Banco Central reenquadrou banco sergipano no Segmento S3 após crescimento sustentado; mudança reconhece novo porte da instituição e amplia exigências de governança, gestão de riscos e transparência
Por Antônio Carlos Garcia (*)
O Banco do Estado de Sergipe (Banese) passou a integrar um grupo mais restrito do sistema financeiro brasileiro. Após manter, durante os últimos três semestres consecutivos, uma exposição superior a 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, o conglomerado financeiro foi reenquadrado pelo Banco Central do Brasil (Bacen), deixando o Segmento S4 e ingressando no Segmento S3 da classificação prudencial das instituições financeiras. A mudança coloca o banco sergipano entre os 65 conglomerados financeiros enquadrados nessa categoria no Brasil e representa o reconhecimento oficial de uma trajetória de crescimento sustentado construída nos últimos anos.
Mais do que uma mudança de classificação, o reenquadramento confirma que o Banese alcançou um novo patamar de relevância dentro do Sistema Financeiro Nacional. A partir de agora, a instituição passa a integrar o mesmo segmento ocupado pelos demais bancos públicos estaduais e será submetida a um conjunto mais amplo de exigências regulatórias relacionadas à governança corporativa, gestão de riscos, controles internos, capital, liquidez e transparência.

Para o presidente do Banese, Marco Queiroz, a decisão do Banco Central reflete um crescimento consistente, e não um resultado isolado. “A própria regulamentação exige que esse desempenho seja mantido durante três semestres consecutivos. Não se trata de um crescimento pontual, mas de uma evolução consistente e sustentável da instituição”, afirmou.
Segundo ele, desde que o Conselho Monetário Nacional criou a segmentação prudencial, em 2017, o Banese permanecia enquadrado no Segmento S4. Com a nova classificação, deixa de ser o único banco público estadual nessa categoria e passa a integrar o Segmento S3, ao lado das outra quatro instituições estaduais existentes no país. “Esse reenquadramento demonstra que o Banese alcançou um novo porte dentro do Sistema Financeiro Nacional. É um reconhecimento do trabalho realizado ao longo dos últimos anos e da solidez construída pela instituição”, observou Marco Queiroz.
Crescimento reconhecido pelo Banco Central
O diretor de Finanças, Controles e Relações com Investidores do Banese, Aléssio de Oliveira Rezende, explicou que o fator determinante para a mudança foi o crescimento da exposição total do conglomerado financeiro, indicador utilizado pelo Banco Central para medir o porte das instituições.
“O Banese manteve, por três semestres consecutivos — segundo semestre de 2024, primeiro semestre de 2025 e segundo semestre de 2025 — uma exposição superior a 0,1% do PIB brasileiro, conforme estabelece a regulamentação”, apontou o diretor. A exposição total reúne praticamente todas as operações da instituição, incluindo carteira de crédito, limites concedidos, títulos imobiliários, investimentos e demais ativos financeiros.

Considerando que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro alcançou cerca de R$ 12,7 trilhões em 2025, o limite mínimo para enquadramento no Segmento S3 corresponde a uma exposição da ordem de R$ 12,7 bilhões, o que dimensiona o porte alcançado pelo conglomerado financeiro do Banese.
Segundo Aléssio, esse resultado é consequência direta da estratégia adotada pela instituição nos últimos anos. “Alcançar esse patamar é reflexo da expansão contínua da atuação do Banese, do crescimento sustentável dos negócios e dos investimentos em inovação, tecnologia e modernização realizados pela instituição”, observou Aléssio Rezende. Ele ressaltou que o Banco já vinha se preparando para esse novo estágio regulatório. “Os investimentos em tecnologia, capacitação e aprimoramento da gestão de riscos permitiram uma transição natural para o Segmento S3”, pontuou.
Um modelo criado para fortalecer o sistema financeiro
A classificação das instituições financeiras em cinco segmentos foi criada pelo Conselho Monetário Nacional, por meio da Resolução nº 4.553, de 2017, como parte do processo de modernização da regulação bancária conduzido pelo Banco Central. O objetivo é aplicar regras proporcionais ao porte, à complexidade e ao perfil de risco de cada conglomerado financeiro. Assim, instituições maiores ou com maior relevância para o sistema financeiro ficam sujeitas a exigências mais rigorosas, enquanto bancos de menor porte seguem normas compatíveis com a dimensão de suas operações.
Na avaliação do Banco Central, o modelo fortalece a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional, sem impor às instituições menores custos regulatórios incompatíveis com sua estrutura.
O que muda com o novo enquadramento
Embora a mudança de categoria tenha impacto direto na estrutura regulatória do Banese, ela não altera a rotina de clientes e empresas. Contas, linhas de crédito, canais digitais, agências e demais serviços continuam funcionando normalmente. As principais mudanças ocorrem na gestão da instituição.

Como integrante do Segmento S3, o Banese passa a cumprir um conjunto mais amplo de exigências prudenciais do Banco Central, com padrões mais elevados de governança corporativa, gestão de riscos, compliance, controles internos e transparência. Também aumentam as obrigações de prestação de informações ao órgão regulador e ao mercado.
Segundo o diretor de Finanças, Controles e Relações com Investidores, Aléssio de Oliveira Rezende, o Banco chegou a essa nova etapa preparado. “O Banese já vinha realizando investimentos estruturantes em tecnologia, capacitação e aprimoramento da gestão de riscos. Por isso, a transição para o Segmento S3 ocorre de forma natural e sem impactos para os clientes”, garantiu.
Na avaliação do executivo, o novo enquadramento reforça a percepção de solidez da instituição perante clientes, investidores e órgãos reguladores. “O Segmento S3 representa um nível maior de maturidade institucional. Ele amplia a transparência, fortalece a governança e aumenta a confiança do mercado na estabilidade e na gestão sustentável do Banese”, elencou Aléssio Rezende.
Mais responsabilidade e novas oportunidades
Para Marco Queiroz, o reconhecimento obtido junto ao Banco Central também aumenta a responsabilidade da instituição. “Quanto maior o porte do banco, maiores são as responsabilidades. O reenquadramento mostra que o Banese alcançou um novo estágio de desenvolvimento e está preparado para atender às exigências de uma instituição com maior relevância dentro do sistema financeiro”, avaliou o presidente do Banese.
Ele ressaltou, ainda, que a nova classificação fortalece a imagem do Banco perante o mercado, amplia a capacidade de estabelecer novas parcerias, e de captar recursos para apoiar o desenvolvimento de Sergipe. “O Banese consolida sua posição como agente de desenvolvimento do Estado. Esse novo patamar amplia nossa capacidade de financiar famílias, apoiar empreendedores, atender os municípios e contribuir para a geração de emprego e renda”, afirmou.
Grupo mais seleto
Marco Queiroz destaca que a dimensão da conquista pode ser medida pela própria estrutura da segmentação prudencial do Banco Central. Segundo ele, no primeiro trimestre de 2026 havia apenas seis conglomerados financeiros classificados no Segmento S1, dez no S2, e 65 no S3, grupo ao qual o Banese passa a pertencer. Os segmentos S4 e S5 reuniam 188 e 1.111 instituições, respectivamente.
Os números mostram que o banco sergipano deixou um segmento composto por centenas de instituições para ingressar em um grupo muito mais restrito, formado por conglomerados financeiros de maior porte e relevância para o Sistema Financeiro Nacional. Mais do que uma mudança de classificação, o reenquadramento representa o reconhecimento oficial de uma trajetória de crescimento construída ao longo dos últimos anos.
Conquista construída ao longo do tempo
A exigência de permanência por três semestres consecutivos acima do limite estabelecido pelo Banco Central impede que mudanças de categoria ocorram em função de resultados pontuais. Na avaliação da direção do Banese, esse critério reforça que o reenquadramento para o Segmento S3 é consequência de uma estratégia de expansão sustentada, baseada no crescimento dos negócios, na modernização tecnológica, no fortalecimento da governança e na evolução da gestão corporativa.
Para uma instituição fundada há mais de seis décadas e presente em todos os municípios sergipanos, a nova classificação representa um marco na trajetória do Grupo, que consolida o Banese em um novo patamar dentro do sistema financeiro brasileiro, e reforça o papel do banco público como um dos principais instrumentos de financiamento do desenvolvimento econômico de Sergipe.
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