Cúpula da Aegon veio a Aracaju conhecer a operação da MAG e a parceria com o Banese, que pode ganhar dimensão regional
Por Antônio Carlos Garcia (*)
Ampliar a oferta de seguros e produtos de proteção financeira aos clientes do Banese e avaliar a possibilidade de transformar a unidade da MAG em Sergipe em seu Centro Operacional no Nordeste estão entre os principais motivos que trouxeram a Aracaju a cúpula mundial do Grupo Aegon. Na noite desta quarta-feira (16), o CEO e presidente do Comitê Executivo da multinacional, Lard Friese, participou de encontro promovido pelo Banese ao lado de Helder Molina, chairman do Grupo MAG, e do presidente do banco sergipano, Marco Queiroz.
O Banese foi o único parceiro da MAG escolhido para receber a cúpula da Aegon durante a passagem de seus principais executivos pelo Brasil. Além de Friese, vieram a Sergipe Will Fuller, CEO da Aegon Américas e presidente da Transamerica, e Marco Keim, CEO da Aegon Internacional. Nesta quinta-feira (17), a agenda prossegue com reunião no Banese e encontro previsto com o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri.
Segundo Helder Molina, os três executivos estão no Brasil por apenas 24 horas e a escolha de Sergipe está relacionada ao estágio alcançado pela parceria com o Banese. “São as três cabeças mais importantes da Aegon. E a gente escolheu, estando eles aqui por 24 horas, um único parceiro: escolhemos o Banese”, afirmou Molina.

Sergipe no plano de expansão
A possibilidade de Sergipe ganhar maior importância na estrutura regional da MAG surge pouco mais de seis meses depois de a seguradora instalar uma unidade em Aracaju. Em 10 de março, o Só Sergipe mostrou que a chegada da empresa ao estado fazia parte da parceria com o Banese para comercialização e distribuição de seguros pelos canais do banco. O contrato tem prazo de dez anos e prevê exclusividade na distribuição de seguros de acidentes pessoais e prestamista.
Na ocasião da inauguração, a MAG informou possuir cerca de 115 mil clientes e mais de 370 corretores cadastrados em Sergipe. A companhia registrava ainda 42,8% de participação no mercado sergipano em seu segmento e havia pago mais de R$ 9,7 milhões em benefícios no estado nos cinco anos anteriores.
Desde então, segundo Helder Molina, equipes da MAG têm trabalhado em conjunto com profissionais do Banese para ampliar a operação e preparar novos produtos para o mercado local. “Tivemos muitos projetos. Muita gente do nosso time tem vindo para cá para fazer toda a interseção com o Banese, todos os produtos que a gente pode apresentar. Isso tem sido maravilhoso para a MAG”, afirmou.
Molina disse que a base de clientes está crescendo, embora não tenha apresentado um número atualizado, e confirmou que novos produtos estão sendo preparados para chegar ao mercado. Para ele, a presença da companhia em Sergipe deve ser aprofundada. “A empresa cada vez mais tem que fincar raízes no estado de Sergipe”, afirmou.
Molina vê espaço para expansão porque considera ainda reduzido o acesso da população brasileira a produtos de proteção financeira. “Eu acho que tem muito a ser construído. A população brasileira tem muito pouca proteção, principalmente para os produtos de morte e invalidez e também produtos de sobrevivência. E a gente quer ajudar a mudar essa realidade, junto com o Banese”, disse.
Aegon vê espaço para ampliar oferta
Lard Friese destacou que a Aegon é parceira da MAG desde 2009 e afirmou que o grupo está satisfeito com o desempenho da operação brasileira e com o crescimento obtido ao longo dos anos. Para o executivo, uma das forças da MAG está justamente na construção de parcerias. Em Sergipe, Friese destacou a base de clientes do Banese e a carteira de crédito oferecida pelo banco a famílias e empresas.
É nesse mercado que a MAG pretende ampliar a oferta de produtos de proteção financeira. “Gostaríamos de alcançar a maior quantidade de famílias possível”, afirmou Friese, ressaltando que o crescimento deve ocorrer por meio de parceiros que compartilhem a mesma visão sobre atendimento ao cliente.
Segundo ele, em Sergipe a intenção é complementar os serviços oferecidos pelo Banese com produtos da MAG, incluindo seguro de vida e seguro prestamista — modalidade destinada à quitação ou amortização de dívidas nas situações previstas na apólice.
Questionado sobre a possibilidade de ampliar a presença da MAG no Nordeste a partir de Aracaju, Friese destacou a ambição de crescimento da companhia brasileira e a importância das parcerias para essa estratégia.
Não houve anúncio de instalação de uma unidade própria da Aegon em Sergipe. A avaliação em curso envolve a possibilidade de a estrutura da MAG no estado assumir uma função operacional de maior alcance no Nordeste.
Aegon tem negócios internacionais liderados pelo Brasil
A presença da cúpula da Aegon em Aracaju ganha dimensão pelo porte da companhia. O grupo atua internacionalmente em seguros de vida, previdência, investimentos e gestão de ativos e tem na Transamerica sua principal operação nos Estados Unidos. No Brasil, sua atuação ocorre por meio da parceria com a MAG.
A associação entre a então Mongeral e a Aegon começou em 2009. A MAG informa possuir atualmente mais de 6 milhões de clientes no Brasil, mais de 7,2 mil corretores parceiros e cerca de 800 parceiros de negócios.
Os resultados mais recentes da Aegon mostram crescimento das operações. No primeiro semestre de 2026, o grupo registrou resultado operacional de € 804 milhões, avanço de 9% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro líquido chegou a € 608 milhões, ante € 606 milhões no primeiro semestre do ano passado, enquanto a geração operacional de capital cresceu 27%, alcançando € 416 milhões.
Ao divulgar os números, em agosto, Lard Friese destacou que os negócios internacionais do grupo continuaram crescendo no primeiro semestre, liderados pelo Brasil.
A Aegon passa também por uma transformação estratégica internacional. A companhia decidiu aumentar seu foco no mercado norte-americano e está em processo de transferir sua sede e domicílio jurídico para os Estados Unidos, tendo escolhido Nova York para receber futuramente a sede do grupo.
Will Fuller, que participa da visita a Sergipe, comanda a Transamerica e a Aegon Américas e deverá assumir, em janeiro de 2027, a função de presidente e diretor de Operações da Aegon. Marco Keim, também presente em Aracaju, é CEO dos negócios internacionais e membro do Comitê Executivo do grupo.
Parceria de dez anos
A relação comercial entre Banese e MAG começou a ser formalizada em julho de 2025. Em fato relevante divulgado ao mercado em 18 de setembro daquele ano, o Banese confirmou a assinatura do contrato de dez anos com a Mongeral Aegon Seguros e Previdência para comercialização e distribuição, com exclusividade, de seguros de acidentes pessoais e prestamista pelos canais de venda do banco.

A aproximação ganhou estrutura física em março deste ano, com a abertura da unidade da MAG em Aracaju. Agora, seis meses depois, a presença em Aracaju da principal liderança global da Aegon e dos responsáveis pelas operações nas Américas e nos mercados internacionais coloca a parceria em uma nova etapa, com a possibilidade de a estrutura instalada em Sergipe assumir papel regional.
Marco Queiroz considera a escolha do Banese para receber os executivos uma demonstração do estágio alcançado pela parceria. “A parceria foi formalizada em julho de 2025, mas, de lá para cá, se consolidou. A MAG, ao invés de trazer só planilhas, contratou pessoas, trouxe um diretor para a operação de Sergipe”, afirmou o presidente do Banese.
Segundo Queiroz, a presença física da companhia demonstra a intenção de construir uma relação de longo prazo. “É uma forma de mostrar para os sergipanos e sergipanas que essa parceria é duradoura e é boa para Sergipe. O Grupo MAG se expande muito no Brasil. E eu fico feliz, nessa jornada do Grupo MAG, de ter um parceiro no Nordeste e esse parceiro ser o Banese”, afirmou.
O presidente do banco, no entanto, foi cauteloso ao tratar de uma eventual instalação de uma estrutura própria da Aegon no estado. “Quem não deseja que uma empresa que inicie uma expansão no Nordeste, sendo sergipano, que não seja por Sergipe? Mas essa visita não é uma visita em que nós estamos esperando essa decisão”, ponderou.
Segundo Queiroz, o objetivo imediato é apresentar aos executivos internacionais o Banese, sua estrutura e o potencial da parceria construída com a MAG. “Essa visita é para mostrar que eles têm um grande parceiro. É um banco sólido, é um banco que cresce. É um banco que tem a cara do povo sergipano”, afirmou.
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