taxas de contaminação e a de mortalidade por 1 milhão de habitantes.

O primeiro, com indicadores piores do que o da região norte, é formado por Amazonas (78.080 casos por 1 milhão de habitantes e 2.712 óbitos por 1 milhão de habitantes), Rondônia (87.945 e 1.726) e Roraima (138.248 e 1.927).

O segundo é composto por Acre (68.110 e 1.195), Amapá (100.768 e 1.367) e Tocantins (75.177 e 2.712), que apresentam um grau de contágio maior do que o da região, mas uma mortalidade menor.

Por fim, o Pará (43.298 e 1.032) formata um conjunto unitário com níveis de desempenho melhores do que o de todo o Norte. Por sinal, a situação desse estado é menos pior até que a do Brasil.

Segundo um estudo publicado pelos Cadernos de Saúde Pública (vol. 36 e n. 7), em julho de 2020, esse cenário expressa a seriedade da epidemia numa seara socialmente iníqua e de anêmica efetividade governamental.

Em suma, era uma tragédia anunciada!

Leia amanhã: Um ano de Covid-19 no Brasil: a região Nordeste 

(*) Emerson Sousa é Mestre em Economia e Doutor em Administração

** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe

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