sexta-feira, 15/10/2021
Ministro da Economia, Paulo Guedes: dinheiro em paraíso fiscal Foto: Edu Andrade/ Ascom ME

Fenafisco diz que é escandalosa a permanência de Paulo Guedes e Campos Neto no governo

A Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco) divulgou uma nota hoje, 5,  afirmando que a permanência do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no governo Bolsonaro, é escandalosa.  O documento  Pandora Papers revelou que os dois  têm offshores em paraísos fiscais,  que na visão do Fenafisco, representa um conflito de interesses.

Presidente do BC, Campos Neto: fortuna em paraíso fiscal Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Fenafisco diz que “não é suportável para o Brasil seguir com as atuais regras fiscais que penalizam os mais pobres com sobrecarga de impostos, enquanto os super-ricos têm mais de 70% de sua fortuna blindadas de tributação, sonegam impostos e ainda escondem dinheiro em paraísos fiscais”. Para o Fenafisco, o fato de figuras públicas terem offshores “coloca em xeque a permanência de ambos nos cargos que ocupam”.

“Possuir offshores em paraísos fiscais representa clara situação de conflito de interesse de duas figuras centrais no comando da política econômica, mesmo não sendo necessariamente crime a propriedade delas. Guedes e Campos Neto lucram no exterior com dólar alto enquanto a situação econômica do país se degrada. Com a denúncia tornada pública por vários veículos da imprensa, se guardassem algum vestígio ético, ambos deveriam deixar imediatamente as funções públicas que exercem”, diz a entidade.

O Fenafisco reitera a necessidade de uma reforma tributária ampla, social e justa, com a tributação dos super-ricos e isenção das camadas mais pobres da sociedade.  A nota da entidade é em razão da divulgação dos documentos do Pandora Papers, revelando que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mantém offshores em paraísos fiscais, o que representa, na visão do Fenafisco, um conflito de interesses.

Além da não contribuição tributária no Brasil em meio à grave crise fiscal, as offshores são largamente utilizadas de forma ilícita por empresas e indivíduos para evadir divisas e lavar dinheiro.

“A lista divulgada causa espanto ao relatar que 66 dos maiores devedores de impostos no Brasil mantêm offshores. São mais de R$ 16,6 bilhões sonegados, enquanto brasileiros fazem filas para conseguir ossos e restos de carne para escapar da fome. Vários dos empresários pregam moralidade, patriotismo e se gabam dos empregos gerados enquanto mantêm fortunas em paraísos fiscais no exterior e não pagam tributos no país”, ressalta a Fenafisco.

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