quarta-feira, 10/08/2022
Juner Caldeira: "A Polícia Federal é um órgão de atuação nacional e poderemos agir em Sergipe ou em qualquer outro Estado"

“A procura por porte de arma foi maior que o ano passado”, diz superintendente da PF, Juner Caldeira

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Na gestão do atual superintendente da Polícia Federal em Sergipe, Juner Caldeira Barbosa, iniciada em maio passado, já foram desencadeadas mais de uma dezena de operações com diversas prisões. Além do foco na segurança pública, Juner está centrado na construção de uma sede para a instituição em Sergipe, cuja obra está orçada em R$ 50 milhões. Finalmente a instituição, que abriga hoje cerca de 200 servidores e tem nove delegacias, terá um lugar próprio, pois vive pulando de aluguel em aluguel. Hoje, por exemplo, está localizada na avenida Rio de Janeiro, num imóvel, obviamente, alugado.

“Creio que esse é o maior desafio para a atual gestão, uma vez que os primeiros passos para a construção da nova sede foram dados em julho de 2021, e, no momento, já finalizamos a licitação de contratação do projeto básico. A empresa contratada já finalizou a primeira ordem de serviço, com o levantamento topográfico”, disse Juner Caldeira, a respeito da construção da sede da superintendência, cujo terreno no bairro Coroa do Meio foi cedido pela Prefeitura Municipal de Aracaju. A previsão é que a conclusão das obras ocorra em três anos, após a entrega do projeto.

Logo depois que tomou posse, Juner Caldeira visitou diversos órgãos públicos municipais, estaduais e federais, fazendo a integração com a Polícia Federal. “Temos um excelente relacionamento com os Ministérios Públicos Estadual e Federal, além de estreito relacionamento com as demais forças de segurança pública, Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal”, assegurou.

Antes de ingressar na Polícia Federal, Juner Caldeira foi militar do Exército, chegando ao posto de capitão, no qual desenvolveu uma série de atividades, inclusive operações e cursos. Somando com a Polícia Federal, são 32 anos de serviço público, que, segundo ele, “vai se adquirindo uma experiência para gerir uma superintendência regional. Ele participou, também, de cursos promovidos pela Diretoria de Inteligência Policial da Polícia Federal e também da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Mas no seu currículo constam, ainda, cursos de gestão administrativa, como MBA Executivo em Gestão Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Nesta gestão, Juner Caldeira disse que reativou o Grupamento Especial de Polícia Marítima (Gepom) que havia sido deixado de lado em 2014, e que atua junto com a Marinha do Brasil. Havia uma grande faixa de mar totalmente esquecida pelos órgãos federais e que somente por um golpe de sorte é que se prendia responsáveis por tráfico de drogas. E é também por razões que a própria razão desconhece que um  casal, naquela época,  foi  inocentado pela Justiça Federal, mesmo carregando 320 quilos de cocaína.

Embora assegure que a concessão de porte de arma aumentou em Sergipe, Caldeira não apresentou números. “Dado é apurado no final do ano pela Coordenação-Geral de Controle e de Serviços Públicos, mas quanto à procura, podemos afirmar que foi maior que o ano passado”, afirmou.

Esta semana, ele conversou com o Só Sergipe. Vale a pena a leitura da entrevista para saber sobre a atuação da Polícia Federal em Sergipe.

SÓ SERGIPE – No dia 18 de maio deste ano, o senhor tomou posse no cargo de superintendente da Polícia Federal em Sergipe. O senhor já tem um balanço das atividades da PF deste ano?

JUNER CALDEIRA – Sim. Conseguimos manter o mesmo nível de operações do ano passado, que foi um ano atípico com eleição municipal, e alguns números bem interessantes.

SÓ SERGIPE – Além do trabalho para apreensão de drogas e prisão de traficantes [e também dos “aviões”], os crimes praticados pela internet têm chamado a atenção da instituição aqui no Estado?

JUNER CALDEIRA – Sim. A superintendência também conseguiu superar o índice de drogas apreendidas, com a primeira e segunda maiores apreensões de maconha paraguaia da história do Norte e Nordeste do País, na atual gestão. Com relação ao cyber crime, foram desencadeadas várias pequenas operações de combate à pornografia infantil e sites de aposta na internet.

SÓ SERGIPE – O senhor participou de várias operações da Polícia Federal, como a Saúva, Medelín I e II, Pedra Lascada, todas no Pará. Por aqui, desde que assumiu a superintendência, quantas o senhor já coordenou? Há alguma que merece relevância?

JUNE CALDEIRA – O superintendente regional da Polícia Federal representa o órgão política e institucionalmente perante as demais instituições, sejam públicas ou privadas, e provê os meios necessários para as atividades administrativas e operacionais da superintendência regional. Nesse contexto, posso dizer que na gestão atual foram desencadeadas as seguintes operações: Operação Distração Segunda fase – com o objetivo de obter provas para investigação que apura suposta prática de exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização; Segunda fase da operação Rattus – com o objetivo de reprimir o comércio e o cativeiro clandestino de animais silvestres e exóticos; Operação Transparência – que investiga possíveis irregularidades em contratações com dispensa de licitação promovidas pela Secretaria de Saúde do Estado de Sergipe e financiadas com verbas federais; Operação Machine Buster – com o objetivo de desarticular associação criminosa responsável pela tentativa de roubo nas agências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, situadas no município de Carira/SE; Operação Payback – com o objetivo de combater fraudes no pagamento do auxílio emergencial; Operação Bartimeu – com a finalidade de coletar elementos de prova acerca das irregularidades praticadas na aplicação de recursos federais por Organização da Sociedade Civil (OSC); Operação impostores – com o objetivo de coibir a prática de crimes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), consistentes na obtenção fraudulenta de benefícios assistenciais, mediante falsificação de documentos públicos, uso de documentos falsos e estelionato; cinco Operações voltadas ao combate de divulgação de pornografia infantil na Internet; três  Operações voltadas ao enfrentamento da divulgação de moedas falsas e uma Operação para desarticular quadrilha que realizava furtos de caixas eletrônicos.

SÓ SERGIPE – É público que a PF em Brasília abriu um inquérito para investigar ameaças aos técnicos da Anvisa, que aprovaram a vacina contra a Covid-19 para crianças. A sua superintendência está atenta, afinal o criminoso (ou criminosos) pode ( ou podem) estar por aqui ou em qualquer outro lugar?_

JUNER CALDEIRA – A Polícia Federal é um órgão de atuação nacional e poderemos agir em Sergipe ou em qualquer outro Estado, o que ocorre em grandes operações.

SÓ SERGIPE – O senhor coordena quantas pessoas? Quantas delegacias compõem a superintendência?

JUNER CALDEIRA – Aproximadamente 200 pessoas, servidores policiais, administrativos, contratados e colaboradores da  superintendência. São  nove delegacias especializadas: Delegacia de Repressão a Entorpecentes – DRE, Delegacia de Imigração – DELEMIG, Delegacia de Armas e Químicos – DELEAQ, Delegacia de Segurança Privada – DELESP, Delegacia de Repressão a Crimes Previdenciários – DELEPREV, Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários – DELEFAZ, Delegacia de Combate à Corrupção – DELECOR, Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio – DELEPAT, Delegacia de Defesa Institucional – DELINST, e Delegacia de Repressão a Crimes Contra Patrimônio Histórico e Meio Ambiente e Direitos Humanos – DELEMAPH.

SÓ SERGIPE – Logo depois de assumir a superintendência, o senhor visitou dirigentes de órgãos federais e estaduais, como também recebeu em seu gabinete outras autoridades. Como está o relacionamento entre a PF e as diversas instituições em Sergipe?

JUNER CALDEIRA – O relacionamento é excelente tanto com instituições municipais, estaduais e federais, como também no legislativo, executivo e judiciário. Muitos acordos de cooperação técnica foram celebrados ou estão em andamento, como concessão de porte de armas para guardas municipais de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, dentre outras cidades do Estado de Sergipe; acordo de cooperação técnica com o Foro Federal de Aracaju, dentre outros acordos.

SÓ SERGIPE – No Ministério Público Estadual o senhor disse, durante visita, que quer aproximar a sua instituição e o Gaeco para realizarem operações integradas de combate às facções criminosos. Os corruptos que se preparem?

JUNER CALDEIRA – Temos um excelente relacionamento com os Ministérios Públicos Estadual e Federal, além de estreito relacionamento com as demais forças de segurança pública, Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal, etc.

SÓ SERGIPE – Em outubro, o senhor assinou um acordo de cooperação técnica com a Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro para concessão de porte de armas aos integrantes da Guarda Municipal. Outras prefeituras sergipanas que estão montando as respectivas guardas procuraram a superintendência?

JUNER CALDEIRA – Sim. Várias prefeituras têm procurado a superintendência, e me recordo que por último foi feito contato pela Prefeitura Municipal de Itabaiana.

SÓ SERGIPE – Por falar em porte de arma, é fato que o presidente Jair Bolsonaro quer que todo brasileiro tenha arma, pois foi promessa de campanha. Quantos portes já foram permitidos em Sergipe de janeiro a novembro deste ano? O número foi maior ou menor em igual período do ano passado?

JUNER CALDEIRA – Esse dado é apurado no final do ano pela Coordenação-Geral de Controle e de Serviços Públicos – CGSP/DIREX/PF, mas quanto à procura, podemos afirmar que foi maior que o ano passado.

Nogueira e Caldeira: terreno doado pela Prefeitura

SÓ SERGIPE – Antes de chegar à Polícia Federal, o senhor integrou o Exército Brasileiro, inclusive, quando era capitão de artilharia, esteve na seção de inteligência, em Recife, depois fez cursos de inteligência e antiterrorismo na Abin. Como essas experiências o ajudam no desempenho das suas funções da PF de Sergipe?

JUNER CALDEIRA – Creio que ao longo de 32 anos de serviços públicos prestados, com modéstia à parte, naturalmente, vai se adquirindo uma experiência para gerir uma superintendência regional, e os cursos realizados na Diretoria de Inteligência Policial da Polícia Federal e na Abin foram importantes na minha formação profissional, como também, cursos na área de gestão administrativa, como MBA Executivo em Gestão Pública pela FGV, haja vista o grande desafio para a construção da sede da superintendência. A obra estava prevista para 2023, e graças ao grande apoio recebido pelo Paulo Gustavo Maiurino, diretor-geral da Polícia Federal, sensível ao fato de que as  instalações atuais não estão adequadas a nossas necessidades, com aval também, do André, diretor de administração e logística policial da diretoria, conseguimos antecipar em dois anos o início do processo de construção. Creio que esse é o maior desafio para a atual gestão, uma vez que os primeiros passos para a construção da nova sede foram dados em julho de 2021, e no momento, já finalizamos a licitação de contratação do projeto básico e a empresa contratada já concluiu a primeira ordem de serviço, com o levantamento topográfico. Estamos falando de uma obra orçada em aproximadamente R$ 50 milhões, que terá laboratórios para diversas perícias, estande de tiro indoor para capacitação não só de nossos servidores, mas de outras instituições armadas, instalações apropriadas para o grupo de pronta intervenção – GPI, etc.

SÓ SERGIPE – Antes de ser nomeado para a superintendência de Sergipe, o senhor era assessor especial da Secretaria Especial de Relações Institucionais da Secretaria de Governo da Presidência da República. Qual era seu trabalho?_
JUNER CALDEIRA – Assessorar o secretário de Relações Institucionais no relacionamento com as demais instituições, de outubro de 2020 a abril de 2021.

PF reativa Delegacia Especial de Polícia Marítima

SÓ SERGIPE – A PF aqui tem um trabalho elogiável no combate ao tráfico de drogas. E as apreensões e prisões ocorrem, geralmente, nas rodovias federais. Mas temos um vasto mar e a única prisão que se tem conhecimento ocorreu em 24 de dezembro de 2011, foi do casal de italianos Davide Migani e Giorgia Pierguidi, que foi inocentado pela Justiça Federal e retornou para a Itália. Detalhe: a prisão foi um golpe de sorte. Fiz o preâmbulo para perguntar o seguinte: é possível que as drogas continuem passando livremente pelo mar, sem que a Marinha do Brasil e a PF sequer imaginem?

JUNER CALDEIRA – Em 2014, tivemos a desativação do Grupamento Especial de Polícia Marítima. Como uma das medidas da atual gestão, reativamos o nosso Gepom, inclusive já reocupamos as nossas instalações no porto e estamos adquirindo equipamentos e embarcações para início de operações. Aliás, essa semana, parte da equipe do Gepom está fazendo uma operação conjunta com a Marinha do Brasil – Operação Verão 2021/2022.

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