segunda-feira, 14/10/2019
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O JC e eu

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Antonio Carlos Garcia

Eis que um dia todo amor chega ao fim. Um certo amor durou 17 anos, mas em virtude de uma crise que se abateu na outra parte, ela preferiu encerrar a relação, sem discussões, lamúrias ou promessas. Há tempos, ela vinha dando sinais de que as coisas não iam bem, mas sempre havia a esperança de que os problemas fossem resolvidos, sem que houvesse necessidade de um rompimento. Por mais que tivessem feito esforços, não teve jeito. Ela, de forma cirúrgica, terminou tudo.

Histórias como a contada no início deste texto acontecem aos montes mundo afora. Mas aqui, ela foi lembrada para fazer uma analogia da minha relação de trabalho e amor com o Jornal da Cidade, o mais completo, que durou 17 anos, e terminou na sexta-feira pela manhã, dia 4 de novembro de 2016. Nesse período, passei pelas editorias de segurança, cidades, veículos, fui chefe de reportagem interino muitas vezes e, por último, estava na editoria de política.

Nesse longo período, que, às vezes, me parece que começou ontem, vivi experiências marcantes, convivi com pessoas incríveis e tudo isso, sem sombra de dúvidas, contribuiu para o meu crescimento pessoal e profissional. Justamente, por não contar o tempo pelas horas ou anos, é que quando soube que não fazia mais parte da equipe JC um sentimento de vazio me abateu por uns instantes.

Que pauta debater ou apurar na segunda pela manhã? Entrevistar quem, sobre o quê? Jornalismo é uma cachaça; o cheiro do jornal saído da rotativa é igual ao cheiro do café de manhã bem cedo; o barulho da redação é um canto e a correria para fechar o material dentro do deadline, uma gostosa maratona. Tudo isso não tem preço. Para as outras coisas existe… Ah, vocês sabem!!

Saudosismos à parte, mas a tristeza, ao invés de abater-me, motiva-me e obriga-me a renascer a todo instante tentando ser cada vez melhor. Somos aquilo que pensamos. E eis que o pensamento se transforma em ação. Por isso, sigo em frente de forma positiva, tendo consciência de que sou o condutor do meu próprio destino e que as escolhas que eu fizer, agora, repercutirão na minha vida. Que é a vida, se não a arte de, a todo instante, fazer escolhas?

Lembro-me que, em 99, escolhi o JC para trabalhar e quando ele me aceitou, fiquei muito feliz. Agora, quando ele escolheu me deixar, só me resta desejar sucesso à empresa e aos meus caros colegas que ficaram, alertando-os sobre a necessidade de se desafiarem a cada instante. Todos os dias ao começar a ler “o mais completo” quero sentir o coração de vocês ali, batendo firme, levando avante a máxima de Beaumarchais quando ensina que “sem liberdade de criticar, não existe elogio sincero”.

Vou ficando por aqui, bastante animado e com “fé no que virá, afinal nós podemos muito, nós podemos mais”. Sigo pensando como Diderot: “nem que seja para fazer alfinetes, o entusiasmo é indispensável para sermos bons no nosso ofício.”

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Em tempo: estou à disposição de todos na Secretaria de Justiça e Defesa do Consumidor (Sejuc). Acessem também o portal www.sosergipe.com.br

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