quarta-feira, 19/08/2026
Priscilla Navas e Caudefranklin Monteiro
Priscilla Navas e Caudefranklin Monteiro: um encontro entre poesia, memória e literatura sergipana

Encontro com a escritora Priscilla Navas

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Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)

 

Na última terça-feira, 11, tive a grata satisfação de participar de mais uma edição do projeto Encontro com o Escritor, a convite de Beneti Nascimento, coordenador de Assuntos Culturais da Escola do Legislativo de Sergipe, cujo patrono é João de Seixas Dória. Na oportunidade, com muita alegria, lancei o livro “Memórias em tons de verde e rosa – um perfil biográfico de José Cláudio Monteiro Santos (1954-2005)”, uma homenagem que faço ao meu irmão mais velho, que foi por mais de trinta anos professor da rede pública de ensino de Sergipe, tendo ocupado cargos de direção escolar e de direção regional de educação, além de ter sido vereador por Lagarto entre os anos 1982 e 1988.

Para além disto, pude conhecer pessoalmente um dos mais novos talentos da cultura e da literatura sergipana, Priscilla Navas, autora dos livros “Versos para acalmar o vento” (2025) e “Mulher ausente – derivações quase poéticas” (2026). Poetisa e cronista, Navas dividiu aquele espaço comigo numa manhã leve e repleta de sentimentos, que foram da nostalgia da memória histórica e afetiva à emoção da cultura letrada. Como não acredito em coincidência, mas sim em providência, quis Deus que meu encontro com a autora, num dia em que eu lançava uma obra de um familiar muito amado, pudesse ser com alguém com quem tenho origens comuns, visto que a poetisa é neta de uma prima carnal de meu pai.

Priscilla Navas e Caudefranklin Monteiro na Escola do Legislativo, em Aracaju

 

Priscilla Barreto Menezes Navas nasceu em Aracaju, no dia 28 de agosto de 1982. É filha de Pedro Menezes e Mara Rubia Menezes, pais, também, de Pedro Henrique Menezes. Ela fez toda a sua formação básica na capital sergipana, tendo estudado no Colégio Patrocínio de São José (até 4ª série), no Pueri Pax (a 5ª série), no Colégio Brasília (as 6ª e 7ª séries) e no Colégio Dinâmico (a 8ª série e metade do 1º ano do ensino médio, concluindo-o no Colégio Master. No ano de 2000, iniciou duas formações no Ensino Superior. Parou com o Jornalismo e seguiu somente com o Direito a partir de 2002, colando grau em fevereiro de 2005. É casada com Nirival Navas Neto, desde outubro de 2006, com quem teve as filhas Alice (2013) e Elisa (2015).

Mas o que teria feito Priscilla Navas, uma mulher do Direito, escrever prosa e poesia e, portanto, se aventurar no campo literário? Vejamos:

“Acho que sempre fui escritora, mas não declarada. Em 2020 comecei a levar mais a sério o que produzia, fiz cursos de escrita criativa, oficinas, participei de clubes de livro e fui ganhando mais familiaridade com este mundo, que também era meu, mas do qual eu vivi desconectada muitos anos”.

Entre as poetisas que influenciaram a autora, destaque para Hilda Hilt, Silvia Plath, Cecília Meireles no passado; e numa literatura contemporânea mais do tempo presente: Aline Bei, Liana Ferraz, Lília Guerra, Paula Gicovate. “Preponderantemente é a escrita de mulheres que me arrebata”, afirma Priscilla.

Na dedicatória que me fez no livro “Versos para acalmar o vento”, é possível perceber e atestar a veia sensível da poetisa, quando diz: “Para o primo Claudefranklin com muito carinho. Estes versos não acalmam ventos, mas espero que naveguem gentilmente seus mares de dentro”. A obra é prefaciada por Alessandra Cavalcante Vasconcellos e composta por dezenas de versos, divididos em quatro capítulos: Desamar, Arrumar, (Me) Amar e Amar, ao longo de densas 196 páginas. Destaque para o que chamo de versos de fôlego curto (meus prediletos, seja no fazer, seja no ler), dado que exigem toda uma capacidade de síntese criativa para dizer, em poucas linhas, muita coisa, como no poema a seguir, na página 126:

escrevo lacunas e insignificâncias

para enxergar o brilho

dos meus desacontecimentos

A autora repete o mesmo talento e toda a sua sutileza e singularidade poéticas no livro “Mulher ausente – derivações quase poéticas”. Entre os poemas, dou especial atenção a “Infinita” (p. 64): “Contar a história da vida que não houve é dizer do tempo enlutado. / Todo dia sepultar aquele amanhã grávido de possibilidades”. Este tipo de poema axiomático é uma das características da autora, nesta e na obra anterior. Prefaciado por Kelly Juste, esta segunda é dividida em duas partes, cada uma delas introduzidas por trechos de dois ícones da música popular brasileira: Cartola e Gonzaguinha.

A propósito da divulgação de “Mulher ausente – derivações quase poéticas” pela editora Patuá Epp (São Paulo), muito apropriadamente a instituição assim define a escritora sergipana e sua obra:

Sua escrita transita entre delicadeza e densidade, explorando ausências que moldam e fragmentos que constroem inteirezas. Como autora contemporânea, Priscilla consolida uma voz feminina que transforma inquietação em linguagem e faz da palavra um gesto de resistência e permanência.

Servidora pública do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, de 2005 a 2008, e atualmente do Ministério Público Federal, Priscilla Navas está entre as melhores poetisas da fornada mais recente da literatura sergipana, sem sombra de dúvidas. Sua presença no cenário cultural de nossa gente, além de ser motivo de muita satisfação para aqueles que torcem pelo fomento de novos talentos, se torna de igual modo um ponto a mais para o processo de empoderamento das mulheres no campo da arte literária, mais de perto da poética.

 

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Sobre Claudefranklin Monteiro

Claudefranklin Monteiro Santos
Professor doutor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe.

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