terça-feira, 27/10/2026
João Galassi, presidente da ABRAS
Presidente da ABRAS, João Galassi: “Crescer o pequeno fornecedor é alimentar o futuro de uma competição saudável” Fotos: Gilmara Costa/ASES

Consumo cresce 6,5% no Nordeste e Supervendas projeta R$ 140 milhões

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Presidente da ABRAS destaca avanço nas compras de alimentos e importância da feira realizada em Aracaju para fortalecer supermercados, fornecedores e pequenos negócios

 

Por Antônio Carlos Garcia (*)

 

O consumo de alimentos no Nordeste cresceu 6,5% entre os dias 5 e 11 de outubro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. Na semana seguinte, a alta foi de 4,5%. Os números fazem parte de uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (27) pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), durante a realização da 10ª edição da Supervendas, em Aracaju. A entidade relaciona o desempenho à proibição das bets no Brasil.

O evento, que começou na segunda-feira (26) e termina nesta quarta-feira (28), reúne supermercadistas, industriais, distribuidores e fornecedores. A expectativa dos organizadores é movimentar entre R$ 130 milhões e R$ 140 milhões em negócios, superando os R$ 110 milhões a R$ 120 milhões registrados na edição anterior.

Em entrevista exclusiva durante a feira, o presidente da ABRAS, João Galassi, destacou que a pesquisa identificou aumento no volume de alimentos comprados pelas famílias. Segundo ele, o crescimento ocorreu em diferentes formatos do comércio.

“Em todos os modelos que nós temos de negócio, ou seja, atacarejo, supermercado, loja de vizinhança, todos os canais, você teve aumento de consumo”, afirmou.

O levantamento aponta maior procura por produtos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café. No Brasil, o varejo alimentar cresceu 6,5% na primeira semana analisada e 6,3% na segunda, sempre em comparação com os mesmos períodos de 2025.

Supervendas deve receber 10 mil visitantes em Aracaju

A 10ª edição da Supervendas tem expectativa de receber aproximadamente 10 mil visitantes durante os três dias de programação. A feira reúne representantes de diferentes segmentos da cadeia de abastecimento e busca ampliar as oportunidades comerciais no mercado sergipano.

Segundo Bruno Ferreira, presidente da ASES, a edição anterior movimentou entre R$ 110 milhões e R$ 120 milhões. Neste ano, a projeção chega a R$ 140 milhões.

Supervendas 10 edição
A 10ª edição da Supervendas reúne indústria, fornecedores e supermercadistas em Aracaju, com expectativa de movimentar até R$ 140 milhões em negócios. Foto: Gilmara Costa/ASES

 

A participação do Sebrae também ganhou destaque. De acordo com informações apresentadas durante a entrevista, a instituição participa com cerca de 70 a 72 expositores, ampliando o espaço para pequenos negócios e fornecedores. Além da exposição de produtos, a programação inclui palestras e oportunidades de negociação entre indústria e comércio.

Para João Galassi, eventos desse tipo têm uma função que vai além da realização imediata de negócios. “Unir a indústria e o varejo. A distribuição, ou seja, a cadeia como um todo, dentro de um único evento”, destacou o presidente, ao explicar a importância das feiras supermercadistas.

Segundo ele, as novidades apresentadas pela indústria e as condições comerciais negociadas durante os encontros podem chegar posteriormente aos consumidores.

Pequenos fornecedores são estratégicos para o setor

Durante a visita à Supervendas, Galassi elogiou a organização do evento e destacou a importância de aproximar os pequenos fornecedores das redes supermercadistas.

O dirigente lembrou que o Brasil possui um varejo alimentar menos concentrado do que o observado em outros países. Segundo ele, essa característica favorece a concorrência e amplia as oportunidades para empresas regionais. “Se você deixar o setor concentrar, você acaba com as associações e você acaba com a competição”, alertou.

Galassi afirmou que o fortalecimento dos pequenos fornecedores é fundamental para preservar a diversidade de empresas no mercado. “Crescer o pequeno fornecedor é alimentar o futuro de uma competição saudável, até para o próprio varejo”, ressaltou.

O presidente também destacou que as feiras permitem aos empresários conhecer novos produtos, estabelecer parcerias e negociar diretamente com fabricantes e distribuidores.

Na avaliação dele, essas iniciativas são especialmente importantes para empresas de menor porte, que enfrentam maiores dificuldades para acessar grandes mercados.

Pesquisa da ABRAS aponta crescimento em todo o Brasil

A pesquisa divulgada pela ABRAS mostra que o aumento do consumo alcançou todas as regiões analisadas.

O Sul liderou o levantamento nas duas semanas, enquanto o Nordeste acompanhou a média nacional na primeira. Na segunda, a região manteve crescimento, embora em ritmo menor.

Crescimento do varejo alimentar por região

Fonte: Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). Levantamento divulgado em 27 de outubro de 2026.

Fim das bets pode ampliar vendas de alimentos

João Galassi relacionou o crescimento do consumo à proibição das apostas online, estabelecida, segundo o material da ABRAS, pela Medida Provisória 1.394/2026, publicada em 25 de setembro.

A entidade também citou dados atribuídos ao Banco Central. Segundo a ABRAS, o número de transações via Pix caiu 10% imediatamente após a proibição. Posteriormente, a redução passou para 7%.

“Casou com a informação do Banco Central, que caiu a atividade do Pix em 10% e aumentou o consumo nos lares brasileiros nessas semanas”, afirmou Galassi.

O presidente ressaltou que o levantamento considera o volume de mercadorias comercializadas, e não apenas o faturamento. Assim, a entidade busca identificar o crescimento efetivo das compras, sem confundi-lo com a inflação.

Entretanto, os dados apresentados não demonstram, isoladamente, que o fim das apostas tenha sido o único responsável pelo aumento do consumo. Outros fatores econômicos também podem influenciar o comportamento das famílias.

Escala 5×2 pode elevar custos dos pequenos supermercados

Outro tema abordado por João Galassi durante a Supervendas foi a proposta de redução da jornada de trabalho, com adoção da escala 5×2.

O presidente da ABRAS defendeu a mudança, mas alertou para os impactos financeiros sobre os pequenos supermercados. Segundo suas estimativas, estabelecimentos menores podem registrar aumento de até 25% nos custos com pessoal. Nas grandes redes, o impacto poderia chegar a 15%.

A diferença ocorre porque empresas de menor porte possuem equipes reduzidas em setores como açougue, padaria e hortifrúti. Dessa forma, a mudança na escala pode exigir novas contratações para manter o funcionamento das lojas.

Para enfrentar esse desafio, a ABRAS defende a contratação de trabalhadores por hora, com carteira assinada e garantias previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A entidade também propõe a redução dos encargos sobre a folha de pagamento.

Galassi considera a escala 5×2 um avanço, especialmente para as mulheres que acumulam responsabilidades profissionais, domésticas e familiares.

No entanto, ele defende medidas que permitam conciliar melhores condições de trabalho com a manutenção dos empregos e a competitividade das pequenas empresas.

Setor supermercadista movimenta R$ 1,2 trilhão

Durante a entrevista, João Galassi apresentou números que demonstram a dimensão econômica do setor supermercadista brasileiro.

Segundo ele, o segmento movimenta aproximadamente R$ 1,2 trilhão por ano, reúne 424 mil lojas e responde por cerca de 9 milhões de empregos diretos e indiretos.

Desse total de estabelecimentos, aproximadamente 370 mil empresas estão enquadradas no Simples Nacional, conforme os números apresentados pelo dirigente.

Para Galassi, preservar a presença das pequenas empresas é fundamental para manter a concorrência, estimular o desenvolvimento regional e ampliar as oportunidades de emprego.

Nesse contexto, a Supervendas representa uma oportunidade de aproximar fornecedores e comerciantes, fortalecer negócios locais e preparar o setor para as vendas de fim de ano.

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