Bacias nordestinas tiveram áreas arrematadas, mas parte dos blocos ficou sem interessados; contratos devem ser assinados até fevereiro de 2027
O Nordeste conquistou novas oportunidades de exploração de petróleo e gás natural no leilão realizado nesta quarta-feira (7) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). As bacias Potiguar, Recôncavo, Parnaíba, Tucano Sul e Ceará tiveram blocos arrematados, embora parte das áreas oferecidas na região não tenha recebido propostas. O resultado foi positivo para a expansão das atividades exploratórias nordestinas, mas revelou um interesse seletivo das empresas, concentrado nas áreas consideradas mais atrativas.
Em todo o Brasil, o 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão arrecadou R$ 3,005 bilhões em bônus de assinatura, com 49 blocos exploratórios arrematados. Foi a maior arrecadação desde a criação desse modelo de licitação. Os investimentos mínimos previstos para a fase exploratória dos contratos somam R$ 1,582 bilhão, conforme os resultados divulgados pela ANP.
Nordeste atrai investimentos, mas registra áreas sem ofertas
Na Bacia Potiguar, localizada entre Rio Grande do Norte e Ceará, houve arrematação de blocos no setor SPOT-T4. Entretanto, outros quatro setores oferecidos na mesma bacia — SPOT-T1B, SPOT-T2, SPOT-T5 e SPOT-T3 — não receberam propostas.
Na Bahia, as bacias do Recôncavo e Tucano Sul também registraram áreas arrematadas. Em Tucano Sul, oito blocos foram adquiridos pelas empresas Alvopetro, Origem Energia e Tucano Serviços. As ofertas totalizaram aproximadamente R$ 6,52 milhões em bônus de assinatura, com investimentos exploratórios mínimos previstos de R$ 22,87 milhões.
A Bacia do Parnaíba, que abrange áreas do Maranhão e do Piauí, também teve blocos adquiridos. Já a Bacia do Ceará, situada na Margem Equatorial brasileira, registrou ofertas nos setores SCE-AP2 e SCE-AP3.
O desempenho nordestino foi, portanto, positivo pela aquisição de novas áreas exploratórias, mas desigual entre as bacias. A ausência de propostas para determinados setores indica que o interesse das empresas não alcançou todas as oportunidades oferecidas.
Os valores nacionais arrecadados não podem ser atribuídos integralmente ao Nordeste, uma vez que o leilão também contemplou blocos em outras regiões do país.
Leilão registra arrecadação recorde
Além das bacias nordestinas, o leilão contemplou a Bacia do Tacutu, em Roraima, e a Bacia de Campos, no Sudeste. Dez empresas apresentaram ofertas para os blocos exploratórios, das quais nove saíram vencedoras.
O bônus de assinatura de R$ 3,005 bilhões representou um ágio médio de 3.511,27% sobre os valores mínimos estabelecidos.
A arrecadação, entretanto, não corresponde aos investimentos previstos na exploração. O bônus de assinatura é o valor pago pelas empresas para obter os direitos de exploração das áreas, enquanto os investimentos mínimos comprometidos na primeira fase dos contratos somam R$ 1,582 bilhão.
Áreas com acumulações marginais
O leilão também resultou na arrematação de três áreas com acumulações marginais, localizadas nas bacias Potiguar e Tucano Sul.
Essas áreas, que possuem acumulações de petróleo ou gás já identificadas, despertaram o interesse de duas empresas, ambas vencedoras.
O bônus total de assinatura alcançou R$ 1,594 milhão, com ágio médio de 442,18%. Os investimentos mínimos previstos para a fase de exploração dessas áreas somam R$ 4,5 milhões.
Considerando os blocos exploratórios e as acumulações marginais, o leilão prevê aproximadamente R$ 1,587 bilhão em investimentos exploratórios mínimos.
Contratos previstos para fevereiro de 2027
As empresas vencedoras ainda precisam cumprir as etapas de qualificação, apresentar a documentação exigida e realizar o pagamento dos bônus de assinatura.
Segundo o cronograma da ANP, a homologação dos resultados está prevista até 18 de novembro de 2026. O prazo para pagamento dos bônus termina em 30 de dezembro, enquanto a assinatura dos contratos deverá ocorrer até 26 de fevereiro de 2027.
Pré-sal tem sete blocos arrematados
Também na quarta-feira, durante a manhã, a ANP realizou o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção, destinado a áreas do Polígono do Pré-Sal.
Dos 13 blocos oferecidos, sete foram arrematados, estabelecendo um recorde de quantidade de áreas contratadas em uma única rodada desse regime. No ciclo anterior, realizado em 2025, cinco blocos haviam sido arrematados.
Com o resultado, a área exploratória sob o regime de partilha aumenta 58%, alcançando aproximadamente 39,2 mil quilômetros quadrados, extensão equivalente a quase 90% do território do estado do Rio de Janeiro.
Fonte: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e Agência Brasil.
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