Por Valtênio Paes de Oliveira (*)
Dentre outros fatos impositivos do presidente Trump, a anulação dos efeitos da expulsão do jogador da seleção norte-americana imposta pela FIFA nesta Copa do Mundo de Futebol causou impacto negativo e vergonhoso jamais visto no planeta. Fato inusitado ocorrera com Pelé, expulso em 17.07.1968, em jogo do Santos contra a Seleção Olímpica da Colômbia no Estádio El Campin. Neste evento, não era Copa do Mundo, e decisão fora imediata. Na Copa de 1982, o xeque Fahd Al-Ahmed Al-Jaber Al-Sabah invadiu o campo após um pênalti marcado contra o Kuwait ameaçando tirar o time do campo, até que o árbitro anulou o gol. Ambos os fatos ocorreram de imediato, apesar de esdrúxulos.
O tamanho do protesto dos torcedores presentes impôs a substituição do árbitro. Pelé voltou a jogar e a partida foi concluída. Agora, o presidente Trump telefona para o presidente da FIFA dias depois, e os efeitos da expulsão foram anulados.
Como é possível que a FIFA, uma instituição que congrega mais de 200 países filiados, com faturamento médio anual de 3,25 bilhões de dólares, superando o PIB de mais de 35 países, se submeta ao ego de um governante? Como a criançada, que idolatra o futebol, vai pensar e agir doravante? Enfim, quais serão os efeitos deste irresponsável ato da gestão da FIFA?
Lideranças sociais, quer sejam pessoa física quer jurídica, têm responsabilidade social porque influenciam a população. O que dizer para os jovens, se o cartão vermelho pode ser anulado nos dias seguintes? Qual a regra que permite isso? Onde fica o respeito pelas regras do jogo? Inclusive pelas normas sociais? O esporte ocupa a mente, constrói sonhos e cria espaços saudáveis de convivência para todos, indistintamente, em especial, para os jovens. Sua linguagem universal, com direito de acesso a todas as pessoas, foi ferida cruelmente com a submissão inexplicável da multinacional e bilionária FIFA.
Vivendo de recursos publicitários e das 211 filiadas em todo o planeta, arrecadando bilhões de dólares foi subserviente aos caprichos de um telefonema do presidente americano. O bordão de Arnaldo César Coelho, “a regra é clara”, usado pelo povo há algumas décadas recebeu uma oposição irresponsável da FIFA submissa a um presidente.
O esporte não tem pátria, nem ideologia política. Suas regras e linguagens são universais e independem de desejos pessoais. A submissão inexplicável da FIFA a um governante , sem fundamento, maculou a Copa 2026.
Educa-se pelo exemplo, pela prática, pelo respeito, pelo diálogo. Pela linguagem universal, o esporte une, porém a FIFA, criminosamente, quebrou o encanto, desmoralizando sua própria regra e deseducando a juventude.
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