A cesta básica em Aracaju fechou dezembro de 2025 com custo médio de R$ 539,49, o menor valor entre as capitais do Norte e do Nordeste e um dos mais baixos do país. Apesar disso, houve alta de 0,26% em relação a novembro, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mesmo com o aumento mensal, o valor da cesta na capital sergipana ficou bem abaixo de outras capitais nordestinas, como Maceió (R$ 589,69), Recife (R$ 596,10), João Pessoa (R$ 597,66), Natal (R$ 597,15) e Salvador (R$ 607,48).
Em dezembro, a cesta básica ficou mais cara em 17 capitais brasileiras, não apresentou variação em João Pessoa e registrou queda nas demais. A maior alta do país ocorreu em Maceió (3,19%), seguida por Belo Horizonte (1,58%), Salvador (1,55%), Brasília (1,54%) e Teresina (1,39%). As quedas mais expressivas foram observadas na região Norte, com destaque para Porto Velho (-3,60%), Boa Vista (-2,55%), Rio Branco (-1,54%) e Manaus (-1,43%).
No ranking nacional, São Paulo manteve a cesta básica mais cara do país, com custo médio de R$ 845,95, seguida por Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06) e Cuiabá (R$ 791,29). Já nas regiões Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju, Maceió, Porto Velho (R$ 592,01) e Recife.
Vilões e alívio no bolso em Aracaju
Em Aracaju, entre novembro e dezembro de 2025, quatro dos 12 produtos da cesta básica apresentaram aumento de preço, sendo considerados os principais vilões do mês: carne bovina de primeira (1,88%), banana (1,25%), feijão carioca (1,00%) e manteiga (0,99%). O preço do leite integral permaneceu estável no período.
Por outro lado, sete produtos apresentaram queda, ajudando a conter um aumento mais expressivo da cesta: tomate (-5,15%), arroz agulhinha (-2,04%), açúcar cristal (-1,35%), café em pó (-1,17%), óleo de soja (-1,10%), pão francês (-0,33%) e farinha de mandioca (-0,15%).
Na comparação anual, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, a cesta básica em Aracaju acumulou queda de 2,63%. Nesse período, quatro itens registraram alta: café em pó (51,33%), feijão carioca (1,88%), carne bovina de primeira (1,20%) e pão francês (0,83%). Já os produtos que ficaram mais baratos no acumulado de 12 meses foram arroz agulhinha (-20,72%), tomate (-20,27%), açúcar cristal (-13,30%), leite integral (-10,95%), óleo de soja (-7,34%), manteiga (-3,05%), banana (-2,80%) e farinha de mandioca (-1,20%).
Pressão nacional puxada pela carne e pela batata
No cenário nacional, um dos principais responsáveis pela elevação do custo da cesta básica foi a carne bovina de primeira, que subiu em 25 das 27 capitais pesquisadas. As maiores altas ocorreram em Maceió (4,50%), Belo Horizonte (3,49%), Manaus (3,06%) e Teresina (3,01%). Segundo o Dieese, o aumento é explicado pelo aquecimento da demanda interna e externa e pela oferta restrita do produto.
A batata, pesquisada apenas no Centro-Sul, também apresentou alta na maioria das capitais, com exceção de Porto Alegre, onde houve queda de 3,57%. No Rio de Janeiro, o aumento chegou a 24,10%. As chuvas e o fim da colheita explicam a elevação do preço do tubérculo.
Outros produtos apresentaram comportamento diverso no país. O preço da farinha de trigo subiu em Brasília (2,98%) e Curitiba (0,95%), mas caiu nas demais capitais do Centro-Sul. O leite integral ficou mais barato em 22 das 27 cidades, reflexo da maior oferta interna. O arroz agulhinha teve redução de preço em 23 capitais, influenciado pela menor demanda e pelo menor volume exportado. O açúcar apresentou queda em 21 capitais, enquanto o café em pó diminuiu em 20 cidades, impactado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelas incertezas nas exportações. O óleo de soja ficou mais barato em 17 capitais, devido à maior oferta global da soja.
Impacto no salário do trabalhador
Com base na cesta básica mais cara do país, registrada em São Paulo, o Dieese estimou que, em dezembro de 2025, o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 7.106,83, o equivalente a 4,68 vezes o salário mínimo vigente, que era de R$ 1.518,00. O valor considera que o salário deve ser suficiente para cobrir despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
Em Aracaju, o trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou trabalhar 78 horas e 11 minutos para adquirir a cesta básica em dezembro de 2025, mais tempo do que em novembro, quando eram necessárias 77 horas e 59 minutos. Em dezembro de 2024, esse tempo era significativamente maior: 86 horas e 20 minutos.
Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o trabalhador aracajuano comprometeu 38,42% da renda para comprar os itens básicos da cesta em dezembro de 2025. Em novembro, o percentual era de 38,32% e, em dezembro de 2024, chegava a 42,42%.
Os dados reforçam que, apesar da leve alta mensal, Aracaju segue com a cesta básica mais barata do Norte e Nordeste, mantendo uma posição relativamente mais favorável para o consumidor em comparação com outras capitais da região e do país.
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