sexta-feira, 27/11/2020
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Luiz Moura: governadores são mais equilibrados Foto: Jorge Henrique

Economista não acredita em extinção dos municípios; “é um bode na sala”, diz

“Isso é um bode na sala”. A reação é do economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), Luís Moura, ao se referir ao Pacote Mais Brasil que quer acabar com 1.250 municípios brasileiros com menos  5 mil habitantes e arrecadação menor que 10% da receita total.  Em Sergipe, 11 dos 75 serão extintos até 2024, caso  a medida seja aprovada. Mas Luís Moura acredita que não haverá aprovação.

Os municípios sergipanos que podem ser extintos são os seguintes: Itabi: 4.903 habitantes; São Francisco, 4.179; Cumbe, 3.961; Canhoba, 3.952; São Miguel do Aleixo, 3.921; Santa Rosa de Lima, 3.899; Malhada dos Bois, 3.428; General Maynard, 3.302; Pedra Mole, 3.244; Telha, 3.118; e Amparo do São Francisco com 2.686 habitantes.

“O governo colocou essa proposta para ficar debatendo e esquecer outras medidas fundamentais. Existem medidas no Pacote Guedes muito mais importantes que essa, mas só vão discutir os municípios, pois isso movimentará o ano político. Cada município tem três ou quatro deputados que irão defender a não extinção”, argumentou o economista.

Luís Moura diz que, ao invés de extinção, o interessante seria que nestes municípios com até cinco mil habitantes o trabalho do vereador fosse voluntário. “Bastaria uma reunião por semana para ele ir até à Câmara decidir como seriam os gastos públicos. O prefeito poderia ganhar bem menos e a estrutura municipal reduzida a três secretarias”, ponderou.

Hoje, no entanto, o que se vê, segundo Moura, são municípios pequenos com a família do prefeito empregada.  “De fato, há um alto custo com a despesa de manutenção da máquina do prefeito. Ele emprega os parentes, se enche de assessores e onera o município, não prestando um serviço de qualidade à população”, disse.

Moura diz, também, que extinguir um município não é algo tão simples como parece. Isso porque as pessoas nasceram ali, o município tem uma padroeira, tem uma identidade.

O bode

O economista disse, no início, que essa proposta de Guedes é um “bode na sala”. Você sabe o que essa expressão significa? É uma antiga parábola que não se sabe a origem e diz o seguinte:

Um sujeito reclama que a sua vida em casa estava um inferno, na mesa faltava comida, todos ali discutiam e todos queriam ter razão. Um amigo sugeriu ao sujeito que colocasse um bode na sala. Mesmo estranhando, seguiu seu conselho e a reação foi imediata.

O bode, além de sujar o local, ainda exalava um cheiro terrível, ou seja, a situação ficou pior ainda. Devido a isso o bode foi retirado e os ânimos na casa nunca estiveram tão bons. O bode causou tanto problema que eles até se esqueceram dos outros problemas que tinham.

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