Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)
Setembro chegou. O ano se encaminha para o final. Gosto dos meses que terminam em “bro”; ou seja, os quatro meses que fecham o ano.
A atmosfera da cidade mudou. Ventos fortes fazem as folhas das árvores caírem, renovando-as.
Precisei me ausentar por uns dias. Fiz uma excursão por um país vizinho. Ao desembarcar, respirei o ar da Ilha do Amor. Caminho pelo centro da cidade, em final de tarde, e sinto o mormaço e o vento desalinhando o cabelo.
A cidade está tão bonita que até o mar mudou de cor. Talvez para celebrar os 414 anos de São Luís, neste 8 de setembro. De setembro em diante, começo a desacelerar, dando lugar a mais entardeceres e a apreciar o que essa ilha tem de mais belo. Ando pelo mundo, mas é em São Luís que está minha identidade, o que me cativa. Sem São Luís, sou apenas mais um desgarrado, sem história.
Que setembro traga saúde, porque continuamos a perceber demasiado tarde que quase todo o resto perde importância quando ela falta. Que traga tranquilidade para quem anda cansado de resolver problemas, de fazer contas à vida e de fingir que está tudo bem quando, na verdade, só precisava de alguns dias sem ter de se preocupar com nada. Gosto de palavrar e também de escutar. Quantas histórias únicas e especiais ouvi em tempos recentes.
Que a calma de setembro traga oportunidades, mas sobretudo discernimento para perceber quais merecem realmente um “sim”. Nem todas as portas abertas nos levam para onde queremos ir e, às vezes, uma das maiores conquistas da vida é aprender a não entrar em todas.
Às vezes, portas fechadas são livramentos de pessoas e problemas não detectados.
Que setembro traga trabalho para quem procura, estabilidade para quem vive na incerteza e dinheiro suficiente para que ninguém tenha de escolher constantemente qual das preocupações paga primeiro. Porque podemos romantizar muitas coisas, mas viver permanentemente preocupado com dinheiro rouba uma paz que nenhuma frase bonita ou curso de autoajuda consegue devolver.
Que este mês cure algumas coisas que ainda doem em silêncio. Uma saudade, uma desilusão, uma relação que terminou, uma ausência que ainda pesa ou simplesmente aquele cansaço que ninguém vê porque continuamos a sorrir normalmente.
E, no meio de tudo isto, que setembro não se esqueça de nos trazer momentos bons. Daqueles que acontecem sem aviso, numa mesa com pessoas de quem gostamos, numa mensagem inesperada, num abraço demorado ou num dia absolutamente comum que acaba por ficar na memória. Um café com um amigo.
Não esperemos que setembro mude a nossa vida inteira. Às vezes, basta que nos devolva um bocadinho da esperança que os meses anteriores foram levando.
Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar
Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim, não custa inventar
Uma nova canção que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender
Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim, não custa inventar
Uma nova canção que venha trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender”, canção de Ronaldo Bastos e Beto Guedes.
Que setembro seja gentil com todos.
Só Sergipe Notícias de Sergipe levadas a sério.


