domingo, 15/09/2019
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A Aracaju Card quer que todos os passageiros tenham cartão Fotos: Jadilson Simões

Passageiros terão aplicativo para pagar passagens

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Só Sergipe

Aracaju – Até o final deste ano,  tirar o dinheiro  do bolso para pagar a passagem do transporte coletivo de Aracaju será coisa do passado. O passageiro vai sacar o cartão. A Aracaju Card, empresa que administra o sistema de bilhetagem eletrônica da capital, espera que 100% dos usuários tenham um cartão. E para facilitar ainda mais a vida de quem anda de ônibus, ele poderá comprar os créditos a partir de um aplicativo que  será baixado num smartphone nas plataformas  Android e App Store.  Essa  tecnologia terá suas vantagens: vai permitir mais facilidades a população e reduzir o número de assalto a ônibus. Irá melhorar a vida de pessoas como Marta Ribeiro, que considera o ônibus um serviço tão essencial quanto o dela: ela é enfermeira.

O diretor executivo do Aracaju Card, José Carlos Amâncio, garantiu que os estudos para implantação do aplicativo estão em andamento, mas, por enquanto evita falar nos valores deste investimento. Hoje, 70% dos 7 milhões de passageiros que usam o transporte em Aracaju e região metropolitana possuem um dos oito tipos de  cartões,  mas ele trabalha  para que os 30% restantes também tenham acesso a esse produto.

Marta Ribeiro já tem o dela, mas fica incomodada quando tem que enfrentar fila para validar o cartão.  Por isso, mostrou-se animada ao saber que, dentro em breve, o aplicativo poderá ser baixado no seu celular, pois não gastará tempo na fila e o utilizará em outra atividade ou até mesmo para descansar.  “Serei uma das primeiras pessoas a colocar o aplicativo no meu celular”, avisou.

O José Carlos Amâncio assegura a Marta Ribeiro que o sistema ficará mais ágil e as filas acabarão, não só nos locais onde são validados os cartões, mas também nos terminais da integração. Tem gente, como o comerciário José Souza de Santana que nem tira  o cartão da carteira na hora de passar na catraca:  apenas encosta no equipamento e a passagem é registrada.

Atualmente, existem cinco postos de atendimento para validação dos cartões: na sede do Aracaju Card, na Rua do Turista, no Terminal do Distrito Industrial de Aracaju (DIA),  na Universidade Federal de Sergipe (UFS) e na Universidade Tiradentes (UNIT). Souza que trabalha no centro da cidade,  se dirige à Rua do Turista, enquanto Marta Ribeiro vai para o posto do DIA.

Tanto o aplicativo como a meta de que todos tenham o cartão em mãos deixará Aracaju  ao lado de cidades como  Sorocaba e Santos, no interior de São Paulo,  onde a bilhetagem já chegou a 100%. Um levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU),  está presente em 77% das cidades brasileiras com mais de 50 mil habitantes.

Redução –  Assim como os passageiros Marta Ribeiro e José Souza, o presidente  do Sindicato dos  Trabalhadores do Transporte de Aracaju (Sinttra), Miguel Belarmino da Paixão,  espera que as metas do Aracaju Card se concretizem. E ele tem motivos de sobra para que tudo dê certo. Belarmino acredita que com a bilhetagem eletrônica, haja uma redução no número de assaltos a ônibus, um grave problema enfrentado por motoristas, cobradores e usuários. Mas ele faz um alerta: “é necessário que os empregos dos cobradores sejam preservados”.

Segundo dados do Sinttra, no mês de setembro deste ano, ocorreram 108 assaltos a ônibus, contra 58 no mesmo período do ano passado. E de janeiro até setembro deste ano, foram registrados 876, contra 740 em igual período de 2014.  O motorista Manoel Dimas, 34 anos, cinco de profissão, está entre os que foram vítimas de assalto. Ele se deparou com dois assaltos nos últimos meses e acredita que o pagamento da passagem via cartão poderá “amenizar” a ocorrência desse tipo de crime.

No entanto, Manoel chama atenção para um detalhe: os ladrões já começam a fazer arrastões. Ou seja, para eles não é importante somente a renda que o cobrador tem em caixa, mas os pertences dos usuários, principalmente, os telefones celulares. Diante de cenário tão desanimador, ele se resigna e clama por Deus: “somente o Eterno pode acabar com tanta violência”.

O motorista José Onias teme os arrastões
O motorista José Onias teme os arrastões

O motorista José Onias de Jesus Bahia, 52 anos, 28 de profissão, já foi assaltado três vezes. Quando todos estiveram usando o cartão,  ele vislumbra uma redução significativa no número de assaltos a ônibus. Mas, assim como o colega Manoel Dimas, ele teme que os arrastões passem a ser uma nova modalidade.  “Quando não tem uma coisa, tem outra”, observa.

Dimas dirige preocupado pela cidade  e  pensa, num futuro próximo, em mudar o instrumento de trabalho: trocar o ônibus por um caminhão que quer comprar. Ele não quer mais passar por situações traumáticas  como os colegas da Viação Modelo enfrentaram recentemente e  que foram flagradas pelas câmeras de segurança.

Veja:

Imagens como essas deixam, não só toda a categoria sobressaltada, mas também os gestores. O gerente operacional da Modelo, Hector Raul Coronado, disse que a imagem acima mostra apenas um dos quatro assaltos que a empresa sofreu nos últimos dias de setembro de 2015.

Por conta da violência diária, pouco mais de uma dezena de motoristas e cobradores está sendo atendida por psicólogos contratados pela Viação para que eles possam superar o trauma vivido com a violência.  Um tanto cético, Hector não acredita que, mesmo sem dinheiro nos ônibus, os assaltos vão terminar.

Facilidade na hora de pagar a passagem com o cartão
Facilidade na hora de pagar a passagem com o cartão

Mudanças  – Assim como Hector, a estudante Luísa de Araújo Silva, residente no Conjunto João Alves Filho, em Nossa Senhora do Socorro, região metropolitana de Aracaju, não crê que os problemas sejam resolvidos  somente com a bilhetagem. Ela já presenciou dois assaltos e acha que quando o cobrador não tiver dinheiro, os passageiros serão roubados.

Ela  acredita que a tecnologia a ser implantada pelo Aracaju Card deve estar aliada, principalmente, às mudanças nas leis para que os assaltantes possam ser punidos. “Os bandidos sempre são soltos e voltam a praticar o mesmo crime e ninguém faz nada para termos leis mais duras”, lamentou. Enquanto não houver mudanças no ordenamento jurídico, para ir  estudar e ter lazer, Luísa vai continuar usando o transporte coletivo.

“Esse é um serviço que me permite acesso a coisas que considero essenciais em minha vida: meus estudos, meu trabalho e meu lazer”, declarou. Independentemente  dos avanços, ir e vir com tranquilidade é o desejo de 280 mil pessoas que,  como Marta, José Souza e  Luísa Araújo, todos os dias utilizam os 598 ônibus que compõem a frota de ônibus de Aracaju e região metropolitana com o intuito se deslocarem para o trabalho, estudo e lazer.

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