segunda-feira, 23/11/2020
O ultramaratonista Raphael Bonatto e o atleta internacional de MMA, Kleber Orgulho, correndo juntos na Orla da Atalaia

“A corrida tem que entrar no seu sangue, você tem que senti-la”, ensina o ultramaratonista Raphael Bonatto

O ultramaratonista Raphael Bonatto, 40 anos, fez hoje, 14, a primeira das três maratonas na orla da Atalaia em Aracaju. Logo após a corrida ele lançou o livro “27 Maratonas em 27 dias consecutivos nas 27 capitais brasileiras”, no restaurante Cariri. “O Grupo Tiradentes me convidou para essas maratonas e foi uma baita coincidência porque, em 15 de novembro de 2010 eu estava aqui e amanhã repetirei um feito de 10 anos atrás”, disse, numa entrevista exclusiva ao Só Sergipe. Raphael falou, também,  de disciplina, resiliência, dos desafios para correr, por duas vezes, o Vale da Morte, na Califórnia, sobre a importância da família que o apoia e incentivou aqueles que ainda não começaram a correr, que façam o quanto antes: “a corrida tem que entrar no seu sangue, você tem que senti-la”, provocou.

E se provocação de Raphael o motivou, saia da zona de conforto e vá neste domingo, 15, às 6 horas da manhã, no Arcos da Atalaia, correr um pouco com ele nos 21 quilômetros que restarão dos 42. Ou então, na segunda-feira,16,  no mesmo local e horário, quando ele completará 126 quilômetros. A pessoa, claro, não é obrigado a correr os 21 km, o importante é movimentar o corpo. Para  fazer três maratonas consecutivas é preciso  preparo, conta o ultramaratonista, lembrando também que é necessário ter disciplina e resiliência, qualidades  que ele adquiriu ao longo de uma vida dedicada ao esporte.

Raphael autografando o livro hoje pela manhã no Cariri

“Não é todo dia que você acorda com vontade de sair correndo 42 quilômetros. Eu estava em São Bento do Sapucaí, interior de São Paulo, onde corri uma maratona ontem pela manhã. Significa que de ontem para hoje (de sexta para sábado) corri 84 quilômetros em 24 horas, pois peguei um avião para chegar aqui. É preciso ter disciplina, treinamento, força de vontade para vencer, não desistir das coisas tão facilmente. Tudo isso fica para a nossa vida”, ensina.

E é um pouco dessas experiências que Raphael conta no livro, pode ser adquirido no site http://raphaelbonatto.com.br/ ,  nele estão 27 histórias  que viveu nas 27  capitais brasileira onde ele correu. “O livro tem apenas 147 páginas, muitas fotos, para que a pessoa leia em uma sentada, em um dia. Ficou muito interativo e o feedback tem sido muito bom”, garantiu Raphael, formado em Educação Física e especialista em Fisiologia do Exercício pela Universidade Federal do Paraná.

Família é importante

Raphael: “Apoio da família é fundamental”

O atleta diz que a vida o preparou para que vencesse o desafio de ser um ultramaratonista. “Você tem que começar desde crianças, fazendo suas atividades, depois acabei me tornando atleta profissional muito cedo. Então, só faço isso na vida, meu corpo está acostumado e eu acabo levando isso com alegria pensando positivo. Tem que deixar o tempo passar e sair correndo”, afirmou.

Aliado à força de vontade, o apoio da família tem sido fundamental para o ultramaratonista. “A estrutura familiar faz toda a diferença. Minha esposa e meus três filhos estão lá em Curitiba. Enquanto estou correndo, que é o meu trabalho e com ele levo o sustento para casa, eles estão lá. E entendem muito bem isso, apoiam tudo que eu faço”, destacou.

Correndo pelo mundo

Literalmente, Raphael Bonatto tem corrido pelo mundo todo e só falta conhecer a Ásia. “Tenho vontade de fazer uma prova por lá, se acontecer”, afirmou. “Correr pelo mundo é uma experiência muito legal, você acaba adquirindo cultura, uma bagagem de vida. Aqui mesmo, em Aracaju, é muito legal compartilhar essa experiência com todos vocês. Até me disseram que o sol estava muito forte, mas já passei por experiências marcantes”, ressaltou.

Uma delas foi atravessar o Vale da Morte, na Califórnia, que é um deserto. Essa corrida é considerada a mais difícil do mundo, chamada BadWater (na tradução literal, Água Ruim). São 117 quilômetros correndo sem parar, temperatura acima de 50 graus, umidade relativa do ar próximo de zero”.  Ele já fez essa corrida duas vezes.

Com um currículo desse, que dica Raphael dá para as pessoas que querem começar a correr? “Comece devagar, não queira sair correndo uma maratona. A corrida tem que entrar no seu sangue, você tem que senti-la. Você tem que viver a corrida, antes de querer chegar a alguma meta. Primeira coisa: corra, caminhe, olhe para onde você estar, sinta o ar puro, pare um pouco de olhar para o relógio. Depois que você sentir essa vibração positiva, está pronto.

Depois da entrevista, alguém perguntou a Raphael.  “Tem uma idade para não começar a correr?” E ele respondeu: “quando já estiver morto”.

Na sexta-feira, Raphael participou de uma live feita pela assessoria de imprensa da Unit. Se você não assistiu, pode ver agora. Uma experiência e tanto.

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