sexta-feira, 15/01/2021
Universidade Federal de Sergipe

UFS, ensino público que honra Sergipe e a judicialização

Valtênio Paes (*)

Quando o celeiro do saber sofre intervenção política é grande o prejuízo para a ciência. Continuemos esperançar! Com brevidade, que tudo volte ao leito da harmonia para todos. Apesar do ministro Onyx Lorenzoni ter feito comparação equivocada conforme nossa manifestação em Ministro despreparado faltou com a verdade com UFS e com os sergipanos em 3/05/2019, os dados confirmam nosso entendimento. Hoje, os fatos são ainda mais robustos no fortalecimento de nossa argumentação. Relatórios oficiais apontam para uma Universidade Federal de Sergipe (UFS) sólida e propulsora na construção do saber para Sergipe e para o mundo.

Do saudosismo dos anos 60 e 70 do século XX, lembra-se da rua Campos com o Instituto de Filosofia e Educação, da rua Estância com a Faculdade de Serviço Social, da rua da Frente com a Faculdade de Direito, do Instituto de Química na Vila Cristiana e do curso de Medicina no Hospital Cirurgia. Instalada como Fundação Universidade Federal de Sergipe, no dia 15 de maio de 1968, possui atualmente seis campi espalhados por Aracaju, Lagarto, Laranjeiras, Itabaiana, Glória e São Cristóvão, com atuação em todo o estado de Sergipe e além fronteiras. Registremos o reconhecimento da grande contribuição científica, social e cultural da Universidade Federal de Sergipe para a população.

Campus da UFS em Lagarto

Segundo relatório publicado pela instituição, o Campus de São Cristóvão praticamente dobrou de tamanho em área construída. A Universidade Federal de Sergipe transformou-se na maior unidade geradora de energia fotovoltaica do Estado. Mais de “80% dos docentes efetivos da UFS possuem título de doutor”. Com “1.523 docentes efetivos, dos quais 1.060 são doutores, além de 43 professores lotados no Colégio de Aplicação. O corpo administrativo é composto por 1.442 técnicos. No momento, a UFS conta com 113 opções de cursos de graduação, 46 mestrados acadêmicos, 10 mestrados profissionais e 20 doutorados acadêmicos. Abarca 2.601 alunos nesses cursos de pós-graduação. E acolhe 27.000 alunos na graduação, sendo 25.137 na modalidade presencial e quase 2.000 na modalidade Educação a Distância, matriculados nos polos de São Cristóvão, Nossa Senhora das Dores, Lagarto, Carira, Poço Verde, São Domingos, Propriá, Glória, Japaratuba, Brejo Grande, Estância, Arauá e Porto da Folha.”

Ainda conforme o relatório, “o avanço na qualificação docente resultou na crescente participação da UFS no cenário científico nacional. A Universidade Federal de Sergipe é a 8ª instituição universitária brasileira, e primeira do Nordeste, mais bem classificada no World University Rankings 2021, promovido pela Times Higher Education (THE). É a primeira vez que uma instituição de Sergipe aparece no ranking, uma avaliação independente, considerando parâmetros e critérios de qualidade internacionais, que classifica as melhores instituições de ensino superior e pesquisa no mundo. Quase 10 mil atividades de Extensão, como projetos, cursos e eventos, foram ou estão sendo desenvolvidas nas diversas áreas e setores da sociedade”.

A Universidade Federal de Sergipe está entre as 20 que apresentam melhor desempenho segundo a base de dados Web of Science, desde o fim da década de 1960, sem a UFS. Essa foi a primeira vez que a UFS foi classificada na pesquisa. E entre as outras cinco universidades brasileiras estreantes neste ano, foi a única a aparecer como uma das 8 melhores no Brasil, ocupando posição no bloco 601-800 no ranking geral.

Em julho deste ano, na edição anual do ranking de universidades latino-americanas do THE, a Universidade Federal de Sergipe apareceu como, 1ª do Brasil e 9ª geral no quesito citações. Nos demais critérios, a UFS ficou na 62º posição, à frente ou muito próxima de outras grandes universidades da região, como a Universidade Autônoma do Chile (61º), a Universidade Federal do Pará (64º), a Universidade Autônoma do Estado do México (67º) e a Universidade Federal de Juiz de Fora (70º).

Adriano Antunes, Lucindo Quintans e André Faro (Foto: FS/Reprodução)

Segundo a Rádio UFS de 19 de novembro de 2020,  os radialistas Abel Victor e Josafá Neto divulgaram que “Três professores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) estão na lista dos 100 mil cientistas mais influentes do mundo”. Adriano Antunes Araújo do Departamento de Farmácia, Lucindo José Quintans Jr do Departamento de Fisiologia e André Faro Santos do Departamento de Psicologia aparecem entre os 853 pesquisadores brasileiros que compõem o ranking. O levantamento da Universidade de Stanford (EUA) foi publicado no último dia 16 de outubro no Journal Plos Biology, considerando os impactos científicos em número de citações.

Apesar da bela história da instituição querelas internas ensejaram pedido de inquérito arquivado sob o nº 1.35.000.000178/2020-31. “Objeto: Apuração de possíveis irregularidades no processo eleitoral para a escolha do reitor da Universidade Federal de Sergipe”. De fato e direito, houve a Promoção de Arquivamento nº 54/2020/3º OCC-LCM (PR-SE- 00026866/2020). O Ministério de Educação, desavisadamente, fez intervenção desconsiderando a nomeação do professor Valter Juviniano. Atente-se que todos os atos investigativos na esfera federal buscados não prosperaram. Espera-se que a judicialização e a intervenção cessem.

Que a autonomia universitária prevista nos artigos 53, 54,55, e 56 da LDB do ensino volte ao cotidiano na UFS; que o judiciário restabeleça, com brevidade, a ordem jurídica-administrativa na instituição; que a prática científica continue com independência; que todos se conscientizem da importância da instituição como maior patrimônio social, econômico, cultural e científico em Sergipe, para o bem de sergipanos(as) e brasileiros(as). Parabéns Universidade Federal de Sergipe pelo desempenho, nosso repúdio contra o ato intervencionista!

(*) Valtênio Paes de Oliveira é professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada -Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.

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