quinta-feira, 13/01/2022
Carlos Cauê entre livros e jornalismo: “A imprensa é imprescindível à sociedade” Foto: Ana Lícia Menezes/PMA

“A dor do mundo” foi a inspiração de Carlos Cauê para seu novo livro Sinfonia da Desesperança

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Carlos Roberto da Silva. Talvez em Sergipe poucas pessoas saibam exatamente quem é esse cidadão, mas todos conhecem Carlos Cauê – jornalista, publicitário, escritor e poeta, dono de uma trajetória profissional vitoriosa. Sim, pois como homem de marketing teve sucesso em 16 campanhas políticas sob sua batuta, e atualmente dirige a Secretaria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Aracaju (Secom), liderando uma equipe de jornalistas, repórteres-fotográficos e produtores.

Para ele, ser secretário de Comunicação “é uma experiência enriquecedora, cujo feedback da sociedade traz imensa satisfação. Constatar que a sociedade aracajuana conhece, respeita e valoriza o trabalho da Prefeitura de Aracaju é a melhor recompensa”, disse Cauê. Atento a tudo que acontece na capital e no país, ele lamenta os discursos negacionistas, os ataques sofridos por jornalistas constantemente – por parte do mandatário do país -, e assegura que “a imprensa é imprescindível à sociedade”.

Cauê, Cidadão Sergipano Foto: Joel Cruz/Alese

Mas em meio a tantos problemas que pontuaram estes últimos dois anos – com a chegada da Covid-19, que tirou o mundo da situação de “conforto” – Cauê, neste turbilhão, produziu literatura e das boas. Na próxima quarta-feira, 22, ele lança o livro “Sinfonia da Desesperança” cujos contos retratam “desespero, fé e esperança, um pequeno mosaico das emoções e sentimentos que vivemos”, diante da pandemia.

“É difícil viver esses tempos sem se deixar ser atingido pela nossa fragilidade, sem se comover com a dor de tantos que perderam entes queridos, sem sofrer por tanta morte, tanto sofrimento, tanta desarrumação que o mundo e as gentes viveram. Esse foi o duro processo de inspiração: a dor do mundo”, completou.

Nascido em Maceió há exatos 60 anos, Carlos Cauê desembarcou em Aracaju em 1980 para estudar Engenharia Química, na Universidade Federal de Sergipe (UFS), migrou para Comunicação Social, habilitando-se em Jornalismo em 1997. No ano passado recebeu dois prêmios: Melhor Marqueteiro de Sergipe, concedido pelo site Imprensa 24 horas; e o título de Cidadão Sergipano, na Assembleia Legislativa, numa iniciativa do presidente da Casa, deputado Luciano Bispo.

Cauê segue na Secom, mas também está à espera de uma nova campanha de marketing político, na qual alia, como ele próprio define, “profissionalismo, humildade, ciência e honesta observação da vida e da sociedade”. E por que não uma boa química?

Confira agora a entrevista que Carlos Cauê concedeu ao Só Sergipe. Está imperdível.

SÓ SERGIPE – No próximo dia 22, o senhor lança o livro “Sinfonia da Desesperança”, no qual reúne uma coletânea de 12 crônicas. Como ocorreu o processo de inspiração para escrever estas crônicas?

CARLOS CAUÊ – A própria realidade vivida pelo mundo nos dois últimos anos foi a base sobre a qual construí essa coletânea, a partir da observação do mundo, sobretudo da estranheza e da dor que o mundo sofreu e ainda vem sofrendo, pondo a humanidade à prova. É difícil viver esses tempos sem se deixar ser atingido pela nossa fragilidade, sem se comover com a dor de tantos que perderam entes queridos, sem sofrer por tanta morte, tanto sofrimento, tanta desarrumação que o mundo e as gentes viveram. Esse foi o duro processo de inspiração: a dor do mundo.

SÓ SERGIPE – As crônicas foram escritas durante a pandemia que, infelizmente, ainda não acabou. Todos os escritos fazem reflexões sobre este momento incomum que o senhor e todos nós estamos vivendo?

CARLOS CAUÊ – Todas as crônicas falam sobre isso, abordando aspectos diferentes umas das outras, mas todas elas estão centradas nisso, nas variadas percepções e vivências dos seres humanos durante a pandemia. São estupefações de quem viveu esse assombro coletivo, interrogações de quem se perguntou o tempo todo “por quê?”, reflexões de quem assomou à janela da vida pra tentar entender o que estava se passando, ações de quem teve que decidir o que fazer, a quem escolher, como se portar. Há também desespero, fé, esperança. Na verdade, um pequeno mosaico das emoções e sentimentos que vivemos.

SÓ SERGIPE – Qual conto é o carro-chefe dessa obra e por quê?

CARLOS CAUÊ – Não há um carro chefe, até porque as situações narradas em cada uma delas são complementares, deslocando-se do eixo pessoal mais profundo até a observação mais ampla do sofrimento humano. Seja na Itália, onde caminhões do exército, num cortejo,  transportavam corpos para serem cremados em cidades vizinhas, pela absoluta falta de espaços nos cemitérios locais, seja pela incredulidade de uma dona de casa que se viu prisioneira em sua própria casa e entendeu que o mundo estava esquisito, um morador de rua que viu suas ruas ficarem desertas, ou profissionais de saúde que tiverem que tomar dolorosas decisões. A única coisa que unifica tudo é a estranheza de um tempo cujas lições ainda não começamos a aprender de todo.

SÓ SERGIPE – Em 1999, o senhor publicou o livro “Contos de Vida e Morte”. É possível estabelecer uma comparação entre essa obra e a “Sinfonia da Desesperança”, tanto na sua forma de ver o mundo, como também de retratá-la nos seus escritos?

CARLOS CAUÊ – A matéria da literatura é o ser humano e todas as suas orquestrações. Nesse sentido se pode dizer que, sim, há um móvel de comparação objetivo, mas a singularidade do tempo que vivemos, ao mesmo tempo, diferencia um livro do outro. Além do mais, aquele foi meu livro de estreia, no qual o próprio gênero literário não está completamente definido, alternando-se entre contos, crônicas e textos livres, como os de agora. Também nunca fui de aprisionar minha literatura nos compartimentos de regras acadêmicas. E o mundo de hoje, com todas as convergências que pôs em marcha, vem amalgamando outras formas de expressão que talvez não caiba mais nos manuais de antanho. Tudo converge, tudo dialoga, tudo se transforma. E é bom que seja assim.

SÓ SERGIPE – Há outras produções literárias em vista?

CARLOS CAUÊ – Sim. No próximo ano devo lançar mais um livro de poesia. Estou em fase de reunião delas. Também vou lançar uma coletânea de vídeo-poemas, interpretado apenas por mulheres. Já há um material produzido em fase de edição, faltando apenas outras integrantes, cujas agendas ainda não nos permitiram a captação do material. Mas, vamos fazê-la em breve.

SÓ SERGIPE – O senhor é jornalista. Como analisa o trabalho da imprensa no país, neste momento de muitas dores, e quais as principais dificuldades que estes profissionais enfrentam?

CARLOS CAUÊ – A imprensa é imprescindível à sociedade. Sobretudo nos tempos em que a democracia sofre ataques violentos como os que temos visto no Brasil, ela torna-se mais necessária. Creio que ela vem cumprindo um bom papel, mas a imprensa não é algo monolítico, integral. Ela também possui variadas faces, algumas delas, infelizmente, contra a própria democracia. Vimos isso num passado recente e, mesmo hoje, uma parte dela ainda serve de força auxiliar ao conservadorismo. É lamentável, mas é a expressão de uma sociedade plural como a nossa.

SÓ SERGIPE – Os jornalistas vêm sendo desrespeitados pelo atual mandatário do país. O exemplo mais recente ocorreu em Itamaraju, no sul da Bahia, com repórteres da TV Bahia e da TV Aratu. E já aconteceu aqui em Sergipe também. Que lições esses episódios deixam para os jornalistas?

CARLOS CAUÊ – É o preço da barbárie a qual retroagimos. Só é preciso lembrar que parte dessa mesma imprensa que sofre hoje esses ataques, ajudou a produzir o algoz que os ataca no presente. Mas, é inaceitável. E não são só os jornalistas que são vítimas dessa barbárie, artistas, professores, ambientalistas, trabalhadores de modo geral vêm sendo rotineiramente depreciados e atacados pelo governante deste país.

Cauê, tomando posse como titular da Secom Foto: Ana Lícia Menezes/PMA

SÓ SERGIPE – O senhor lidera uma equipe de profissionais na Secom. Como é esse trabalho de desafiar-se todos os dias para dar a informação correta, mostrando tanto o lado político do prefeito Edvaldo Nogueira como também fazendo prestação de serviços à população?

CARLOS CAUÊ – É uma experiência enriquecedora cujo feedback da sociedade traz imensa satisfação. Constatar que a sociedade aracajuana conhece, respeita e valoriza o trabalho da Prefeitura de Aracaju é a melhor recompensa, porque sei que parte desse reconhecimento nasce da nossa capacidade de dar visibilidade ao nosso trabalho, e isso está na raiz do nosso ofício como comunicadores que somos nessa equipe. É um trabalho coletivo, reconhecido, inclusive, nacionalmente, do qual sinto enorme orgulho.

SÓ SERGIPE – Como tem sido trabalhar a comunicação nesse momento atípico, quando a ciência nos diz como lidar para combater a Covid-19, mas outros insistem em propagar fake-news com discursos negacionistas? A comunicação teve que se reinventar?

CARLOS CAUÊ – Cada tempo traz os seus desafios. Parece que os nossos são vencer a cegueira do atraso e lutar por um novo tempo de luzes. A verdade vencerá, assim como a justiça, o bem e o futuro.

SÓ SERGIPE – Mudando de assunto, estamos às vésperas de um ano político. O senhor foi vitorioso em 16 campanhas políticas, portanto, o seu talento é inquestionável, seu nome é uma referência em marketing político. Qual o segredo para o sucesso – tanto o seu, como o dos seus assessorados?

CARLOS CAUÊ – Profissionalismo, humildade, ciência e honesta observação da vida e da sociedade. Sem artificializar situações ou pessoas, sem desprezar a ciência, entendendo que o marketing é apenas uma ferramenta, não é uma varinha mágica. É a política o rio caudaloso que engendra e resolve os processos eleitorais.

SÓ SERGIPE – Em 2022, o prefeito Edvaldo Nogueira será o candidato a governador de Sergipe.  O senhor já começou a organizar a próxima campanha de marketing?

CARLOS CAUÊ – O prefeito Edvaldo Nogueira colocou o seu nome à disposição do agrupamento que ele integra, para que seja analisado, juntamente com o nome dos outros postulantes. A decisão de quem será o candidato será coletiva, acredito eu que, levando em conta qual seja o melhor nome, o mais capaz de conduzir o grupo à vitória e com mais condições de conduzir o estado de Sergipe num processo ascendente de progresso, desenvolvimento, solução dos problemas e à modernidade que todos nós queremos que chegue, ofertando inclusão social e elevação da qualidade de vida.

SÓ SERGIPE – O fato de Edvaldo Nogueira ser o prefeito mais longevo de Aracaju e a administração dele serão credenciais importantes nas eleições de 2022?

CARLOS CAUÊ – Eu diria que indispensáveis. A possibilidade de o prefeito Edvaldo vir a ser candidato ao cargo de governador se dá fundamentalmente porque Sergipe e os sergipanos conhecem o seu trabalho, veem o repertório de conquistas que a capital tem apresentado ao longo desses anos, a profunda alteração de qualidade que ele impingiu à vida urbana por aqui e desejam isso para Sergipe como um todo.

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