domingo, 12/07/2026
Origens da maçonaria no Brasil
Imagem: IA

Uma síntese sobre a história da Maçonaria no Brasil

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Por Rivaldo Frias dos Santos (*)

 

Contar estórias nos faz sonhar, contudo, quando a história é verdadeira, ela merece ser lembrada por todos. E quando o assunto é a história da Maçonaria, fica mais interessante ainda, porque possibilita aos nossos amados irmãos neófitos a oportunidade de adquirirem conhecimentos e conceitos a respeito de nossa sublime ordem.

Este trabalho é fruto de uma minuciosa pesquisa efetuada no Grande Oriente do Brasil de São Paulo, e versa sobre a história da maçonaria no Brasil, sinônimo de sua força e resiliência que vem mantendo através de séculos suas posições e seus dogmas.

Embora a Maçonaria Brasileira tenha se iniciado em 1787, com a Loja Cavalheiros da Luz, criada na povoação da Bahia, em Salvador, Bahia, só em 1822, quando a campanha da Independência do Brasil se tornava mais intensa, é que iria ser criada sua primeira obediência, com a jurisdição nacional, exatamente com a incumbência de levar a cabo o processo de emancipação do país. Em 1800/1801, maçons portugueses fundaram no Rio de Janeiro a Loja União, que mais tarde passou a denominar-se Reunião por terem a ela se filiado outros maçons.

Como as Lojas Constância e Filantropia, filiou-se em 1800 ao Grande Oriente Lusitano. Separou-se, porém, por terem surgido discórdias e filiou-se ao Grande Oriente da França, adotando o rito Moderno. Em 1802 é instalada na Bahia a Loja Virtude e Razão, da qual saíram em 1807, a Loja Humanidade e, em 1813, a Loja União. Em 1807, a 03 de março, ressurge a Maçonaria no Brasil com a instalação da Loja Virtude e Razão Restaurada, na Bahia. Em 1809, D. João, príncipe regente, ao receber uma longa lista de nomes de maçons, para serem presos, respondeu nesses termos: “Foram estes que me salvaram”.

Em 1809 funda-se uma Loja da qual fizeram parte os padres Miguel Joaquim de Almeida e Castro, João Ribeiro Peixoto e Luiz José Cavalcante Lins. Esta Loja teve intuitos puramente políticos e os padres que faziam parte do seu quadro tinham sido iniciados em Lisboa em 1807. Em 1812 funda-se, na freguesia de São Gonçalo, Niterói, a Loja Distintiva. Essa Loja tinha sinais, toques e palavras diferentes das outras, tendo por emblema um índio vendado, manietado de grilhões e um gênio em ação de o desvendar e desagrilhoar. Era a era republicana e revolucionária. Denunciada, foi dissolvida, sendo lançados ao mar, nas alturas da ilha dos Ratos, seus arquivos e alfaias.

Em 1813, na Bahia, é fundado o primeiro Grande Oriente com as Lojas Virtude e Razão, Humanidade e União, que adormeceu devido à desastrosa revolução de 1817. Em 1815, a 12 de dezembro, na residência do Dr. João José Vahia, é instalada  a Loja Comércio e Artes, que logo depois adormeceu.  Existia no Recife, em 1816, uma Grande Loja Provincial reunindo as Lojas Pernambucanas do Oriente Pernambuco do Ocidente, Restauração e Patriotismo e Guatimozim.

No ano de 1821 começara com D. João VI como príncipe  de 1807. O Grande Oriente Lusitano levara-o, quinze anos antes, a transferir a sede do governo monárquico da Nação Portuguesa de Lisboa para o Rio de Janeiro. Decorrido três lustros, esse mesmo Grande Oriente obrigá-lo-ia a transferir a sede do seu governo do Rio de Janeiro para Lisboa.

Em 1822, a 10 de março, por proposta de Domingos Alves Branco, a Loja Comércio e Artes confere ao príncipe D. Pedro o título de “Protetor e Defensor Perpétuo do Brasil”. A 26 de maio, José Bonifácio é iniciado na Maçonaria. A 21 de maio, em plena sessão das Cortes, em Lisboa, o maçom Monsenhor diz que, talvez dos brasileiros se vissem obrigados  a declarar sua independência de uma vez. A 2 de junho, José Bonifácio, com outros maçons, funda a sociedade secreta Nobre Ordem dos Cavalheiros  de Santa  Cruz, mais conhecida com o nome de “Apostolado”, da qual fez parte D. Pedro, com o título de Arconte – Rei.

A 5 de agosto, com a dispensa do interstício, D. Pedro é exaltado ao grau de Mestre . A 14 de setembro, D. Pedro é investido no cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil. A 4 de outubro, D. Pedro oferece a Gonçalves Ledo o título de Marquês da Praia Grande que é por este recusado, com a declaração de ser muito mais honroso o de brasileiro patriota e de homem de bem. A 21 de outubro, D. Pedro, Grão-Mestre, manda a Gonçalves Ledo que suspenda os trabalhos no Grande Oriente. A 25, em decreto, D. Pedro determina o encerramento das atividades maçônicas. Diversos maçons são presos. Ledo consegue fugir para a Argentina.

Em 1823, a 25 de março, o Apostolado aprova o projeto da Constituição Brasileira. A 23 de julho, o Apostolado é violentamente fechado. A 20 de outubro, D. Pedro  proíbe as sociedades secretas do Brasil, sob pena  de morte ou de exílio. A 13 de janeiro de 1825, o maçom frei Joaquim do Amor Divino Caneca é fuzilado no Recife. A 23 de novembro de 1831, o Grande Oriente do Brasil restabelece suas atividades, adormecidas desde 1822, sendo reeleito José Bonifácio de Andrade e Silva para o cargo de Grão-Mestre.

Nesta oportunidade é lançado um manifesto a todos os corpos Maçônicos Regulares do Mundo contendo subsídios da extraordinária importância  para a História do Brasil. Instala-se, a 12 de novembro, o Supremo Conselho  do Rito Escocês para o Brasil, sendo seu primeiro Grande Comendador, Francisco Ge Acayaba de Montezuma; Visconde de Jequitinhonha.

No surgimento da Maçonaria em 1832, no Rio de Janeiro, existiam dois Grandes Orientes do Brasil, presididos por José Bonifácio que teve sede na atual rua Frei Caneca, é o Grande Oriente  Nacional Brasileiro, presidido por Britto Sanches, à Rua dos Passos. Em uma cisão havida neste último, surge outra Potência, tendo como Grão-Mestre o Marechal Duque de Caxias.

O antagonismo e a animosidade que dividiam os grupos maçônicos levaram este Grande Oriente a bater colunas, depois de ser despejado por dificuldades financeiras. Sem dúvida o Duque de Caxias, entre os maçons da época, teve seu destaque por seu espírito de cooperação e fraternidade.

Hoje quando completa 204 anos de sua fundação e de sua história em 17 de junho de 2026, o GOB atravessa mais de dois séculos como uma das colunas vivas da Maçonaria Brasileira, testemunhando ações de gerações e tradição, indiscutivelmente contribuindo para a construção moral do nosso país. Esperamos que o protagonismo e a animosidade existentes em alguns momentos que dividiam grupos maçônicos, em detrimento do poder “Conforme conta a própria história”, não mais possam fazer parte dessa nobre e secular instituição e que os maçons brasileiros possam doravante viver ainda muitos e muitos séculos em paz e harmonia.

 

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Bibliografia:

Grande Oriente de São Paulo;

http//www.lojas maçônicas.com.br – Editora Gazeta Maçônica – S. Paulo 1991;

Origens Históricas e Místicas dos Templos Maçônicos – Ed. Gazeta maçônica, S. Paulo 1991.

 

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Sobre Rivaldo Frias

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Rivaldo Frias é bacharel em Direito, mestre maçom e deputado estadual pela Loja Lealdade Cotinguibense, em Aracaju.

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