domingo, 25/10/2020
Luís Moura, do Dieese: "melhor medida do governo foi o auxílio emergencial" Jadilson Simões/ Jornal da Cidade

Redução da taxa Selic não terá impacto no consumo, diz economista

O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócios Econômicos em Sergipe (Dieese), Luís Moura, disse que a redução da taxa Selic de 6,5% para 6% ao ano “dificilmente terá um impacto no consumo”. Ele considerou a redução boa para as contas públicas, o mínimo de queda de juros e afetará o rendimento de algumas aplicações financeiras. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu o mercado, pois a taxa está no menor nível da história.

Moura afirmou que a ideia de reduzir a taxa Selic já estava presente porque a economia “está estagnada, não cresce, não produz, o desemprego é elevado. Não haveria razão nenhuma de manter a taxa em 6,5%”. Essa redução, na opinião do economista, cria um efeito psicológico.

Ele lembrou que os Estados Unidos reduziu a taxa de juros após 10 anos, para tentar evitar uma recessão. “No nosso caso, é tentar sair da situação de estagnação. A ideia do Copom é reduzir a taxa Selic até 5,5% até o final do ano”, frisou. Moura alertou que, de alguma maneira, o governo tem de criar mecanismos de incentivo ao consumo para que a roda volte a girar.

“Se os juros tiverem uma queda significativa pode estimular o consumo, mas por hora acho muito difícil. Os empresários dizem que o ano de 2019 está perdido”, completa o economista. Ele diz que a redução do desemprego foi muito pequena, os empregos gerados são de baixa remuneração. “O crédito precisa voltar a crescer para termos a perspectiva de compra”, comentou.

Banco do Brasil

Hoje os bancos anunciaram redução das taxas de juros do crédito.  O Banco do Brasil disse que as novas taxas entrará em vigor a partir da próxima segunda-feira (5). Nas linhas de financiamento imobiliário para pessoa física, as taxas mínimas passarão de 8,49% para 8,29% ao ano, na aquisição pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), e de 8,85% para 8,65% ao ano na linha aquisição PF-CH (carteira hipotecária).

Na linha BB Crédito Veículo Próprio, em que o cliente oferece seu automóvel como garantia, as taxas serão reduzidas de 1,57% para 1,53% ao mês, na faixa mínima, para contratações realizadas pelo aplicativo do BB para mobile.

A taxa mínima das linhas de financiamento de veículos novos e seminovos, contratados pelo mobile passará para 0,84% ao mês, ante 0,88% ao mês cobrados até então.

Para as linhas de empréstimo pessoal sem garantia, a taxa mínima será reduzida de 2,99% para 2,95% ao mês. No cheque especial, a taxa mínima passará de 1,99% para 1,95% ao mês.

O Banco do Brasil também reduzirá os juros para pessoas jurídicas. Na linha desconto de cheque, as taxas mínimas passarão de 1,26% para 1,22% ao mês. Para o desconto de títulos, as taxas mínimas passarão dos atuais 1,16% para 1,12% ao mês.

Os juros para as linhas BB Giro Digital e BB Giro Empresas também ficarão mais baixos. As taxas mínimas cairão de 2,52% para 2,48% ao mês e de 0,95% para 0,91% ao mês, respectivamente.

Caixa Econômica Federal

Antes do anúncio de redução da Selic, a Caixa já havia comunicado juros também. Ontem, a Caixa informou que os clientes pagarão menos juros nas principais linhas de crédito e terão acesso a um pacote de serviços com taxas mais baixas. A redução valerá tanto para pessoas físicas como para empresas.

Itaú Unibanco

O Itaú Unibanco informou em nota que repassará integralmente a seus clientes o corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic. Para pessoa física, a redução será no empréstimo pessoal e, no caso de pessoa jurídica, no capital de giro.

Com informações da Agência Brasil

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