O município de Riachão do Dantas, a 97 quilômetros de Aracaju, celebra neste sábado, 9 de maio, os 156 anos de emancipação política com uma programação que une memória, arte e cultura. O ponto alto das comemorações será às 9h, no Memorial de Riachão, com a abertura da exposição fotográfica “Riachão: Retratos de uma Terra Forte”, primeira mostra autoral do município, reunindo imagens inéditas sobre o cotidiano, as paisagens e a identidade do povo riachãoense.
Com curadoria dos fotógrafos Gabriel Fontes e Carla Regina, a exposição “Riachão: Retratos de uma Terra Forte” apresenta um olhar artístico e sensível sobre o cotidiano, as paisagens e os personagens do município.
Para além das tradicionais celebrações, a data será marcada por um mergulho na memória cultural, visual e intelectual da cidade, reunindo fotografia, literatura, artesanato, gastronomia e música em uma programação que se estende ao longo do mês de maio.

Galeria
No mesmo espaço, o público poderá visitar o “Espaço de Poder: Galeria dos Intendentes e Prefeitos(as)”, com curadoria de João Coelho e Robério Souza, promovendo um diálogo entre a trajetória política oficial da cidade e a vida pulsante da população.
Ao longo do dia, a programação segue com feirinha de artesanato e gastronomia na Praça da Feira, reunindo mais de 20 estandes de produtores locais e apresentações musicais. Também está prevista uma missa em Ação de Graças e, à noite, shows com bandas nacionais.
O mestre volta para casa
As celebrações continuam no próximo dia 15 de maio, quando Riachão do Dantas receberá um de seus filhos mais ilustres: o escritor Francisco J. C. Dantas. Aos 85 anos, o autor de obras consagradas como Coivara da Memória — vencedor do Prêmio Jabuti — e Os Desvalidos participará de um encontro literário promovido pela Academia Riachãoense de Letras, Artes e Cultura (ARLAC). Ele lançará sua décima obra, Roteiro Afetivo.
Conhecido pela extrema discrição e por raramente participar de eventos públicos ou lançamentos, o escritor abriu uma exceção afetiva para homenagear os amigos riachãoenses. O novo livro, segundo a organização, foi escrito em homenagem à cidade e será distribuído gratuitamente durante o encontro, conforme desejo do autor.
A apresentação da obra ficará a cargo da professora Maria Lúcia Dal Farra, reforçando o peso intelectual do evento. A crítica especializada coloca Francisco Dantas entre os grandes nomes da literatura brasileira contemporânea, frequentemente comparado a autores como Guimarães Rosa e Graciliano Ramos.
Programação
09 de maio — Aniversário da cidade
- 09h: abertura das exposições no Memorial de Riachão;
- 14h às 20h: feirinha de artesanato e gastronomia na Praça da Feira;
- 16h: missa em ação de graças;
- 22h: shows com bandas nacionais.
15 de maio — Cultura
- 16h: encontro literário com o escritor Francisco Dantas, no Memorial de Riachão.
A história de Riachão do Dantas
A história de Riachão do Dantas começou ainda no período colonial, após a conquista de Sergipe em 1590, quando a região passou a ser ocupada por sesmarias voltadas à criação de gado e aos engenhos de açúcar. Durante muitos anos, o território permaneceu pouco povoado, marcado por grandes fazendas e pelo isolamento geográfico.
O núcleo urbano surgiu no início do século XIX, nas terras da Fazenda Riachão, de João Martins Fontes, às margens do riacho Limeira. A construção da Capela de Nossa Senhora do Amparo impulsionou o crescimento do povoado, que se desenvolveu ao redor da igreja, seguindo o modelo das antigas vilas brasileiras.

Com o avanço da povoação, foram criados os primeiros serviços públicos, como a cadeira de primeiras letras para meninas, em 1848, e o distrito de subdelegacia, em 1854. Em 1864, a localidade foi elevada à categoria de vila, mas disputas políticas entre liberais e conservadores levaram à revogação da emancipação no ano seguinte.
A autonomia definitiva veio apenas em 9 de maio de 1870, quando a Freguesia de Nossa Senhora do Amparo foi novamente elevada à categoria de vila, desmembrando-se de Lagarto. No ano seguinte, foi instalada a Câmara Municipal.
Inicialmente chamada apenas de Riachão, a cidade passou a se chamar Riachão do Dantas em homenagem ao coronel João Dantas Martins dos Reis, importante liderança política do período imperial e uma das figuras centrais na consolidação do município.
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