sexta-feira, 22/05/2026
Plantação de café
Plantação de café com outras culturas, em Moita Bonita Foto: Luiz Henrique Cunha

Café ainda engatinha em Sergipe, mas avança com novos produtores

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No Dia Mundial do Café, celebrado nesta data, um levantamento inédito da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) revela que a cafeicultura no estado ainda está em estágio inicial, mas já começa a desenhar um cenário promissor. O primeiro Censo da Cafeicultura, realizado em 2025, identificou plantios em 17 municípios e trouxe à tona uma atividade até então invisível nas estatísticas oficiais, abrindo caminho para políticas públicas e organização produtiva.

Jean Carlos Nascimento, diretor de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa da Emdagro / Foto: Ascom Seagri
Jean Carlos Nascimento, diretor de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa da Emdagro / Foto: Ascom Seagri

De acordo com o diretor técnico da Emdagro, Jean Nascimento Ferreira , o objetivo do levantamento foi justamente evitar que o crescimento da cultura ocorra de forma desordenada. “Sergipe está engatinhando. A gente percebeu que havia distribuição de mudas sem orientação, com risco de prejuízo futuro. Por isso, fomos identificar onde estava sendo plantado, para acompanhar e orientar”, explicou.

Segundo ele, a preocupação surgiu após a constatação de que produtores estavam perdendo mudas por falta de irrigação e manejo adequado. “O café é exigente em água. Em muitos locais, sem irrigação, a planta não resiste. Além disso, havia o risco de uso de variedades inadequadas, o que poderia comprometer a produção no futuro”, afirmou.

O censo mapeou 37 propriedades, somando cerca de 20,7 mil plantas em pouco mais de 20 hectares. A produção é majoritariamente familiar e de pequena escala, com predominância do café arábica, especialmente das variedades Catuaí Amarelo e Catuaí Vermelho. Apesar disso, nenhum dos produtores conta atualmente com assistência técnica estruturada, o que reforça a necessidade de políticas de apoio.

A Emdagro já planeja uma atualização do levantamento ainda este ano. “A gente quer acompanhar de perto, porque há previsão de expansão, principalmente no sul e centro-sul do estado. Em novembro e dezembro vamos atualizar os dados para entender como essa cultura está evoluindo”, destacou Jean.

Produção experimental

Luiz Henrique, produtor de café
Luiz Henrique, produtor de café

Entre os produtores que apostam na cultura está o empreendedor rural Luiz Henrique Cunha Andrade, que cultiva café em sistema agroflorestal no interior do estado. Para ele, o plantio surgiu como consequência de um modelo produtivo sustentável. “O café se encaixou bem porque é uma planta que se adapta ao sombreamento. Aqui a gente trabalha com várias culturas juntas, sem uso de insumos químicos, e o objetivo é produzir um café orgânico e agroflorestal”, explicou.

O cultivo começou de forma experimental há cerca de três anos, mas já há planos de expansão. A expectativa é chegar a aproximadamente um hectare plantado, com cerca de três mil mudas. Mesmo assim, a proposta não é produção em larga escala. “Não é um café para supermercado. A ideia é agregar valor, vender com marca própria e oferecer a experiência para quem visitar o sítio”, disse.

Além do café, o produtor mantém outras culturas e aposta no turismo rural como complemento de renda, mostrando um modelo diversificado que pode ser caminho para a agricultura familiar no estado.

Do consumo ao negócio

Heuller Roosewelt
Heuller Roosewelt

Na outra ponta da cadeia, o café também tem impulsionado novos negócios urbanos. O empresário Heuller Roosewelt Silva Melo decidiu investir no setor  e montou a cafeteria Barba de Caju após descobrir o universo dos cafés especiais. “Eu sempre tive contato com café, mas só passei a gostar de verdade quando conheci o café especial. Antes era só uma bebida amarga. Depois disso, virou paixão”, contou.

A mudança de percepção levou à abertura de uma cafeteria, inicialmente como complemento à venda de produtos artesanais. “A gente participava de feiras com biscoitos e levava café. Sempre acabava tudo. Um puxava o outro. Foi aí que decidimos abrir o espaço e focar na bebida”, relatou.

O negócio, inaugurado recentemente em Aracaju, reforça o potencial de crescimento do mercado consumidor local, que começa a valorizar qualidade e experiência.

Apesar dos desafios — como falta de assistência técnica, baixa tecnificação e ausência de mercado estruturado —, o diagnóstico da Emdagro aponta que a cafeicultura pode se consolidar como alternativa de renda em Sergipe.

Experiências como o plantio consorciado e iniciativas empreendedoras indicam que, com planejamento e apoio, o café pode deixar de ser uma cultura incipiente para ocupar espaço relevante na diversificação da produção agrícola do estado.

O café é a segunda bebida mais consumida no mundo, perdendo apenas para a água. É o segundo produto mais comercializado globalmente, atrás apenas do petróleo. No Brasil, Minas Gerais é o estado que lidera a produção nacional

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