sábado, 17/07/2021
Os números do Caged não batem com a realidade, segundo economista Foto: Agência Brasil

Dados do Caged causam estranheza para o economista do Dieese

“É estranho esse dado do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que não bate  com a situação do país, com a economia brasileira”. A reação é do economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), Luiz Moura, ao analisar a pesquisa do Caged de que o Brasil fechou o ano de 2020  gerando 142.690 postos de trabalho. Em Sergipe, segundo ele, a situação condiz com a realidade, pois houve uma  perda de -4.475 vagas.

“Esse saldo de 142.690 foi uma surpresa geral, porque vivemos numa pandemia, em uma das maiores crises da nossa história. Tivemos queda do Produto Interno Bruto (PIB), vários setores da economia paralisados e quando você olha o dado da Secretaria de Emprego, só o setor de serviços teve saldo negativo (-132.584). O comércio teve saldo positivo de 8.130 trabalhadores. O comércio estava praticamente paralisado, com os empresários reclamando. E o comércio não era o mais grave. O pior foi o setor de serviços, que abarca bares, restaurantes, hotéis, educação, enfim todos estavam paralisados  e o saldo negativo foi de apenas 132 mil”, avaliou.

A indústria brasileira teve um saldo positivo de 95.588, a agropecuária, que é um atividade sazonal, saldo positivo de  61.637. “Na construção civil foi gerado 112.174 postos de trabalho”, frisou.

Sergipe

Enquanto os dados do Brasil causam estranheza ao economista, a situação em Sergipe é mais verossímil. De janeiro a dezembro de 2020 ocorreram 72.680 admissões, contra 77.155, com saldo negativo de  -4.475 empregos.  Dos cinco setores analisados, somente a indústria fechou com saldo positivo: foram 14.415 admissões, contra 14.194, saldo positivo de  221.

No setor de serviço, que no Brasil cresceu, em Sergipe diminuiu. Foram admitidas 27.595 pessoas e demitidas 30.399, saldo negativo de  -2.804; na construção civil, 10.741 admissões e 11.839 desligamentos, saldo negativo de -1.098;  agropecuária, com 2.477 admissões e  2.962 desligamentos, saldo negativo de  -485; comércio, com 17.452 admissões e 17.761 desligamentos, saldo negativo de -309 postos de trabalho.

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