terça-feira, 19/10/2021
Os festejos juninos no Nordeste são a expressão da alma coletiva Foto: Funcap

Festas juninas

Iginio Rivero Moreno (*)

As manifestações culturais de cada povo são expressões da alma coletiva, carregadas de toda a sua história. As artes são as expressões mas elevadas dessas sensibilidades, podendo mostrar a riqueza espiritual, crenças, costumes, tradições, e a vida mesma na originalidade que imprime o jeito dos acontecimentos históricos.

No meu país (Venezuela) também fazemos culto e homenagem ao santo padroeiro de várias localidades. San Juan Bautista (São João Batista) é venerado com toques de tambor, com uma formosa festa de Negros do nosso extenso litoral. Nosso povão mestiço, majoritariamente índio e negro não é essencialmente racista. Só alguns alienados pela influência gringa (USA) podem fazer certos comentários preconceituosos, mas as discriminações sociais são mais classistas, pelo status econômico. Nisso, as celebrações populares contribuem com a vinculação das pessoas que são combinadas por uma força maior acima das misérias humanas que são os preconceitos.

As festas juninas do Nordeste são umas das manifestações culturais da América Latina mais esplendorosas e cheias da energia que caracterizam o povo brasileiro. Tristemente, a pandemia atrapalhou as minhas possibilidades de vivenciar esse belo espetáculo, só conhecendo-o pelos vídeos.  Com Fé em Deus, que no próximo ano a gente possa olhar de perto essa alegria.

Mas além dos aspectos artísticos e tradicionais essas festas envolvem toda uma logística econômica que movimenta a economia regional de maneira extraordinária. Representando assim a potencialização do comércio artesanal, os serviços turísticos, gastronômicos e hoteleiros, gerando empregos e renda num amplo setor da população. O que representa uma perspectiva positiva de recuperação econômica na região, no próximo ano. Que assim seja. Agora, o assunto está em refletir e criar consciência sobre os fatos acontecidos nestes dois últimos anos para adequarmos e não esquecer que o trabalho pela natureza e o ambiente que moramos tem que ser cuidado e conservado, e não continuar vendo-o como uma simples fonte de exploração econômica, pelo bem de todos, agora e no futuro.

(*) Poeta e artesão venezuelano. Licenciado em Educação, especializado em Desenvolvimento Cultural pela Universidade “Simón Rodríguez”, Venezuela.

** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a).  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.

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