sexta-feira, 29/05/2020

O dilema da Selic

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David de Andrade Rocha (*)

O Relatório Focus dessa segunda feira, dia 27 de abril de 2020, veio com um dado interessante. Muitos dos economistas entrevistados veem uma possível retração no PIB devido às crises que estão acontecendo no Brasil e projetam um novo corte da taxa Selic Meta, na próxima reunião do Conselho de Políticas Monetárias (Copom) agendada para os dias 5 e 6 de maio.

Agora estamos diante de um dilema clássico, quase um paradoxo, devido à crise com a Covid-19 e a esperada recessão que em algum momento virá, reduzir a taxa Selic seria um movimento acertado, pois assim incentivaria o consumo. Mas como efeito colateral iria expulsar capital estrangeiro, o que elevaria o valor do dólar, por exemplo, já que o investidor estrangeiro veria baixa atratividade em investir no Brasil, que além de enfrentar a pandemia, está sofrendo de uma crise de confiança política.

A saída de dólares do Brasil poderia acarretar inflação e baixo nível de investimentos, mas a Selic alta poderia provocar  gastos maiores com a dívida pública e maior dificuldade das empresas se capitalizarem, para poder crescer durante os meses que se seguem. Eis aí um problema complexo para o Copom, já que ambas  situações têm lados positivos e lados negativos, resta saber qual escolher para minimizar os efeitos colaterais.

Mas, em suma, isso é macro-economia e por mais que afete nossa vida de maneira direta tendemos a pensar que não nos afetaria de maneira real. Mas como podemos nos defender dessa situação? Sendo previdentes, ou seja, poupando agora e ajustando nossos gastos para um padrão de vida menor do que estávamos acostumados, pré-covid-19.

Lembrando que se for investir, o melhor seria em ativos líquido para criar a margem de garantia, que protegerá nosso padrão de consumo por alguns meses, ou para aqueles que já têm uma boa margem, passar a criar hedges (operações de defesa) investindo em ativos dolarizados como o ouro ou fundos de dólar.

Esse é um momento de escolhas complexas no meio macroeconômico, mas também o é no nível pessoal, nossa vida irá mudar com certeza e devemos agora nos prevenir fazendo escolhas certas para que não ameacemos nosso futuro e de nossos dependentes.

Para isso, se conhecer e estudar finanças pessoas e investimentos se faz cada vez mais necessário, aproveitemos essa época para ganhar essas novas habilidades, para que assim possamos passar pela próxima crise mais tranquilos.

Um abraço e bons investimentos.

(*) David Rocha escreve semanalmente, às terças-feiras. Ele é assessor de investimentos e educador financeiro, que vive o mercado diariamente, desde 2011, e autor do livro Tesouro Direto – Um Caminho para a liberdade financeira de 2016.

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