Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)
É inegável a contribuição da Rede Globo para a história do entretenimento no Brasil, sobretudo por conta de suas novelas de qualidade. Mas, ao longo dos anos, desde sua fundação, sua credibilidade é questionada quando ela interfere na vida política do país, de modo particular por meio de uma cobertura jornalística que fere princípios como isenção, responsabilidade e verdade.
Assunto da última semana nas redes sociais, a desastrosa e tendenciosa arte de um PowerPoint criado em torno do escândalo do Banco Master colocou, mais uma vez, a empresa, mais de perto o programa Estúdio i, numa onda avassaladora de questionamentos políticos e também de outros setores, como o do jornalismo brasileiro. O péssimo ruído levou a emissora, por meio da jornalista Andréa Sadi (visivelmente constrangida), na última segunda-feira, a pedir desculpas pela atabalhoada arte, sem se desculpar com as pessoas e instituições envolvidas no caso, a exemplo do presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores, entre outros. Afora deixar de fora quem realmente está implicado no caso.
Esta não foi a primeira vez que a Rede Globo fez bobagem, leia-se mais uma desfaçatez e um de tantos outros equívocos que a empresa cometeu numa trajetória, que não fosse isto, seria mais digna de celebração e aplausos do que de desconfiança e questionamentos. Quando os Marinhos são traídos pela vaidade, pela soberba, subestimando a inteligência e a sensibilidade do povo brasileiro, que os mantém e os sustenta, dá e deu nessa esparrela “jornalística”.
Num tempo recente, é bem verdade que a Rede Globo foi importante na luta contra a desinformação durante a pandemia de COVID-19, como também contra o flerte da turma de extrema-direita com um eventual novo golpe militar no Brasil. Mas, essa mesma emissora, em outros tempos, andou pisando na bola ou, para não ser injusto, apostando errado.
Para ilustrar essa assertiva, vou me valer de três situações, duas de cunho histórico e uma no que diz respeito à sua programação.
A TV Globo foi fundada durante o regime militar brasileiro, no dia 26 de abril de 1965. Por isso mesmo, foi omissa com relação aos desmandos dos governos militares, vindo a engrossar a campanha pró-diretas somente quando viu que era um desejo da maioria da população.
Durante as primeiras campanhas para a presidência do Brasil redemocratizado, em 1989, colaborou para demonizar candidaturas de esquerda, como as de Leonel Brizola e principalmente a de Lula, e abraçou a campanha de Fernando Collor, eleito e depois alvo de impeachment por corrupção. E por conta também de corrupção, atualmente preso domiciliar, numa bela e rica cobertura de Maceió.
Embora não seja um terceiro exemplo, mas para corroborar os dois anteriores, essa mesma Globo embarcou na onda do lavajatismo do juiz Sérgio Mouro, que abriu espaço para a ascensão do líder de extrema direita à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro, cassado e preso por tentativa de golpe de estado.
Por fim, pergunto: qual a contribuição efetiva para a vida social e cultural do país do programa Big Brother? Nessa esteira de produzir porcarias e dar mancadas políticas nas últimas décadas, a emissora carrega o epíteto de “Globo Lixo”, seja da direita, do centro ou mesmo da esquerda política do Brasil, de acordo com as conveniências de momento, que a mesma emissora provoca com sua inconstância.
Infelizmente nada do que foi expressado aqui sobre a Rede Globo não se trata de um “qualquer semelhança é mera ficção”. Gostaria muito de fazer memória de uma emissora que aprendi a admirar, quando ocupou seu precioso tempo a nos brindar com: “Sitio do Pica Pau Amarelo”, “Fantástico”, “Chacrinha”, “Show da Xuxa”, “Globo Repórter” (dos tempos de Sérgio Chapelin), “Globo de Ouro”, “Altas Horas”, “Programa do Jô”, “Chico Anysio”, “Turma do Balão Mágico”, “Os Trapalhões”, “O Bem Amado”…
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