Escrito antes da decisão da Copa do Mundo de 2026, este artigo mostra por que, muito além do placar final, a comunicação continua sendo o maior diferencial das equipes vencedoras
Por Por Diego Cabral Ferreira da Costa (*)
Enquanto escrevo este texto, ainda não conheço o campeão da Copa do Mundo de 2026. Não sei se a taça ficará com a Argentina ou com a Espanha. Mas uma certeza já existe: nenhuma equipe chega à final de um Mundial sem uma comunicação eficiente.
As duas seleções representam modelos distintos de liderança e, consequentemente, de comunicação.
A Argentina encontrou em Lionel Messi um líder reconhecido por todos. Um jogador, cuja simples presença, transmite confiança. Nem sempre é o mais falante dentro de campo, mas sua linguagem corporal, suas atitudes e sua capacidade de decidir nos momentos mais importantes comunicam muito mais do que qualquer discurso. É a comunicação da credibilidade. Quando o líder fala, ou até quando apenas age, o grupo acredita.
A Espanha seguiu outro caminho. Seu futebol coletivo demonstra que a comunicação não precisa estar concentrada em uma única voz. Ela acontece através da circulação da bola, da ocupação dos espaços, da paciência para construir cada jogada e da confiança mútua entre os atletas. A mensagem é clara: todos participam, todos se comunicam e todos lideram em algum momento da partida.
Essa talvez seja a principal lição do Mundial.
A comunicação não possui um único formato. Existem líderes que inspiram pela presença e existem equipes que se fortalecem pela qualidade das conversas, pelo alinhamento constante e pelo entendimento do propósito comum.
Nas empresas acontece exatamente o mesmo.
Há organizações que dependem excessivamente de um único líder. Quando ele está presente, tudo funciona. Quando se ausenta, surgem dúvidas, insegurança e desorganização. Em contrapartida, existem empresas onde a comunicação está distribuída, os processos são claros e as pessoas sabem exatamente o que fazer porque o propósito foi compartilhado.
A comunicação assertiva é justamente essa capacidade de transformar informações em entendimento, entendimento em confiança e confiança em ação.
Equipes vencedoras não vivem de discursos motivacionais. Vivem de conversas sinceras, feedbacks constantes, objetivos claros e respeito entre as pessoas.
O silêncio também comunica.
A impaciência comunica.
A falta de escuta comunica.
A ausência do líder comunica.
Por outro lado, a coerência, a serenidade e a confiança também comunicam. E talvez sejam essas as características que aproximaram Argentina e Espanha da decisão do maior torneio do futebol mundial.
Independentemente de quem levante a taça, uma verdade permanecerá: antes de formar campeões, a boa comunicação forma equipes. E equipes que se comunicam bem desenvolvem líderes capazes de enfrentar qualquer desafio.
No futebol, na gestão e na vida, comunicar não é apenas falar. É fazer com que todos caminhem na mesma direção.
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