quinta-feira, 11/08/2022
Camillinha Feitosa
Camillinha Feitosa posando para divulgar o seu primeiro evento: palestra "O Despertar da Rainha", sobre inteligência emocional Fotos: Acervo pessoal

Camillinha Feitosa: “sou uma pequena grande mulher, que sonha alto e faz o que precisa para alcançar seus objetivos”

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Campeonato brasileiro que aconteceu em São Paulo, em maio
Diz um ditado popular que “tamanho não é documento”. Que o diga, literalmente, a escritora e paratleta sergipana Camilla Feitosa Oliveira, do alto dos seus 73 centímetros de altura. Ela é portadora de acondroplasia, ou seja, nanismo, que acomete um recém-nascido em cada oito a 10 mil nascimentos, além de retinose pigmentar, uma doença que surge quando as estruturas fotorreceptoras do olho (cones e os bastonetes) deixam de captar luz, prejudicando a formação da imagem pela retina.

E quem pensa que o nanismo e a baixa visão impedem Camillinha de voar alto está muito enganado.  “Eu sou uma mulher que sonha muito alto e que faz o que precisa ser feito para alcançar seus objetivos.  É alguém que se reconhece como filha de um Deus maravilhoso e infinitamente generoso e que se sente muito amada por Ele”, assim se define a paratleta que encontrou no halterofilismo mais uma motivação para vencer os desafios que lhe são impostos.

Considerada a terceira mulher mais forte do mundo dentro da sua categoria, Camillinha treina três vezes por semana, das 8 ao meio-dia,na Universidade Federal de Sergipe (UFS), faz Licenciatura em Artes Visuais na mesma instituição, ajuda nas tarefas de casa, é sempre convidada para palestras e “nas horas vagas busco aprender sobre o autoconhecimento – PNL (programação neurolinguística) -, ouço livros relacionados a estes assuntos etc.”

Camilla – com o amigo Victor e a mãe Maria Jeane – quando foi ao SBT no programa The Noite do Danilo Gentilli

Desde os 12 anos de idade, que Camillinha Feitosa sonha em ser uma “palestrante memorável”, assim ela mesma diz. E tem trabalhado para isso. Mesmo fazendo palestras, ela ainda não se considera uma coach, mas garante que se transformará em uma brevemente. Influenciadora digital, @camillinhafeitosa tem 8.868 seguidores no Instagram, identifica-se como uma “pequena grande mulher”, dá conselhos, posta suas palestras por Sergipe e faz o merchandising do seu e-book “A transformação que o esporte me proporcionou”; e ele está disponível para a venda.

Sobre o seu e-book, Camillinha diz que “busca passar para as pessoas uma mensagem de força, fé, determinação para que quem o ler seja inspirado e ativado a ir em busca da transformação positiva que elas precisam e merecem”.

Bastante simpática e comunicativa, Camillinha Feitosa ganhou a mídia, não só em Sergipe, mas no Brasil. Em abril deste ano, por exemplo, foi entrevistada no The Noite, de Danilo Gentilli. Em 2015, levada pela jornalista sergipana Renata Alves, Camillinha realizou o sonho de conhecer Ana Hickmann, âncora do programa Hoje em Dia, da TV Record. Teve direito a banho de loja e foi toda formosa para a entrevista.

Confira aqui a entrevista com essa pequena grande mulher.

 

SÓ SERGIPE – Na sua rede social você se define como “pequena grande mulher” com 73 centímetros de altura. Quem é Camillinha Feitosa?

CAMILLINHA FEITOSA – É uma mulher que sonha muito alto e faz o que precisa ser feito para alcançar seus objetivos.  É alguém que se reconhece como filha de um Deus maravilhoso e infinitamente generoso, e que se sente muito amada por Ele. É uma pessoa comum como qualquer outra, que tem algumas limitações a mais do que a maioria, porém com uma pitada generosa de determinação e ousadia. Alguém que ama a vida e as pessoas.

SÓ SERGIPE – Como foi sua infância?

premiação
Premiação, quando recebeu os títulos de vice-campeã brasileira e considerada a mulher mais forte do Brasil por pesar 21, 8 kg e levantar 53 kg no supino

CAMILLINHA FEITOSA – Minha infância foi um pouco difícil. Passamos por muitas privações; minha mãe precisou trabalhar muito para nos sustentar (eu e meus irmãos). Ao mesmo tempo ela nos orientava a seguir sempre pelo caminho do bem, a estudar, a trabalhar, a nos defender, a sermos fortes e corajosos.

SÓ SERGIPE – E hoje, como é a sua vida?

CAMILLINHA FEITOSA – Hoje minha vida é muito boa graças a Deus, e eu sigo batalhando para que daqui pra frente só melhore, pois agora tenho atitudes para fazer como sempre quis e antes não tinha oportunidade. Treino às segundas, quartas e sextas, das 8 ao meio-dia, lá na Universidade Federal de Sergipe (São Cristóvão) onde também sou aluna do curso de Licenciatura em Artes Visuais.  Ajudo nas tarefas de casa quando possível, dou palestras. Nas horas vagas busco aprender sobre o autoconhecimento – PNL (programação neurolinguística) -, ouço livros relacionados a estes assuntos etc.

SÓ SERGIPE – Você é natural de Aracaju? Conte-me um pouco sobre sua família, sobre seus pais, irmãos.

Camillinha em família: o irmão Jefferson, a irmã Fernanda e o marido dela João Vitor, a mãe Maria Jeane, sobrinhos Samantta e Ramon Levi e duas amiguinhas de Samantta: Marina e Mariana

CAMILLINHA FEITOSA – Sim. Nasci na cidade de Aracaju e atualmente moro em Nossa Senhora do Socorro, ambas as cidades do meu amado estado de Sergipe. Minha mãe se chama Maria Jeane, ela teve 6 filhos, sendo que o mais velho se chama Gladston, o segundo é o Gleidson, em seguida sou eu. Depois vieram Fernanda, Jefferson e Ramon. Em 2012 meu irmão mais novo Ramon faleceu de dengue hemorrágica. Sobre meu pai não tenho muitas referências, pois não convivemos.

SÓ SERGIPE – Você tem 35 anos e é considerada a mulher mais forte do Brasil na modalidade halterofilismo e a terceira menor do mundo? Como esse esporte surgiu em sua vida?

CAMILLINHA FEITOSA – Não. Sou a terceira mulher mais forte do mundo. Existem algumas outras pessoas ao redor do mundo que tem a mesma estrutura que eu.

O esporte entrou em minha vida através do convite do meu amigo Renato Machado que me chamou pra ir à UFS apenas para incentivá-lo a dar continuidade a uma atividade de fisioterapia. Chegando lá, o professor Felipe Aidar ficou muito feliz e me convidou a participar do halterofilismo paraolímpico Ele me mostrou que seria possível eu realizar aquela atividade física.  No primeiro momento eu duvidei ser capaz, mas eu aceitei o convite dele e graças a Deus, ao professor Felipe e a todos os familiares, amigos e anônimos  que desde o início até aqui tem me ajudado de alguma maneira a ir e voltar dos treinos e das competições.

SÓ SERGIPE – Além do esporte, você tem outras atividades profissionais?

CAMILLINHA FEITOSA – Atualmente além do Halterofilismo, também dou palestras e sou influenciadora digital.

paratleta
A paratleta Camilla, na segunda etapa nacional do circuito Loterias Caixa que aconteceu em São Paulo, em abril

SÓ SERGIPE – Você é sempre convidada para palestras. Se transformou em coach?

CAMILLINHA FEITOSA – Sim, sempre sou contratada para dar palestras e estou estudando muito para me profissionalizar e me tornar uma palestrante memorável. Esse é um sonho que eu tenho desde os 12 anos de idade. Ainda não sou coach, mas também estou estudando para me tornar uma.

SÓ SERGIPE – Você tem nanismo e retinose pigmentar. Quando foi que você tomou consciência desses problemas de saúde?

CAMLLINHA FEITOSA – Com relação ao nanismo tenho consciência desde a infância. Eu só não tinha noção exata do que era o nanismo, pois nós não tínhamos condições financeiras de ir ao médico regularmente, fazer exames, testes ou pesquisas que nos explicassem com mais detalhes. Minha mãe me orientava conforme o que ela sabia, daí ela ensinou a me defender do preconceito e também deixou que eu tivesse autonomia para ser o mais independente possível. E com relação à retinose, tenho ciência desde os 13 anos quando fomos a um médico especialista nessa área.

Na aula com a professora de dança Brenda

SÓ SERGIPE – Hoje você é uma pessoa animada. Mas sempre foi assim?

CAMILLINHA FEITOSA – Sim, minha alegria de viver é natural. Herdei da minha mãe, neste quesito me pareço muito com ela, somos alegres e muito comunicativas.

SÓ SERGIPE – Quais são as maiores dificuldades que você enfrenta atualmente? É alvo de algum tipo de preconceito?

CAMILLINHA FEITOSA –  As maiores dificuldades são a falta de acessibilidade nos espaços públicos e a falta de acessibilidade em casa, pois ainda não tenho condições financeiras  de fazer as adaptações que preciso.

Graças a Deus o preconceito é algo que não faz parte da minha vida e as poucas vezes que ele quis aparecer, eu não permiti e nem permito que ele ganhe força.

SÓ SERGIPE – Mesmo se destacando no esporte, você tem dificuldade em buscar patrocínios para participar de eventos nacionais e internacionais? De onde vem a ajuda para disputar as provas de halterofilismo?

CAMILLINHA FEITOSA – Infelizmente isso ainda é uma verdade. Mesmo com os meus resultados, sempre que tenho competições faço rifas e vakinha solidária para arrecadar a grana para pagar as passagens. Na maioria das vezes o valor arrecado não dá para arcar com tudo.

SÓ SERGIPE – As cidades brasileiras – e Aracaju em particular – estão preparadas para facilitar a vida de pessoas com nanismo?

CAMILLINHA FEITOSA – Infelizmente isso ainda não é o que acontece.

SÓ SERGIPE – Você lançou um e-book recentemente, cujo título é “A transformação que o esporte me proporcionou”. Fale-me um pouco sobre seu livro.

CAMILLINHA FEITOSA – Isso mesmo, escrevi o e-book contando um pouco da minha trajetória desde o momento em que o esporte me encontrou. Eu falo das dificuldades, dos desafios, das alegrias, das conquistas desde que fui encontrada pelo Paradesporto. Eu busco passar para as pessoas uma mensagem de força, fé, determinação para que quem o ler seja inspirado e ativado a ir em busca da transformação positiva que elas precisam e merecem.

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